Newsletter do Ducs #20: despolarizar a conversa política, plano para os seus primeiros 5K, a ultramaratona mais difícil do mundo, reutilização criativa

E aí? Tudo bem contigo?

E eis que entramos na edição #20 da Newsletter! Vinte semanas de conteúdo ainda acessível para você, vinte semanas de dicas e indicações, histórias e reflexões, totalmente financiada por você, sem anúncios, sem interrupções, ainda atuais e te esperando. Muito obrigado pela companhia nesse projeto artesanal, anti-sistemão mas pró-leitor!

Na edição dessa semana tem bastante coisa boa: um jeito de despolarizar a política (será isso possível?), a corrida mais difícil do mundo, e, por outro lado, um plano fácil e gratuito para você conseguir correr seus primeiros 5K, mesmo que você esteja totalmente fora de forma. Tem dica de livro, tem dica de uma loja cool de acessórios e isso é só o começo.

Alguns links úteis antes de decolar

Se você está chegando agora na newsletter, ou por qualquer motivo quer ler ou reler as edições anteriores, aqui estão os links para as três mais recentes:

  • EDIÇÃO #17 AQUI (Dicas que podem salvar sua vida)
  • EDIÇÃO #18 AQUI (Alimentação baseada em plantas, explorando os polos e a Lua)
  • EDIÇÃO #19 AQUI (Como funcionam as eleições na Holanda, uma caneta tinteiro inspirada em Van Gogh, Apps de corrida)

E para receber aviso das próximas edições (e a versão em PDF) no seu email, entra na lista aqui;

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Obrigado! Agora vamos decolar!

Chegou a primavera: mesmo quando o parque não abre, há flores…

Sábado dia 20/3 entrou oficialmente a primavera no hemisfério Norte dessa bolota azul que habitamos. É claro, é uma primavera difícil: ainda estamos, um ano depois, lidando com a pandemia. O famoso Parque das Flores, o Keukenhof, que tradicionalmente abre nessa época (e somente nessa época) anunciou que sua abertura não foi autorizada pelo governo. Não é claro ainda se será aberto nessa temporada. Ano passado ele não abriu.

É uma grande pena, é claro, uma vez que o parque trabalha o ano todo apenas para essa época. No Ducs Amsterdam eu mostrei uma vez (em 2017) como as tulipas são plantadas no outono anterior, entrevistei um dos jardineiros mais experientes do parque…

Por outro lado, a chegada da primavera me lembra que a vida segue e se renova, mesmo após condições difíceis e, pandemia ou não, sempre há flores…

Há flores. (Foto: Daniel Duclos)

A bússola política: dando mais dimensão para discussão política

Semana passada teve eleições parlamentares na Holanda. Eu contei tudo como funciona na edição anterior #19, e você pode ler aqui (ficou bem completo). Um dos aspectos interessantes do parlamentarismo é a pluralidade de posições políticas, e um sistema que meio que força todo mundo a sentar e conversar para chegar num acordo. Hey, parlamentarismo tem seus problemas também, claro, mas esse aspecto multidimensional me parece mais interessante do que o dualismo político.

Num sistema presidencialista com apenas duas opções achata todo o espectro de posições políticas em apenas dois pontos. Você pode argumentar que no Brasil há mais de duas opções, mas esse achatamento do espectro se dá no segundo turno, onde toda nuance é apagada e só temos duas opções, ou você está de um lado ou está de outro, não há nuance. Me parece que isso favorece muito a polarização. É uma pena porque há infinitos pontos entre A e B. E numa situação de polarização, apenas os extremos tendem a ganhar, porque antes seriam minoria, mas quando junta todo mundo em dois pontos, eles herdam em seu campo todo um grupo de pessoas que, de outra forma, jamais estariam juntas sob a mesma bandeira. Incitar a polarização, o EU contra ELES só fortalece o extremo. Os instintos tribais se exacerbam, e em vez de achar uma maneira de cooperar, passa-se a buscar uma maneira de silenciar, ou aniquilar o “ouro lado”.

