Newsletter do Ducs #17: estar preparado para o dia a dia, do simples à emergência (dicas que podem salvar vidas)

E aí? Tudo bem contigo?

Espero que sua semana tenha sido boa. Aqui eu comecei a correr novamente (apesar de ainda estar tecnicamente em recuperação da cirurgia – hey o médico disse que podia). Tenho que me preparar para aquela ultramaratona ano que vem.

Que ultramaratona? Contei tudo na newsletter passada (#16). Perdeu? Tem nada não. Veja aqui os links para as três últimas edições:

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Okay, essa semana tenho uma edição cheio de coisa para você (é a maior até agora!), além de corrida. Vai ter as dicas de coisas que carrego comigo todo dia, uma dica de tecnologia que pode salvar vidas, educação dos saguis na Holanda e…

Uh, eu chamo meus filhos de saguis, e por extensão todas as crianças. 😀

Bora, vamos conversar.

Sol saiu para alegrar os saguis de férias.

Semana passada o sol apareceu praticamente todos os dias, dando aquele clima de fim de inverno (lembre-se que o sol na Holanda é “luz de geladeira”: ilumina mas não esquenta. Não fez calor, fez sol é diferente.)

foi semana de férias da saguizagem, chamada de “krokusvakantie”. São as férias pré-primavera: krokus é o nome daquelas pequenas flores coloridas, as primeiras a surgir nos gramados anunciando o fim do inverno.

Olha Tambor! São krokus!

As férias dos saguis aqui são meio picadinhas:

  • Krokusvakantie (uma semana no fim de fevereiro)
  • Meivakantie (duas semanas em maio)
  • Junivakantie (em junho, opcional, algumas escolas diminuem uma semana das outras férias e incluem aqui) Zomervakantie (seis semanas no verão, julho-agosto). Encerra o ano letivo. Herfstvakantie (uma semana em outubro)
  • Kerstvakantie (duas semanas, Basicamente Natal e Ano novo)

Uma coisa curiosa é que as datas férias escolares não coincidem exatamente no país todo. Algumas províncias começam uma semana depois das outras, para não sair todo mundo ao mesmo exato tempo. Claro que acaba sobrepondo, especialmente no verão, mas facilita um pouco. No total dá 12 semanas, três meses de férias. Metade no verão, e metade distribuídas pelo ano. Essas folgas ajudam bem a quebrar o ritmo intenso do rush matutino seguido.

Mas aí tem aquela questão: quem cuida dos saguis durante as férias?

Bom, isso era um problema maior pré-pandemia, né? Agora trabalhar em casa com sagui zuzucando é meio que o padrão.

Mas okay. Normalmente os pais têm direito a férias igual 4 vezes o número de horas trabalhadas na semana. Uma semana de 40 horas te dá 160 horas de férias no ano. Isso dá 20 dias úteis. Isso dá 4 semanas de férias, mas saca só: elas não precisam ser consecutivas. Você pode picar ao longo do ano (combinando com o empregador, claro). Se emendar com feriados e tal, dá para fazer render bem.

E esse é o mínimo: seu empregador pode oferecer mais, como benefício extra. Então muitas vezes os pais tiram férias e curtem com a saguizagem.

Daí tem as creches, que oferecem cobertura nas férias. E quem tem um vovô ou vovó, por exemplo, também pode escalar para entrar no revezamento saguizistíco.

Não é nosso caso – lance de criar filho longe da rede de apoio. (Aliás, já leu meu post sobre as vantagens e desvantagens de morar fora do Brasil? Escrevi tem anos, mas ainda vale, é bem legal).

Mas voltando: aqui em casa eu tenho o trabalho mais flexível, então eu acabo ficando com os saguis.

E assim foi essa semana. Levei até para tomar sorvete de take away (vantagem de tomar sorvete no frio: ele não derrete tão rápido).

E já que a Carla está trabalhando de casa (como quase todo o mundo), eu aproveitei para retomar meus treinos de corrida, final-freaking-mente. Vinte nove dias parado, estava em abstinência já.

Correndo com baixa pulsação: como achar sua zona fácil

Depois de um tempo parado eu fiz somente corridas fáceis. Normalmente em um treino estruturado para provas, eu alterno corridas fáceis em 80% do tempo, com difíceis rápidas, nos 20% restantes. Mas voltando de cirurgia, fiquei a semana toda na minha zona aeróbica (a marcha mais baixa).

Expliquei sobre as marchas na newsletter anterior..

