Newsletter do Ducs #18: vegetarianismo, explorando a Lua e os polos, e sobre ser flexível

E aí? Tudo bem contigo?

Wow, bastante gente nova por aqui. Fantástico. Bem-vindo se essa é a sua primeira newsletter. Toda edição eu deixo link para as três edições mais recentes, caso você não tenha tido oportunidade de ler ainda, e quer se inteirar das dicas e conversas que estão rolando.

Eu digo as três últimas, mas se você for puxando o fio delas, pode ir até quase o começo, tá tudo no blog (exceto a edição n. 1., por motivos técnicos. Essa é só para os assinantes OG…).

E essa é uma das graças da newsletter, em contraste com o Insta (de onde muita gente tá vindo): nada expira em 24 horas, nada você tem que correr se não perde, é no seu tempo – e no meu, já que aqui não preciso ficar limitado a 15 segundos por story, 1024 palavras por post, 100 stories por dia…

Parece que mais gente tá querendo desestressar dessa pressão toda, porque eu estou quase no limite do plano da provedora de emails, e essa semana vou ter que fazer um upgrade para acomodar todo mundo. Yes! O tipo de “problema” que quero ter hehe.

Essa semana tem conversa sobre alimentação baseada em plantas, minha jornada de perder peso (e como encaro isso), dicas de série, livros, frases e outros lances que sempre enriquecem cada edição, como você pode ver nas anteriores:

Antes de decolarmos alguns links e lembretes…

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Beleza. Cintos apertados, poltronas na posição vertical, decolagem autorizada.

Como perdi peso e respondendo à pergunta “correr emagrece?”

Semana passada rolou o Dia Mundial da Obesidade, e essa é uma questão que tem preocupada cada vez mais gente no mundo. Talvez até mesmo você esteja pensando em peso, números na balança e como controlar isso.

Eu certamente que sim, tendo sido obeso por anos. Ao longo desses anos, tentei diversas “dietas”, “mudanças” e restrições baseadas em força de vontade e truques. Funcionava, mais ou menos, por um tempo. Um par de meses ou algo assim. Voltava tudo, muitas vezes mais do que antes.

Até que uma hora eu meio que desisti disso tudo, e aceitei que essa era a minha “condição”. O problema é que eu não parava de ficar doente. Até que uma hora, eu tive uma crise mais forte e percebi algo: o problema não era meu peso.

O que estava me deixando doente não era um número xis na balança, que caso eu reduzisse tudo ficaria bem. O problema não era o meu BMI (cheguei a 31) nem meu porcentual de gordura, nenhum número era o problema, nem muito menos a solução. O problema é que eu não sabia viver de uma maneira que deixasse meu corpo contente e saudável, dentro das características individuais dele. Eu estava preso dentro de uma vida que não me fazia bem, baseada em decisões antigas feitas por um Daniel do passado, mantidas apenas porque era assim que sempre fiz e a ideia de mudar me soava absurda e impossível. Não era. Eu só não sabia como. Resolvi aprender e criar algo personalizado para mim em vez de seguir fórmulas.

E como uma das coisas (mas nem de longe a única) que aprendi e comecei a fazer foi correr, muita gente passou a me perguntar “nossa, correr emagrece”?

Não. Correr não emagrece. Mas deixa eu explicar como foi que mudei minha vida, e por consequência meu corpo também, usando corrida como fio condutor. Espero que ajude você a entender como fiz, e como achar o seu próprio fio condutor e seu próprio caminho. O post está aqui.

Alimentação baseada em plantas

um dos temas que me pediram para falar aqui na newsletter é sobre alimentação a base de plantas. Eu abordei bastante esse tema quando fazia Stories regulares, relatando meu processo de mudança. Eu já havia sido ovo-lacto vegetariano antes, de 2016 a 2018, parei e voltei a ser na metade 2019, me tornando estritamente vegetariano em janeiro de 2020. E… espera. Vamos recomeçar…

Primeiro, antes de tudo, a priori e mais algum sinônimo de “calam preciso falar isso antes porque é importante”…

Eu não quero te convencer nem te converter a nada

É sério. Eu não quero te convencer a ser vegetariano, vegan, ou o que seja. As únicas pessoas no mundo que eu posso querer convencer de qualquer coisa são meus filhos (enquanto não são adultos) e nem eles eu estou tentando (eu cozinho carne para eles).