Logicamente não dá para dialogar com um extremista, mas entre eles e o resto há muito diálogo a ser feito, e na redução de todas as posições políticas em apenas dois pontos, todos se reúnem nos extremos, e o diálogo entre extremos é impossível. Só resta a guerra ideológica.

Por esse motivo, acho muito interessante retomar um pouco desse espectro político. A primeira parte é voltar a reconhecer que existem infinitos pontos ao longo de um eixo, não apenas dois pontos únicos. Esse eixo mais conhecido seria o da esquerda-direita. Mas mesmo ele é insuficiente. Dá para adicionar ainda mais uma dimensão. Nisso eu acho que pode ser útil o conceito da Bússola Política (Political Compass).

Possivelmente você já ouviu falar, já que o Political Compass inspirou uma grande quantidade de sites e testes online desde que entrou no ar em 2001. A ideia é a seguinte:

Em vez de ter apenas um eixo esquerda-direita, o Political Compass propõe um eixo extra e perpendicular: o eixo autoritarismo-libertarismo, criando quatro quadrantes. Assim:

cartesian plane with horizontal left-right axis and vertical authoritarian-libertarian axis
(Imagem: Political Compass)

O eixo esquerda-direita se refere a escala econômica: quanto mais à esquerda, maior intervenção do estado na economia, quanto mais a direita, menor essa intervenção. E o eixo autoritário-libertário se refere a intervenção do estado na sociedade. E ambos os eixos admitem uma infinidade de pontos nessa escala. Plotando a sua posição nos dois eixos, sua posição política é projetada em algum ponto dos quatro quadrantes.

Assim você pode ter ditadores de esquerda e de direita concordando na suas políticas repressivas na sociedade, discordando apenas no quanto interferem na economia. Aí a discussão não é tanto se o ditador xis é de esquerda e o ditador zê é de direita, mas o lance é que são ambos ditadores. Eu não sei você, mas eu não gosto de ditaduras, nem mesmo quando elas defendem coisas que concordo.

Veja um exemplo de figuras históricas plotadas no gráfico do Political Compass:

chart with Stalin, Gandhi, Friedman, Thathcher, Hitler
Repara na altura em que Hitler e Stalin estão no eixo autoritário-libertário: quase a mesma. (Imagem: Political Compass)

Uma das vantagens do Political Compass, além de resgatar um espectro mais amplo de posições políticas, permite achar pontos em comum mesmo entre pessoas que estariam de lados opostos em um dos eixos, mas na verdade estão próximas em outro.

Se você quer saber qual sua posição nesse gráfico, pode fazer o teste no site do Political Compass aqui.

A ultramaratona mais difícil do mundo: Barkley Marathons, a corrida que devora seus filhotes

Esse fim de semana também rolou uma das ultramaratonas mais difíceis do mundo. Uma corrida onde o objetivo não é ganhar, mas terminar e a competição não é com os outros corredores, mas contra prova em si. Criada 35 anos atrás por um ex-corredor com senso de humor corrosivo conhecido como Lazarus Lake, a Barkley é uma lenda em suas peculiaridades bizarras num mundo cheio de peculiaridades bizarras (as ultramaratonas).

A primeira coisa que você pode notar sobre a Barkley é que seu nome oficial é no plural: Barkley Marathons. Isso porque a prova consiste em não uma, não duas, nã… ah dane-se vou dizer logo. São 5 voltas (chamadas de loops) de mais ou menos a distância de uma maratona completa.

(Se você tá confuso com essa nomenclatura de maratona, ultramaratona e tals, expliquei tudinho na edição #16, dá uma lida lá)

Mais ou menos? Por que mais ou menos? Porque o percurso não é exatamente definido. Ele rola através de um parque nacional nos Estados Unidos, em terreno não demarcado, sem trilhas. Você tem que achar o percurso, sem embrenhando pelo parque, em condições climáticas que variam de ruins para desastrosas, com um limite de tempo extremamente apertado 60 horas no total – não dá tempo para dormir) . Ah, mas fica bem pior que isso…