Para garantir que eu estou na zona aeróbica, eu uso a fórmula MAF (Maximum Aerobic Function) do Dr. Phil Maffetone (ele pensa que a gente não nota que ele deu o nome de MAF pra fórmula e ele chama MAFettone)…

Funciona assim: você precisa de um monitor cardíaco. Eu uso um Polar OH1 (muito mais prático do que o Polar H10, e quase tão preciso). Pode ser um Fitbit, Apple Watch (embora ele fique economizando bateria e atualiza muito pouco durante a corrida), Garmin, o que for.

O lance de usar o monitor é que sua pulsação passa a ser o seu limite de velocidade. Não importa o seu pace (ritmo). Importa o seu esforço (em qual “marcha” você está, dada pela sua pulsação).

Para achar a pulsação máxima, a fórmula MAF vai assim:

Primeiro vamos achar o número base. Pega sua idade e tira de 180.

No meu caso, 180-47 anos = 133.

Mas calma que não acabou. Se você está meio fora de forma ou com sobrepeso, ou teve mais do que dois resfriados nos últimos 365 dias, em rinite ou alergias sazonais, tira 5 desse número.

Se você está voltando de uma lesão, ou doença grave (incluindo cirurgias, ou qualquer estadia em hospital), se toma medicamentos regularmente, tira 10.

Se você está bem, sem pegar muitos resfriados, gozando de boa saúde, não precisa tirar nada.

Se você está treinando há mais de dois anos sem problemas ou lesões, pode adicionar 5.

No meu caso, é bem claro que preciso tirar 10, então 133-10=123bpm é meu limite.

Passou? Diminui a velocidade até voltar. Sim, isso inclui andar. Easy.

Demora um pouco para se acostumar correr assim, porque é meio frustrante no começo, o alarme te freia o tempo todo.

Mas… mas com o tempo, você vai melhorando e percebendo que começa a ir mais rápido com a mesma pulsação, ou seja você fica mais rápido com o mesmo esforço! Ou mantém a mesma velocidade com muito menos esforço. Isso é maravilhoso!

Quer um exemplo? A primeira vez que corri mais de 10K foi em 19/1/2019. A velocidade média de 7:02minutos por quilômetro. Meus batimentos? Média de 169bpm. Eu comecei a treinar com 80% do tempo com a fórmula MAF em agosto de 2019.

Em 30/12/2020 eu fiz uma corrida de 10K, praticamente a mesma distância. Velocidade de 7:00 minutos por quilômetro (a mesma de 2019). Os batimentos, porém: média de 126bpm. Yeah, uma diferença. Na primeira eu estava correndo o mais que podia. Na segunda eu estava bem de boas, e poderia ter ido bem mais rápido. Ou seja…

Isso te permite ficar mais rápido no geral, porque você ficou mais eficiente! Claro que treinos rápidos, de velocidade têm seu papel, caso você queira buscar tempo, mas não devem ser a maioria do treino. E mesmo sem eles, correr fácil vai te deixar mais rápido.

(O meu tempo de meia maratona caiu de 2h34m para 1h59m50s. Contei toda a jornada aqui).

E essa eficiência faz mais diferença quanto mais longa a distância. Ou seja, agora que iniciei o treino para (primeiro) uma maratona completa, visando (depois) a ultra do ano que vem, e ainda voltando de cirurgia… lá vou eu, calmo e sempre.

Passo, passo, passo.

Se você se interessa por essas coisas, estou subindo todo meu treino no Strava, usuário Daniel Duc.

Como eu faço meu orçamento doméstico

Se você assina a newsletter há um tempo, pode lembrar que eu dei uma dica de app para fazer meu orçamento doméstico: o YNAB. Eu agora expandi o texto, e publiquei como post no blog aqui.

Uma das coisas extras que incluí foi como importar as transações de um banco holandês para o app, e expliquei um pouco mais como funciona o cartão de crédito dentro do YNAB.

E se você já usa o YNAB, uma dica extra: instala o Toolkit for YNAB, que expande e dá muitas opções extras.

E se não usa ainda, leia lá o post e veja se é algo que pode te ajudar também…

E por falar em organizar a vida, deixa eu comentar sobre itens que uso diariamente para me ajudar… Ah, o que danado é EDC, você me pergunta?

Bem…

O que é EDC: itens que carrego diariamente

Vamos lá. EDC vem da sigla em inglês Every-Day Carry. Na real começou com uma certa pira com estar preparado para o apocalipse zumbi, e incluía carregar armas e tal.