Alimentação, como muitas outras coisas, se tornou totalmente politizada, e parece que é obrigatório escolher um lado e atacar outro. Não é o que pretendo.

Quando a gente politiza a discussão, a gente para de ouvir o outro lado, e “argumentos” são escolhidos a dedo para apoiar nossa posição, e os que não apoiam são convenientemente esquecidos. (O nome disso em inglês é “cherry picking”, ou “falácia da evidência suprimida” em português).

E aí vira aquela lambança, cada um caçando os índices de gols e títulos que dá vantagem para o seu time e prova que ele é muito mais campeão do mundo do que o outro time rival que é o mais ridículo de todos e jamais teve um único jogador que preste.

Dá para passar o resto da vida assim – sem chegar a lugar algum. Nope. O que eu vou fazer é o seguinte: eu vou contar o meu processo, os meus motivos e a minha experiência, mas sem tentar te converter, convencer ou dizer que você tem que ser igual a mim. Compartilhar o meu processo e ponto de vista, nem que seja para você conhecer e contrapor e discordar para você nas suas escolhas.

Deal? Vamos lá.

As nomenclaturas para vegetarianismo, veganismo, plant based etc.

Os próprios nomes dos tipos de alimentação se tornaram politizados e controversos, e nem nisso tem muito acordo. Eu vou explicar como eu entendo e como eu uso os nomes.

Vegetariano é alguém que não come carne. Já existe aí a primeira controvérsia: muita gente considera vegetariano somente quem não consome nenhum produto animal, e quem come ovo e laticínios seria um “ovo-lacto-vegetariano”. E tem gente que considera vegetariano mesmo quem coma peixe (muitos holandeses são adeptos dessa definição, a quê eu respondia “mas peixe dá em árvore?” só pra implicar). Muita gente chama quem come peixe apenas como carne de pisce-vegetariano. Eu acho que isso tudo começa a ficar por demais complexo num treco que já é enrolado. Eu sou ovo-lacto-pisce-vegetariano se aproxima demais de “eu sou arroz-feijão-batata-frita-salada-sobremesariano”. Eu chamo vegetariano quem não come carne.

Eu chamo de Estritamente vegetariano quem não consome nenhum produto animal. Muita gente chama isso de vegan, ou vegano, para irritação dos veganos, que adotam uma filosofia de vida muito mais ampla do que a alimentação, sendo contra a exploração animal em todos os aspectos da sociedade e da vida. Eu fui estritamente vegetariano a maior parte de 2020, mas nunca fui vegano (eu tinha, e tenho, carteira e cinto de couro).

Plant based ou flexitariano, ou flexitarian é quem é na maior parte do tempo vegetariano, mas de vez em quando, quando a ocasião pede, consome alguma carne. Um burgão no aniversário. Zerar o restinho de frango ensopado que sobrou no prato do filho. Uma vez por semana comer um bifão. Coisas assim. É ser vegetariano a maior parte do tempo, mas sem tirar a carne totalmente do menu. Algumas pessoas usam “plant based” como sinônimo de “estritamente vegetariano” ou vegano apenas na alimentação, mas eu incluo como “na maior parte do tempo vegetariano, mas eu prefiro colocar na mesma categoria de flexitariano. Uma pessoa que come na maior parte plantas, mas inclui um bifão de vez em quando, ou um ovo, ainda é uma pessoa que se alimenta baseada em plantas, mesmo que não exclusivamente.

E já tá bom de nome. Tenho certeza de que alguém vai dizer que esqueci um monte de definições e errei todas as que inclui, mas minha única defesa é: pelo menos eu definindo dá para entender ao que estou me referindo.

O que eu (não) como hoje em dia

Se você leu o meu post sobre o peso, link lá em cima já tem uma ideia (eu recomendo muito que leia… Pode ir lá, eu espero você voltar).

Pronto?

Então, isso. Na minha definição eu seria um “vegetariano” (plantas mais ovos). Mas de modo geral, como coisas integrais (hey açúcar refinado união é vegetariano, Coca-Cola é vegetariano, suco de frutas espremidas é vegetariano — não como nada disso). E procuro ter uma dieta balanceada e completa dentro do vegetarianismo (inclusive com ajuda de uma nutri, que senti necessidade quando intensifiquei os treinos e precisava ser bem certinho para dar conta).