As peculiaridades da Barkley

O tempo é apertado e resulta em privação de sono, dificultando a navegação e prazo? Lazarus, o organizador e idealizador, não permite nenhum aparelho eletrônico: nada de Garmins, GPS, celulares, nada dessas tranqueiras. Você pode levar um mapa (vagamente) anotado, uma bússola e um relógio analógico de pulso, que é distribuído pelo Laz. Esse relógio é o mais barato que ele acha, e ah… e ele não marca a hora certa, mas o meio dia é acertado para o início da corrida. Você que calcular quanto tempo você ainda tem, o que pode ser bem divertido depois de 45 horas sem dormir correndo uma ultramaratona por terreno difícil não demarcado em condições climáticas adversas.

Ah, por falar em achar o percurso: para provar que você fez o percurso, o loop contém um certo número de livros escondidos e espalhados ao longo dele. Você tem que achar cada um dos livros, e pegar a página que corresponde ao seu número de inscrição na prova. Se faltar uma página, você está fora. Os livros são as estações de ajuda. É isso.

Você não pode receber ajuda externa, claro. E no campo base, de onde você inicia e termina todos os loops, você pode ser ajudado por duas pessoas, que ficam acampadas te esperando. Antes da prova começar todos ficam ansiosos, revendo os últimos preparativos porque, ah sim… ninguém sabe a hora que a prova irá começar.

Tem um período de 12 horas em que a prova pode começar a qualquer minuto. Quando Lazarus assopra uma concha, esse é o aviso para os participantes que eles tem uma hora para as preparações finais. Exatamente uma hora depois, Lazarus acende um cigarro, e esse é o sinal de partida. Quarenta participantes (em geral: esse ano foram menos, devido a pandemia) atravessam o portão amarelo que marca o limite do parque e partem nessa caça ao tesouro diabólica.

O desafio começa na inscrição

Com isso você deve estar pensando: e tem quarenta doidos que querem participar disso? Tem tanto masoquista nesse mundo? Pois tem, inclusive tem tanto que a prova seleciona seus participantes. O processo de seleção é secreto. Aliás, o próprio método de inscrição é secreto: não tem link em lugar nenhum, não tem endereço. O prazo de inscrição também não é divulgado. Se vira. A caça ao tesouro começa já ali.

Se você conhece alguém que conhece e a pessoa te diz, você pode enviar um ensaio dizendo quem é você e porque carambolas você quer participar da Barkley. Voc6e paga a taxa de inscrição (que não garante aceitação) de USD 1,60. Não, não falta zero. É um pila e sessenta cents mesmo. Lazarus diz que cobra um centavo por quilômetro. Se você for aceito, recebe uma carta de condolências, lamentando informar que foi aceito na Barkley. Aí você tem que pagar a taxa de participação: se for sua primeira Barkley, é a uma placa de carro do local onde você mora. E todos tem que trazer um item definido por Lazarus, que varia a cada ano. Já foi um par de meias. Outro ano foi uma camisa (ele diz o tamanho). Cigarros. Perguntado por que meias, Lazarus disse: “eu estava precisando de meias”.

E o prêmio para vencedor? Que vencedor? Ninguém “ganha” a Barkley. Ou você termina, ou não termina. Em geral, não termina. Doze pessoas andaram na superfície da Lua. Quinze pessoas terminaram a Barkley, desde sua primeira edição em 1986. Uma delas, Jared Campbell, terminou três vezes. Depois de um intervalo sem participar, ele resolveu tentar esse ano de novo.

Não terminou. Ninguém terminou. Apenas duas pessoas, Jared e outro corredor, Luke Nelson, terminaram o que Laz chama de “Fun Run” (Corridinha Divertida): 3 loops completos dentro do tempo limite.

Ah, a mente divertida de Lazarus Lake… digamos que a orelha esquerda dele é permanentemente quente. Mas ele não tá nem aí. Perguntado se ele é um sádico, ele dá aquela risadinha sardônica dos trolls que veem seu trabalho ter impacto.

Na verdade, eu acredito que Laz é um troll, tirando um sarro do mundo das ultramaratonas e suas exigências absurdas… e o mundo da ultra, ironicamente ou não, abraçou a prova. Participar de uma Barkley é um sinal de distinção, terminar uma te dá status de lenda.