Embora 2020 tenha sido meio apocalíptico, o conceito deu uma amenizada, e hoje tem muita gente que curte EDC para discutir e trocar informações sobre ‘tens mais singelos, que ajudam você estar preparado para problemas mais cotidianos. Os itens incluem desde coisas mundanas como seu celular e carteira, até canivetes (são MUITO úteis de se ter à mão).

Muitos combinam os estilos, pareando materiais, e é massa ver o que as pessoas estão carregando para se inspirar.

E foi assim que eu comecei a curtir EDC, e acabei ao longo de 2019 desenvolvendo o costume de pensar e escolher de maneira consciente o que carrego comigo.

Em 2020, ironicamente, o EDC foi menos útil (quando a apocalipse veio mesmo, era pra ficar em casa, onde tudo meio que está à mão). Still, eu acho o conceito interessante, e resolvi mostrar os meus itens de uso cotidiano, o meu everyday carry, ou EDC.

Vai ter carteira, chaveiro, canivete, lenço e mais… de repente te inspira ou você vê uma dica bacana lá.

Uh, não vou citar máscara e álcool gel, só de birra.

Carteira

Eu uso uma SECRID mini, uma carteira de fabricação holandesa. O que eu curto nela: a caixa que protege os cartões é rígida, e corta sinais RFID (não dá para você ler o chip dos meus cartões). Só que ela tem um “gatilho” no fundo, que expõe os cartões em cascada (vê a foto). Isso permite eu passar o cartão do transporte público de maneira prática, rápida e segura. O acabamento em couro exibe uma das características mais populares na comunidade EDC: marcas de uso (que eles chamam de “patina”). O uso dá uma história ao objeto, mostra que é algo de fato usado, e o torna único. Entre todas as carteiras daquele modelo, nenhuma é exatamente igual à sua, porque a sua tem uma história individual, exibida na patina desenvolvida ao longo do tempo.

Ah, uma coisa que sempre carrego na minha carteira: um cartão com os telefones de emergência e contatos importantes. Isso inclui o telefone de emergência da Holanda (112), de táxi, o telefone da Carla e de amigos próximos. Ah, quem precisa disso na era do celular? Eu. Eu já precisei, quando fui para o hospital no meio da madrugada e esqueci meu celular no táxi. Qual os números importantes? Não estavam na minha memória. Madrugada, hospital e desuso (sempre acostumado a confiar nos atalhos do celular).

Chaveiro

Chaves são um problema. Eu acabei comprando em 2018 esse chaveiro da marca japonesa Diarge. Ele mistura couro e latão: outro material que desenvolve uma patina legal. Você vai ver mais coisa com latão nessa lista. A caneta que está na foto, aliás.

Caneta

O quê, você não carrega uma caneta contigo? Aposto que sim… e se é para carregar uma caneta, melhor uma que tenha estilo e seja gostosa de usar. Essa é a Kaweco Sports Brass, feita de latão. O modelo Sports vem em vários acabamentos, e eu escolhi o latão (brass), porque se é para levar no bolso e marcar a caneta, vamos com um material que desenvolve uma patina (ahá!). É um modelo compacto mas que montada fica num tamanho decente. O problema é que ela usa cartuchos, e uma das vantagens de caneta tinteiro é justamente não precisar usar plástico descartável (falei disso na edição #15). A minha solução: eu reutilizo o mesmo cartucho. Quando acaba a tinta, eu pego uma seringa, lavo o cartucho por dentro, e recarrego ele com a tinta que eu quiser. Atualmente ela está com a Parker Penman Mocha (uma tinta vintage descontinuada há uns 20 anos, mas consegui achar para vender numa loja aqui em Amsterdam, onde ficou esquecida por duas décadas). O clip é vendido separadamente (ela vem sem clip originalmente).

Faca

Agora vamos sair da safe zona e ir para algo controverso: canivetes e facas. Controverso porque muita gente confunde canivete com arma branca – o que não são a mesma coisa, não aqui na lei holandesa ao menos. É permitido carregar canivetes de bolso, automáticos ou não, desde que a lâmina seja menor do que 28 cm e tenha apenas um gume. A real é que canivetes são instrumentos úteis para muitas coisas – mas defesa pessoal ou ataque não são uma delas. Eu ando com esse canivete de bolso automático da marca americana Kershaw. Acho bonito, é possível abrir com uma mão, o que é prático, e cabe no bolso. A única coisa que não gosto nele é que o clip vem de fábrica ajustado para deixar a ponta para baixo, o que me força a mudar a orientação dele quando tiro do bolso. Felizmente é possível ajustar isso. E para quê eu uso um canivete? Milhões de coisas: abrir pacotes, cortar papelão em pedaços menores quando vou colocar no lixo reciclável, abrir fruta pra sagui que comprei no supermercado (okay, essa é pré 2020), cortar um fio mala da roupa de outro sagui, coisas assim. Acho útil. A não ser que eu precise de uma arma. Aí não é útil.