O que leva a outras questões…

É possível comer balanceado só com planta? Ser vegano/estritamente vegetariano é mais saudável?

Ah, olha a politização do assunto levantando sua cabeça feia de dentro do pântano…

“Alguém… me chamou….?” Ela diz com uma voz rouca e desagradável.

NÃO! Volta pro pântano.

Respira.

A real é que é possível comer balanceado ou desbalanceado sob qualquer rótulo que você quiser. Dá para comer só junk food orgânica vegana integral. O que torna uma dieta equilibrada são as escolhas que você faz, não o rótulo que você usa para justificar e racionalizar.

Dá para ser saudável comendo carne, dá para ser junk comendo carne, dá para ser junk comendo só planta, dá para ser saudável e equilibrado comendo só planta.

Sim dá. Mesmo sem nenhum produto animal. Vai dar um pouco de trabalho, exige uma consciência maior do que você está comendo, porque não estamos acostumados, e não vivemos numa sociedade que facilita aprendizado e oferta de comidas nutritivas. O apelo das comidas caloricamente densas e nutricionalmente vazias é enorme. Muita gente fica surpreso em saber que existe mais de um tipo e cor de cenoura, que dirá explorar grãos, temperos e sabores para variar e enriquecer a alimentação com a variedade e riqueza que o reino vegetal dispõe.

Sim, dá para ter proteínas o suficientes, sim dá para ter B12 (Hoje em dia é fácil produzir de maneira sintética e enriquecer alimentos com ela, como leites vegetais), dá para ter os aminoácidos. Dá… se você quiser e for atrás após concluir que é que quer fazer. Porém, de novo, você não precisa querer.

Você não precisa escolher um rótulo e ficar com ele a ferro e fogo. O que é preciso, penso eu, é dar uma olhada honesta nas suas alternativas e escolher de maneira consciente o que mais vai te trazer benefícios na sua atual realidade. Fazer as escolhas porque conhece, entende e quer, não porque não sabia de alternativa, não queria saber de alternativa, porque ficou preso a um rótulo, ou mentalidade ou posição.

Para, reflete, ajuste. O que você é hoje não te obriga a ser para sempre.

Porque eu virei vegetariano

Eu parei de comer carne e laticínio porque me fazia mal. Sim, eu me sentia pesado, desconfortável, estranho. Mas não parava porque né? BACON!

Aí um dia, em desespero, resolvi tentar tirar carne e laticínio. Melhorei. Mas ainda assim eu continuava comendo refinados, tudo totalmente desbalanceado. Aí tive a crise, fui internado operado e tal. Voltei comendo carne. Mas aí resolvi mudar minha vida, comecei a correr, meditar, e lembrei que eu me sentia melhor sem comer carne. Mas dessa vez fui mudando outras coisas: parei com refinados, e em vez de ficar no “macarrão é vegetariano’, eu fui re-aprender a comer. Se era para eu ser vegetariano, eu queria ter os nutrientes direito. E para isso, eu teria que comer coisas que não comia antes.

E aí eu resolvi abrir minha mente total. Questionar tudo que é decisão de gosto tomada por mim anos atrás e mantida mesmo quando eu havia mudado.

Quer dizer… o Daniel de 8 anos de idade decide que não gosta de lentilha, e o Daniel de mais de 40 tá seguindo a decisão daquela criança sem questionar? Ou mesmo mais recente. A gente muda.

Então resolvi recomeçar.

Que temperos existem além de sal e pimenta? Que gosto tem esses vegetais feitos de outra forma?

Porque uma coisa eu sabia: sem gostar da comida, não rola. Comida Não é só combustível, nutrição. Comida é prazer, é sensação, é uma das alegrias da vida. Isso não muda. O que a gente pode considerar gostos, aí sim pode mudar, conforme enriquecemos nossas experiências e descobertas.

Nesse processo, cheguei até a ficar estritamente vegetariano por 10 meses, reintroduzindo depois o ovo.

Foi o que resolvi fazer. Eu não deixei de achar carne ou queijo gostoso. Eu só descobri outras coisas que achava gostosas também, mas me faziam me sentir melhor.

Esse foi o prato de comida hoje depois do meu treino de corrida. A foto e arrumação do prato são da Carla… Em vez de chegar da corrida e mandar um monte de calorias vazias, eu bato pratão de comida gostosa, bonita e nutritiva.