Enquanto isso, Lazarus vai trollando. Cada ano que alguém termina, ele muda as regras no ano seguinte para tornar a prova mais difícil (não é incomum participantes “agradecerem” alguém que completou a prova “valeu, cara… agora sim…”). Ele escolhe o nome dos livros a serem achados para mandar mensagens encorajadoras “A ajuda não está a caminho”, “O cadáver no bosque”, “A montanha do terror” e por aí vai.

Well, imagino que humor ácido não seja a praia de todos. Se você ficou chocado com a Barkley, que posso dizer?… Ops?

Documentários sobre a Barkley

Mas se você, como eu, é atraído por esse tipo de desafio, e quer saber mais sobre a Barkley, procure esses dois documentários que vou indicar:

Where Dreams go to die

Esse dá para ver no YouTube de graça. Conta a história de Gary Robbins e seu sonho de completar a Barkley. Talvez o título seja um spoiler…

The Barkley Marathons: The Race That Eats Its Young

Esse á mais difícil de ver. Por um bom tempo estava na Netflix, mas já saiu, ao menos da Netflix holandesa. Procura na brasileira, talvez ainda esteja. Se quiser dá para comprar também nesse link.

Dicas de livros

Audiobook: Cem dias entre céu e mar

Autor: Amyr Klink

Na edição #18 da Newsletter eu indiquei um livro do Amyr Klink, um dos meus heróis de infância. Uma leitora, a Camila G. me respondeu comentando que a Companhia das Letras lançou um áudio book do primeiro livro, Cem dias entre céu e mar, lido pelo autor.

Resolvi repassar a indicação. Cem dias foi o primeiro livro de Amyr Klink que li, lá no fundão dos anos 80. 1985 para ser preciso: ainda tenho a primeira edição! O preço está impresso na capa: Cz$64,70.

Desnecessário dizer que tenho apego emocional com esse livro. Nele Amyr conta sobre os planos e a travessia que ele fez do Oceano Atlântico num barco a remo. Um feito histórico que capturou a imaginação de muita gente (e de um Daniel de 10 anos de idade). Acompanhei Amyr através de ondas, ao lado de baleias, sobre tubarões, sob o céu. Aprendi que aventura é apenas despreparo (uma máxima que veio de outro explorador e pioneiro, o norueguês Roald Amundsen).

E desde a cirurgia no olho (edição #13) eu tenho ouvido cada vez mais audiobooks. Livros de papel são um amor antigo, mas a gente se adapta. E até descobre vantagens: ouvindo Stephen Fry ler Sherlock Holmes eu ouvi os sotaques diferentes dos personagens variando conforme sua nacionalidade, brilhantemente interpretados por Fry. Inclusive em um dos contos, um dos personagens é holandês, e a imitação do sotaque holandês no inglês que ele faz é simplesmente perfeita. Esse tipo de detalhe passou batido por mim quando eu li as histórias.

E por isso achei tão legal saber que o próprio Amyr está narrando. Eu ainda não ouvi, mas recomendo o livro escrito, e repasso a dica do audiobook, que você pode comprar nesse link aqui (não recebo nada pela indicação).

Animal Farm: A Fairy Story (A Revolução dos Bichos: um conto de fadas)

Autor: George Orwell

E já que falamos de política e ditaduras, vou ter que recomendar um clássico da literatura, A Revolução dos bichos. Eu tenho que confessar uma coisa: eu fui ler esse livro só esse ano. Bom, tecnicamente, ouvir. A visão. Enfim. Fato é que eu demorei para ler Orwell, um tanto intimidado pelo peso da sua reputação, talvez. Mesmo 1984 eu só fui ler com mais de 35 anos de idade, sendo que li Admirável Mundo Novo (de Aldous Huxley), outro livro de distopia muito famoso, na adolescência.