Canivete

E por falar em canivete: eu ando também com esse Victorinox classic Alox, edição limitada 2019 (todo ano eles lançam uma cor limitada, em adição as cores normais). Ele é bem pequenino, e serve…. bem para manutenção de emergência de unhas (cutícula levantada ou unha quebrada no meio da rua é maaaaala). Além disso, uma tesoura também pode vir a calhar.

Relógio

Uma parte importante do EDC é o relógio. Esse é todo um hobby, e um buraco de coelho bem profundo… e um que escapei. Eu fui para a linha do smartwatch, que é mais um computador que você veste do que um relógio. E, afundado no ecossistema da Apple como estou, o Apple Watch fazia mais sentido. Esse é uma das vantagens (e armadilhas) da Apple: cada equipamento dele torna os outros que você tem melhores. Com o Apple Watch eu coleto dados sobre minha saúde, falo com a Carla à distância sem usar o celular, atendo ligações sem pegar o celular, recebo mensagens (A fatídica mensagem que recebi da Alilickel sobre o Érre estar indo pro hospital de ambulância? Recebi no meu Apple Watch, na hora. Fez diferença). Quando estou correndo, os dados da minha corrida em tempo real estão ali (para saber o App que uso, veja aquele post sobre a Meia Maratona… Monitoramento de sono, lanterna, walk talk, como está o clima, tudo no seu pulso. Eu curto e não me arrependi do investimento, dois anos depois (comprei em 2018, e o modelo ainda está funcionando super). A pulseira que está na foto é uma da Nomad.

Lenço

Hey, eu uso óculos e uma hora cansei de limpar na camiseta como um homem das cavernas, e passei a carregar um lenço de micro fibra comigo. Útil para limpar também o celular, a tela do relógio…

Fones de ouvido

Yep, essencial. Eu detestava fones de ouvido, mas isso foi só até removerem o fio deles. Eu sou um dos seres bizarros que na verdade preferiram quando a Apple (e depois todo mundo que tirou sarro da Apple) removeram o plugue do fine dos celulares e vieram com uma solução melhor. Fone de ouvido sem fio é liberdade, e os meus AirPods Pro passaram a ser implantes cerebrais. E de novo, aquele lance da Apple: ele conecta no Apple Watch, no iPhone, no Macbook… O grande feature do Pro é o noise cancelling, o que pode ser bem útil enquanto se está trabalhando em um lugar cheio de gente…

Bom, tem mais itens, como o celular, obviamente (falei dele na edição #13) – e uso com capa e protetor de tela, na vaga esperança de vender um dia quando for trocar, e a minha Travelers Notebook, e a mochila e…

Mas tá bom por enquanto. Se você curte saber esse tipo de coisa, e quer uma segunda edição sobre meu EDC (incluindo coisas como afiar os canivetes e facas, estojo para minhas canetas tinteiro, outros modelos que tenho além desses que mostrei, etc), me responde esse email e me conta. Se mais gente curtir, a seção volta.

Aliás, me manda um email falando as partes que você mais curte, ou o que você quer ver mais aqui. Vamos falando.

Dica de tecnologia que pode salvar vidas

Eu mencionei na parte sobre Apple Watch a mensagem que a Alilickel me mandou sobre meu amigo Érre (o internacionalmente famoso hashtagfeet no insta).

O Érre é o meu amigo que sofre um AVC em dezembro e quase se livrou de correr uma ultramaratona comigo. Não foi dessa vez, porém: ele também se inscreveu na ultra de Texel (edição passada) e vamos correr juntos. Yeah. O cara vai de um AVC pra uma ultra. Tough muddafucka.

Okay, se você quer saber como foi o acidente dele, a Alilickel contou no perfil do Insta dela, e está nos destaques. Pode ir lá assistir.

Uma das dicas que ela deu foi colocar o telefone de emergência do seu local nos contatos da sua agenda (salvou preciosos segundos no caso dela, e segundos contam). Na Holanda é 112.