Se você tem alguma pergunta que não respondi sobre isso, responde esse email e me manda. De repente eu volto ao tema aqui.

A Semana Nacional Sem Carne na Holanda (Nationale Week Zonder Vlees)

Aqui na Holanda rola anualmente uma Semana Nacional Sem Carne, onde a ideia é estimular as pessoas a experimentar alternativas e perceber que é possível diminuir o consumo de carne – não precisa ser todo dia (e é fácil comer carne todo dia sem se dar conta. Carne não é só bifão. É o presunto, a salsicha, o salame, o bacon, o recheio da coxinha, do pastel, o patê…)

O viés que eles adotam é o ambiental: a produção de carne usa mais intensamente os recursos do planeta. Eles não entram em questões éticas do consumo de animais, e para ser sincero nem sequer pregam o vegetarianismo, mas sugerem o flexitarianismo. Ao menos trazer a discussão, o que acho válido.

Como vantagem extra, tudo que é supermercado aqui na Holanda começa a fazer oferta nas alternativas vegetarianas e veganas, o que pra mim tá ótimo, é a semana de economizar haha! Me dei bem!

E olha que tem BASTANTE alternativa hoje em dia. Quando cheguei aqui em 2007 não era assim não.

O site da campanha tem bastante recurso, desde justificativas (com fontes), receitas, ideias… só que tá em holandês. Se você fala (ou é ninja no Google Translate), o link é esse..

Dica de monitor cardíaco para corridas

Essa semana é aniversário do meu amigo Érre (@hastagfeet). Eu falo bastante dele aqui na newsletter. E em posts também: ele me apoiou na meia maratona. Nós havíamos acabado de começar um treino em dezembro para uma maratona quando ele teve um AVC. Yeah.

Na mesma semana eu acabei pegando COVID e em janeiro tive que fazer uma cirurgia (não relacionada ao COVID). Não foi um bom começo de treino.

Felizmente… sempre dá para recomeçar. O Érre começou a reaprender a andar, e depois correr, e aí estamos treinando juntos de novo. Para uma ultramaratona.

Eu contei sobre maratona e ultramaratona e qual ultra vamos correr juntos na edição #16.

Depois eu contei como melhorar na corrida usando a sua pulsação na edição #17.

Mas para fazer isso é preciso usar um monitor cardíaco (a não ser que você queira correr segurando seu pulso e contando, o que eu nãããããão recomendo :D). E o monitor do Érre quebrou há alguns anos, só que ele não tinha ainda se convencido disso (era um modelo de 20 anos atrás). E como eu quero meu parceiro de corrida em forma, eu resolvi aproveitar que é aniversário dele e dar um novo. E por aqui como dica, caso você queira comprar um também.

Eu dei o mesmo modelo que uso, o Polar OH1+. Eu usava antes o Polar H10, mas sinceramente não gostei. Era um monitor de cinta cardíaca, o que supostamente seria mais preciso. Porém, o H10 era chatinho de conectar via bluetooth, usa bateria descartável, exige que você molhe ou passe um gel condutor nos contatos com a pele e é bem suscetível a interferências eletromagnéticas (como a garagem de tram que tem perto de casa, com seus grandes transformadores). Desisti dele e peguei o OH1, o sensor óptico da Polar: ele carrega via USB, conecta sem problemas, é mais confortável de usar, e é preciso o bastante. Depois de alguns meses usando estou bem satisfeito. Compatível com celulares e relógios via USB e aparelhos de academia compatíveis com ANT+.

Polar Oh1 (Aviso: comprei o sensor com meu dinheiro, e esse link não é patrocinado nem afiliado).

Feliz aniversário Érre!

Semana de treinos para maratona: recuperando condicionamento e mobilidade

Como eu disse, semana passada comecei o plano para uma maratona completa. Para correr 60km tem que primeiro correr 42,2 né? Eu não pretendo participar de uma prova oficial de maratona, por vários motivos, inclusive que não tem prova. É, talvez esse seja o principal motivo.

De toda forma: estou recuperando o condicionamento perdido depois de covid e cirurgia (tive que fazer em janeiro uma cirurgia no olho devido a uma doença genética, contei aqui). Tá indo bem, e você pode acompanhar meus treinos no meu perfil do Strava se quiser.