Apesar do subtítulo, o livro é mais uma fábula do que um conto de fadas. Conta a história de uma fazenda onde os animais se revoltam contra o tirano humano, e passam a administrar eles mesmos a propriedade. É uma alegoria bem próxima da Revolução Russa (1917), e se você conhece os personagens históricos, vai reconhecer Stalin, Hitler, Trotsky, Marx, facilmente (e se você é realmente ninja, outros mais obscuros). Com essa descrição, pode dar a entender que você precisa conhecer a história verdadeira para entender o livro, mas a real é que não.

A linguagem é (propositadamente) simples, e a deturpação de boas intenções através de propaganda, manipulação política e força bruta não requerem um embasamento histórico para serem entendidas. Claro, se você depois adquirir esse conhecimento, o livro ganha toda uma nova dimensão – e isso é a marca dos clássicos: eles mudam conforme nós mudamos.

Não tem importância se você esperou até agora para ler: um clássico também é paciente, e está lá quando você estiver pronto.

Na Amazon, em português.

Como correr seus primeiros 5K: um plano gratuito

Quando eu falei da Barkley lá em cima, você pode ter a impressão que corredor é tudo masoquista, e que corrida é sofrimento. Como eu sei que você pensou isso? Eu também pensava. E foi com muita surpresa que descobri que na verdade… não era.

Okay, a Barkley é um caso extremo, de pessoas buscando um desafio, mas ela está para corrida normal como escalar o Evereste está para subir uma colina no parque. Não é a mesma coisa.

De toda a forma: quando eu decidi entrar em forma depois da crise que tive em 2018, eu nem sabia por onde começar. Eu comecei correndo por um minuto e meio, andando para descansar, correndo um minuto e meio.

De meia. Na minha sala. Em círculos. As cinco da manhã.

Quando meu vizinho veio… me “interpelar” sobre os “estranhos barulhos na madrugada”, eu resolvi, mortificado, que era hora de comprar um par de tênis e ir correr na rua. Nessa hora eu gostaria de ter tido um plano bem feito como esse para fazer seus primeiros 5K do Ben Parks.

O Ben Parkes é um Youtuber de corridas que acompanho desde 2019. Eu já segui diversos planos dele (de 5K nível 3, 10K e meia maratona nível 2 e agora estou seguindo o de maratona nível 2). Todos funcionaram excelentemente bem. E a Carla seguiu o de 5K iniciante e está seguindo agora o de 10K iniciante.

O plano começa bem fácil, alternando caminhadas e corridas de um minuto, e cara se o Daniel de 2018 conseguia correr um minuto e meio, você consegue correr um minuto. E dali vai progredindo de maneira estruturada até você ser capaz de correr cinco quilômetros seguidos.

E agora o mais bacana: os planos iniciantes do Ben Parkes estão gratuitos no site. Só adicionar ao carrinho e baixar. Zero bufunfas. Vai lá e baixa nesse link!

Se você estava precisando de um incentivo e uma direção para começar a correr, essa é sua oportunidade.

E aproveita e dá uma lida na minha dica de como correr por mais tempo sem cansar tanto na newsletter #17, onde falei de correr em baixa pulsação.

Reciclagem criativa na Ucrânia: um cinto novo, mochila e acessórios upcycled (moda/EDC)

Desde que comecei a correr, me exercitar e comer de maneira mais saudável, meu corpo mudou. Eu falei sobre essa mudança nesse post onde falo de peso – tá bem legal!

Isso resultou num efeito colateral: estou sem roupas que me sirvam. Algumas até ajustei no início, mas a mudança foi continuando até que a maioria das peças estava além do ajuste. E agora estou fazendo orçamento (contei como faço orçamento aqui) para comprar novas.

Uma das primeiras peças é na verdade igual a que já tenho: um cinto da Kruk Garage. Eu até fiz furos extras no meu atual, mas não dá não. Tem um limite que dá para fazer furos novos sem ficar muito sobrando. Acho que vou acabar comprando um num tamanho menor.