O que me lembrou de uma dica que sigo há um tempo. Eu preenchi meu Medical ID no iPhone, com meus dados de saúde, e contatos de emergência. Esses dados ficam acessíveis mesmo se seu iPhone estiver travado, na tela de ligação de emergência.

Para preencher esses dados, vá em Settings (Ajustes), Health, Medical ID. Aproveita e depois volta pro menu principal dos ajustes e entra em Emergency SOS, e ativa call with side button. Assim se você aperta os botões de volume e power ao mesmo tempo, e segura por alguns segundos, ele chama emergência.

Ah, e se você tem também um Apple Watch, ativa detecção de quedas (Ajustes, SOS). Funciona, já pude testar: já cai durante uma corrida, ele detectou e perguntou se eu estava bem e se queria chamar emergência ou meus contatos. Se eu não responder em um timer, ele faz a ligação automaticamente e transmite a sua localização para a emergência e seus contatos. Eu estava bem, não precisou. Mas bom saber que está lá se eu precisar.

E como medida extra, se você pulou e não leu a seção que falo da minha carteira, volte e leia. Tem dica lá também.

Pensamento da semana: Lady Gaga e a prisão dos nichos e algoritmos

Outro dia eu estava no Youtube quando vi um vídeo do Metallica cantando com a Lady Gaga. Agora, eu nunca tinha ouvido nada da Lady Gaga, ever, porque em geral não curto pop, ainda mais pop-bubblegum. Mas metal eu curto, Metallica eu curto e aí pensei “taí pronto, sempre tem a hora da banda de metal que faz clipe com música clássica, ou algum cantor pop, suspiro”. Mas a curiosidade venceu e pus.

E descobri que Lady Gaga canta muito bem! Não, mas sério! Independente do gênero, a mulher tem talento e técnica. E poderia ser vocalista de metal tranquilamente (o James Hetfield, por outro lado, não poderia ser cantor pop).

E daí eu fui ver que ela acabou no pop por motivos comerciais. Mas se reusou a ficar no nicho para sempre.

E isso me fez pensar algumas coisas. Primeiro, sobre como o algoritmo esculpe nossos gostos. Uma das vantagens do algoritmo é permitir descobrir coisas novas, certo, com sugestões personalizadas para nós. Mas isso tem um problema: ele é muito bom em sugerir mais do mesmo. Ele é capaz de identificar a música perfeita para o Daniel, baseado no que o Daniel já ouve. Mas.. e o que o Daniel não ouve só porque acha que nunca vai curtir? Isso tira um pouco da descoberta randômica que pode te surpreender, e acabamos ficando presos na famosa bolha, que se expande, mas nunca quebra. Não fosse a Lady Gaga ter saído da bolha dela, eu estaria preso ainda na minha.

Outra coisa que fiquei pensando foi na prisão dos nichos. Até hoje tem gente que só quer que eu fale “dicas de Amsterdam”. E se eu ficasse preso nisso só porque estava funcionando, essa newsletter não existiria. Curioso que historicamente eu não curto ficar preso em nichos (fiz faculdade de Artes Plásticas, Letras, Biologia, trabalhei com TI, gerência de projetos, fui de nerd odeia esporte para corredor… nichos não são a minha praia).

E por mais conveniente que nichos e bolhas sejam, eles são na real prisões. Confortáveis, claro, e interessantes, mas ainda assim, prisões mantidas automaticamente por robôs que implementam as grades algoritmicamente.

Well, se estamos na Matrix, eu recomendo a pílula vermelho-dançante do pop bubblegummer metaleiro. Que você possa se surpreender com algo que nem sabia que você gostava e não é mais do mesmo, e que a vida seja um pouco menos algorítmica.

Dica de livro

The Hobbit

Autor: J. R. R. Tolkien

Okay, esse é mega conhecido, mas se você conhece pela trilogia cinematográfica de Peter Jackson…. na verdade você não conhece o livro. A trilogia sofreu de diversos problemas, e eu quero dizer diversos problemas, e em acabou virando uma gigantesca pilha de… problemas?

Anyways, o livro é outra história (literalmente). Ele foi escrito antes do Senhor dos Anéis, e tem como público as crianças. Na verdade, ele foi feito para ser lido um capítulo por noite (ou dia). E foi exatamente o que fiz durante o primeiro lockdown, ano passado. Só que eu contava durante o café da manhã. E eu não lia – eu contava mesmo, com minhas palavras, vozes, efeitos sonoros e o pacote todo. Eles amaram.