Outro problema que comecei a resolver essa semana: meu ombro travou e eu havia perdido um bom tanto de mobilidade nele. Segunda eu fui a um fisioterapeuta especializado em esporte para ver isso. Diagnosticou uma capsulite, tratou com massagem (parecia uma britadeira) e passou uma série de exercícios. É incrível a melhora que senti! Fisioterapia é tudo de bom!

Quando a mobilidade é muita…

E ele também diagnosticou uma coisa que faz todo sentido agora, mas incrivelmente passei minha vida toda sem saber: eu tenho um caso leve de hipermobilidade das juntas. É uma condição em que o tecido conectivo é mais maleável, permitindo as juntas se mexerem além do que elas deveriam. Isso causa instabilidade, deslocamentos e outros problemas.

(E explica por que eu estalo as minhas juntas tão facilmente).

Well, que posso dizer? Descobri umcaso que ser flexível não é tão bom… heh.

O tratamento? Fortalecer os músculos para estabilizar as juntas. Olha o movimento e o exercício salvando o dia mais uma vez.

Série que estou seguindo

Com meu iPhone quebrando e eu tendo de comprar um novo, eu ganhei da Apple a assinatura do AppleTV+. O que eu estou assistindo e curtindo é a série For All Mankind (por Toda a Humanidade).

É uma drama de realidade alternativa que conta a história caso os soviéticos tivessem chegado na Lua primeiro em 1969.

Sendo eu um geek do espaço – quando era moleque, na era pré internet, eu li artigos de enciclopédia e qualquer coisa que me caísse nas mãos sobre exploração espacial, e sabia nomes de tripulação de cor, era fascinado pelo programa Apollo… já imagina que fui direto nela né?

É muito bem feita, e através dela inclusive descobri o programa Mercury 13, um programa pioneiro de astronautas mulheres que eu nunca havia ouvido falar. Diz bastante sobre o mundo que eu tenha passado minha vida toda sem saber desse programa né?… O programa foi cancelado prematuramente por motivos de chauvinismo machista, e a série menciona isso, mas na história as astronautas eventualmente chegam na lua (apesar do machismo).

A série retrata também uma série de avanços tecnológicos e sociais que derivariam da continuidade da corrida espacial. Desconfio que o recente interesse em retomar essa corrida, com múltiplas nações indo para o espaço tenha algo a ver com isso. Múltiplas nações (e corporações) querem ir à Lua estabelecer uma base permanente, e de lá ir a Marte. Isso requer financiamento, e financiamento requer apoio público.

Anyways, a série também retrata problemas políticos – não, não é só vantagens. É bem interessante.

Tem também sua dose de melodrama e absurdos, claro, mas no geral está me divertindo, na ausências de uma nova temporada de Mandalorian. Está na segunda temporada.

Outra série que estou aguardando na AppleTV+ é a Fundação de Isaac Asimov… Asimov é outro herói de infância, autor da era de ouro da ficção científica que muito me acompanhou em horas de leitura…

Enfim, confesso que a AppleTV+ me surpreendeu. Não esperava muito quando lançaram. Ainda não sei pagarei, mas a estratégia deles de dar a assinatura pode estar funcionando. Por enquanto, vou curtindo a segunda temporada de For All Mankind, com episódios novos toda sexta.

Pensamento da semana

Tendo eu não uma, mas duas condições genéticas (descobri a segunda ontem), eu penso na sorte que é nascer com saúde, mesmo com alguns problemas. E eu penso no quanto dessa saúde eu prejudiquei apenas por não saber como ajustar meu estilo de vida, preso a noções e decisões tomadas há tanto tempo e que demorei tanto para questionar.

No fim das contas, a questão nem é correr, ou ser vegetariano ou vegano ou sei lá. É achar algo e um caminho que te deixe contente e te dê prazer no processo de dar o que o seu corpo precisa: movimento, sono, nutrição. E assim não criar problemas que não precisavam existir e existindo, são muito mais difíceis de resolver.

Dicas de livro

The Last Viking

Autor: Stephen R. Bown

E por falar em herói de infância, acabei de ouvir (leitura ainda está restrita devido à visão) a biografia do grande explorador ártico Roald Amundsen. Quem foi? Oras a primeira pessoa a chegar no Polo Sul e no Polo Norte! De quebra, ainda foi o primeiro a contornar a América do Norte pela mítica passagem Noroeste, um desafio de séculos de navegação.