Aí eu pensei em dar a dica da Kruk Garage para você. É um atelier em Kiev, na Ucrânia, onde eles reusam materiais para fazer produtos novos bem interessantes: um conceito chamado “upcycling”, ou “reutilização criativa”. Eles dizem: “Usamos exclusivamente materiais encontrados – sobras do exército, sacolas, barracas, cintos, ferramentas etc, algumas datando da época da Segunda Guerra”, que reaproveitam num design próprio.

Você pode ler mais sobre a história da Kruk Garage nessa página do site deles.

Eu curto muito o estilo da Kruk, e tenho deles também uma mochila que acho muito bonita.

(Foto: Kruk Garage)

Os produtos tem um preço alto, verdade, mas posso atestar a qualidade e design deles. E ao se inscrever na newsletter deles você ganha um cupom de 20%.

Note que a fivela é a mesma do cinto… (Foto incluindo bagunça do mundo real: Daniel Duclos)

Pensamento da semana: ser forte para ser útil

Se você leu o post que coloquei link ali em cima, falando sobre corrida e perder peso, você sabe que comecei a fazer exercícios porque queria me sentir melhor, e parar de ficar doente. Mas tem um outro fator que me motiva a ficar mais saudável, equilibrado e forte…

Ajudar os outros.

Estar saudável não é só uma questão individual para mim. Claro, eu tenho família, e quero estar lá para eles por muito, muito tempo. Nisso, fazer o possível para evitar doenças crônicas que decorrem do estilo de vida (alimentação, sono, exercício) está sob meu controle, e me habilita a ajudá-los por mais tempo. Nem que seja para cuidar de um netinho pulante.

Mas não é só isso: estar forte agora me habilita a ajudá-los no dia a dia agora e, se precisar, numa emergência também. Correr é saudável, é divertido (pra, eu to dizendo que é…. tenta o plano que eu falei), mas também pode ser bem útil você ter a resistência para correr, subir escadas quando você não tem escolha e a situação não é tão divertida assim. Com um sagui no colo, se precisar. Ser capaz de levantar um objeto pesado de cima de alguém, correr atrás de um sagui que está fugindo pela rua, pular um obstáculo com segurança. Na hora agá, não conte com instinto. Na hora agá o que te salva é treino.

E ajudar os outros não é apenas no aspecto físico. Uma das vantagens da meditação é que me tornou uma pessoa mais equilibrada, menos rápida em ficar bravo ou presa na braveza quando ela vem, capaz de aconselhar e ajudar quando vem o piti de uma criança. E isso não vem com a teoria, nem apenas lendo a respeito. Isso vem com prática constante.

E mesmo se eu não morasse com ninguém, aí que eu iria querer treinar mais, sabendo que eu seria a pessoa a precisar de ajuda, dos outros ou de mim.

Eu me meti em diversas encrencas nessa vida, e tive ajuda de muitas pessoas, e tenho ainda, e isso é fantástico. E me motiva mais ainda a querer retribuir no que eu puder.

Frase da semana

“O propósito da vida humana, independente de quem a estiver controlando, é amar quem estiver por perto para ser amado”

Kurt Vonnegut

Caneta: Kaweco Sports Brass
Papel: Leuchtturm1917

Muito obrigado pela companhia

E essa foi a edição dessa semana. Semana que vem vai ter um fotógrafo pioneiro que registrou Amsterdam no século XIX numa câmera artesanal feita por ele, a história de uma tinta de caneta tinteiro que achei num lugar especial e mais histórias e dicas e coisas legais para te inspirar, entreter e, com sorte, tornar sua vida melhor em algum aspecto.

Deixo aqui novamente o botão para você apoiar a Newsletter, caso possa. Se você mora na Holanda e prefere um link do Tikkie, me avisa que eu te passo um.

Outra maneira de contribuir é passando essa newsletter para alguém. Na verdade isso é essencial: uma vez que os algoritmos não gostam muito quando são ignorados, e quando não podem ditar as regras do jogo, eu não posso contar com eles para espalhar a newsletter. Vamos ter que crescer no boca-a-boca mesmo. Você me ajuda?

Obrigado pela sua companhia nessa jornada: é um prazer ter você a bordo! Deixo aqui um abraço e até semana que vem:

Daniel Duclos – Daniduc.

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