Eu comecei despretensiosamente, e contei o primeiro capítulo um dia para eles pararem de se implicar e brigar. Se interessaram. No dia seguinte, pediram de novo. Aí eu percebi que iria ter que me lembrar, e fui reler para contar. Eu relia o capítulo na noite anterior, e de manhã eu contava. Foi até o fim, até o final agri-doce (eles lidaram bem).

Então, essa é minha recomendação: se você tem filhos na idade certa, mesmo que já tenha lido, vale a experiência de contar (ou reinterpretar) o livro para como o autor intencionava que ele fosse lido: para saguis, um pouco por dia.

Na Amazon em português.

Saguis felizes de voltar para a escola? (Aprendendo a aprender)

Durante as aulas em casa, a saguizagem ficou estudando via computador. Nisso, a mais velha ganhou seu próprio email, e ela veio comentar que a professora estava ensinando sobre segurança na Internet. E eu pensei “que excelente!”

Eu super acho importante a educação acadêmica, mas uma coisa que sempre senti falta na minha escola era esse aspecto mais prático. Note que não acho que escola deva ser coisas práticas, ao contrário. Mas aprender segurança na Internet, incluindo como e onde filtrar informações (eles estavam estudando isso também), cozinhar (a sagui fez uma receita de cookie em casa, tarefa da escola: seguir uma receita), são importantes. Eu acrescentaria ainda meditação (hey tem educação física, por que não treinar a mente também?), orçamento doméstico…

Mas o que eu mais gosto da escola deles é que ela ensina a aprender. De onde e como pesquisar, como usar técnicas como “mind maps”, e incentivar a curiosidade e exploração. A escola é pública, e segue a filosofia Montessori. Você pode escolher vários tipos de escola pública aqui (sim, tem a tradicional – nós é que optamos pela Montessori).

Que é uma filosofia bem popular aqui – talvez devido a Maria Montessori ter passado uma parte de sua vida na Holanda. Se você não conhece a Maria Montessori, eu recomendo buscar pela vida dela, independente do método de ensino que você acredite ou escolha – só porque é interessante.

(Se você quiser saber mais, mande perguntas com suas dúvidas!)

De toda a forma, o resultado disso? As férias acabaram e os saguis estavam felizes de voltar para escola.

huh. Essa sensação nunca tive na vida…

Frases da semana

“A vida não fica mais fácil nem mais complacente. Nós ficamos mais fortes e mais resilientes”

Steve Maraboli

Um ser humano deveria ser capaz de trocar uma fralda, planejar uma invasão, abater um porco, comandar um navio, planejar um prédio, escrever um soneto, balancear um orçamento, construir uma parede, consertar um osso, confortar um moribundo, receber ordens, dar ordens, cooperar, agir sozinho, resolver equações, analisar um novo problema, revirar esterco, programar um computador, cozinhar uma boa refeição, lutar eficientemente, morrer galantemente. Especialização é para os insetos.

Robert A. Heinlein

Caneta: Faber-Casttel e-Motion Pure Black, pena Bold
Tinta: Diamine Earl Grey
Papel: Tomoe River no GLP Creations The Author

Música holandesa para pirar o cabeção

Tá, a letra não é em holandês. Na real não tem letra nessa música pirada do grupo holandês Focus. É mais uma coleção de sons, yodelling e o que mais cruzou a mente alucinada do vocalista Thijs van Leer. É… algo. Eu amo.

(“Van Leer” quer dizer “do Couro”. E quando o van aparece no nome completo, ele tem letra minúscula. Quando se escreve só o sobrenome, ele fica com letra maiúscula. Daí Vicent van Gogh e Van Gogh).

Escuta lá se você quiser saber como uma trip de ácido nos anos 60 soaria:

Yotube
Spotify
Apple Music

Obrigado pela sua companhia!

Hey, cobrimos bastante terreno nessa newsletter não? Hora de fazer uma pausa e recuperar.

Como sempre, deixo aqui meu muito obrigado pelo seu apoio e companhia. É emocionante ler as respostas e depoimentos e saber que pude te ajudar com uma dica, uma história, um insight, uma reflexão que tornou de alguma forma sua vida melhor. Eu escrevo para isso – para compartilhar, para contar, para que saibamos que não estamos sozinhos.

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Um abraço e até semana que vem!

Daniel – daniduc.net

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