Quando ouvi falar dele pela primeira vez nos livros de Amyr Klink (que é grande fã do norueguês), já fiquei fascinado. Me identifiquei totalmente com a abordagem dele: não existe aventura, existe falta de planejamento, e enquanto todo mundo contava do drama do britânico Scott para chegar ao Polo Sul (falecendo no processo), eu admirava a eficiência de Amundsen, que foi e voltou sem perder uma única pessoa da expedição. Com sobra de comida.

Uma força da natureza, figura controversa em sua vida pessoal e profissional, Amundsen expandiu o conhecimento humano não pela ciência, mas pelo desafio. Como toda biografia, The Last Viking deixou o explorador ao mesmo tempo mais humano, em suas fraquezas e picuinhas, e mais mítico: ele conseguiu o que conseguiu não porque era um herói sobre-humano, mas justamente sendo imperfeitamente humano.

Em 2014, para meu aniversário de 40 anos, escolhi como comemoração especial da data marcante, ir para Oslo. (lembra quando a gente podia viajar?) Eu faço aniversário em janeiro, e como solicitamente me lembrou a Carla, é inverno na fucking Noruega em janeiro. Eu respondi “justamente”. E um dos lugares que fiz questão de visitar lá foi o museu onde está o navio Fram (Avante! Em norueguês), usado por muitos anos por Amundsen, incluindo na sua expedição ao Polo Sul (originalmente era o navio de outro grande explorador, Fridtjof Nansen). Eu confesso que deu nó na garganta e veio lágrimas nos olhos quando subi em seu convés.

Amundsen é o motivo de eu estar com uma caneca do Fram e uma bandeira da Noruega na foto com que assinei as últimas edições da Newsletter…

Na Amazon em inglês.. Não achei tradução em português.

Paratii: Entre Dois Polos

Mas se você quer uma indicação em português, recomendo o livro Paratii: Entre Dois Polos de Amyr Klink, que foi afinal de contas quem me apresentou Amundsen.

Eu sou fã do Klink, e nesse livro ele narra as suas próprias expedições polares, no rastro do grande explorador norueguês. Com bom texto e lindas fotos, Klink demonstra em primeira pessoa o princípio de “aventura é apenas outro nome para despreparo”. Super recomendo.

Na Amazon

Roald Amundsen, o último Viking.

Essa capa é de outro livro do Amyr Klink, mas não resisti de por só para mostrar que Amundsen tem alguma influência né…

E por falar em ser influenciado… ¯\_(ツ)_/¯

Frase da semana

“Vitória aguarda aquele que tem tudo em ordem. Sorte, dizemos. Derrota definitivamente aguarda aquele que negligencia as precauções básicas. Azar, dizemos.”

Roald Amundsen

“Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir.”

Amyr Klink

Caneta: Lamy Vista, pena stub 1,5mm
Tinta: Akkerman Delft Blue
Papel: Tomoe River no GLP Creations The Author

Obrigado pela sua companhia!

Bom, por essa semana é só. Se você chegou até aqui eu estou impressionado e agradecido! Muito obrigado pela sua companhia e apoio.

E por falar em apoio… essa newsletter e o blog são o meu desafio: fazer um blog e uma newsletter rentáveis sem anúncios, banners, pop ups, pop unders, banners. Nenhum link dessa Newsletter é patrocinado (nada de errado em nada disso: eu mesmo fiz no Ducs Amsterdam – apenas não é a minha proposta aqui). Um conteúdo focado na leitura por humanos, não na análise por robôs. Estou fazendo o meu melhor para ter você a bordo e merecer seu interesse. E se você pode contribuir com uma assinatura mensal ou uma contribuição, eu fico muito grato, e sei que estou no caminho certo (mesmo que pareça a contra mão da sabedoria “influencer” das mídias sociais).

Como agradecimento extra, seu nome aparece na Newsletter, e você ganha um convite permanente para um encontro via Google Meeting, todo terceiro sábado do mês, as 20h15 de Amsterdam (atualmente as 16h15 de Brasília).

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E se não puder contribuir? Tem nada não, sua companhia é essencial: sem você lendo nada disso tem sentido. E se puder, espalhe a Newsletter para alguém que você acha que pode curtir. Só posso contar contigo: o algoritmo não recompensa quem o coloca em segundo plano…

De toda forma, de novo, meu muito obrigado. APOIAR A NEWSLETTER

Um abraço e até semana que vem!

Daniel – daniduc.net

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