Newsletter do Ducs #19: Como funcionam as eleições na Holanda, uma caneta tinteiro inspirada em Van Gogh, Apps de corrida, um ano de lockdown

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Obrigado e vamos decolar!

Essa semana tem eleições na Holanda

A Holanda vai escolher um novo parlamento agora nos dias 15, 16 e 17 de março. Normalmente as eleições são em um dia apenas, mas devido às regras do Corona, o governo resolveu distribuir a votação por três dias, para minimizar aglomeração de pessoas.

O novo parlamento irá compor o novo gabinete de governo, com Primeiro Ministro e demais ministérios, e todos os cidadãos holandeses com mais de 18 anos podem votar. Curiosamente, estrangeiros podem votar nas eleições municipais: basta estar registrado há mais de cinco anos (em Amsterdam, há mais de três anos), ter mais de 18 anos (com algumas exceções: uma delas, diplomatas não podem votar). Mas para parlamento tem que ser cidadão holandês.

A Holanda tem duas câmaras: a Eerste Kamer (Primeira Câmara) e a Tweede Kamer (Segunda Câmara). A Eerste Kamer seria equivalente ao senado. E a Tweede Kamer seriam os vereadores: eles elegem o gabinete, propõem e votam leis e aprovam as leis propostas pelo gabinete. Se a lei proposta passa pela Tweed Kamer, aí ela vai para votação na Eerste Kamer.

Então você vê que a votação para a Tweede Kamer é algo bem importante no país. basicamente é o novo governo que está sendo eleito. E bem a tempo, já que o gabinete atual está em estado demissionário. Ou seja , o governo todo pediu demissão como consequência do escândalo sobre as ajudas de custo para creche, e não pode mais propor leis até saírem novas eleições. Que esc6andalo? Well, não foi corrupção. Eu expliquei tudo na edição #12, dá uma lida lá se política da Holanda é algo que você curte saber mais.

“Quem ganhou?! Eu ganhei??” Mark Rutte em 2010 (Foto por Daniel Duclos)

E aí começa a parte mais interessante: bem possível, e até provável, dadas as pesquisas, que o atual Primeiro Ministro, Mark Rutte, continue no cargo com um novo mandato. Mas isso não é certo, mesmo que o partido dele tenha mais votos e “ganhe” as eleições. Isso porque em parlamentarismo não é tão direto assim, quem tem mais voto ganha e o resto fica chupando dedo e jogando pedra lá da oposição. Né assim não.

Como funcionam eleições parlamentaristas na Holanda

São 150 assentos na Tweede Kamer. Os votos válidos são divididos por 150 para determinar quantos votos um partido precisa ter para ganhar um assento. O número de votos de um partido é dividido por esse número que representa um assento 9arredonado para baixo). Se perdeu? É assim: se as eleições teve 15 milhões de votos, um partido precisa de 100.000 votos para ter um assento (15 milhões dividido por 150). Se um partido teve 200.000 votos, ele ganha dois assentos. teve 235.426 votos? Ainda são dois assentos. Teve 300.001 votos? Três assentos. Isso deixa restos, claro, e aí tem todo um outro sistema para alocar assentos ainda vagos, mas não vale entrar em tanto detalhe. A ideia geral é essa.

A formação do gabinete do Sr. Ministro

Bueno, todo mundo está sentado em seus assentos, e agora? Quem é Primeiro Ministro? Quem vira Ministro? Agora é hora de negociar e formar uma coalização (é sinônimo de coalizão, as duas palavras existem no português e eu gosto de irritar pessoas usando a menos conhecida que parece que eu traduzi do inglês sem saber que tinha uma em português, mas na real dá no mesmo e assim eu irrito mas também ensino algo).

Isso porque para a Tweede Kamer tem que aprovar tudo, então só sai governo se ele tiver maioria dos assentos. Só que, devido à grande quantidade de partidos e pulverização dos votos, dificilmente, para não dizer impossível, um partido só ter 76 assentos e ganhar a maioria sozinho. Mais comum o partido que teve mais votos ficar aí na casa dos 25, 30, 30 e tantos assentos. E aí ele tem que negociar com os outros partidos para formar um grupinho que, juntos, tenha a maioria.

E aí? Quem media essa negociação? A Tweede Kamer aponta duas pessoas, chamadas de informateur e formateur, para mediar as possíveis coalizações e negociações. O informateur media quais partidos topam participar da formação do governo, e o formateur media as negociações entre esses partidos. Tem cara que isso demora, né? Demora. Demora semanas, meses e as vezes muitos meses (o governo que está saindo agora demorou mais de 200 dias para ser formado). Demora, mas por outro lado, esse é um lance legal do parlamentarismo: a galera pode se odiar, mas tem que sentar para conversar, senão nada feito. Não tem essa de “agora é minha vez de mandar, cala a boca”.

Não vamos esquecer que a Holanda é uma monarquia parlamentarista. (Foto: Daniel Duclos)

Aliás, nesse espírito, acontece também de se formar um governo composto de partido de direita e esquerda: no gabinete anterior de Rutte, o partido dele VVD, de direita, formou coalização com o PvdA, o Partido dos Trabalhadores, de esquerda, num gabinete roxo (vermelho mais azul).

E se não tiver acordo? Novas eleições. Mas em geral tem.

Quando as arestas foram aparadas, os cargos negociados, plano de governo acordados, temos uma coalização e um governo, e isso dura até as eleições seguintes, exceto quando não dura. Não é totalmente incomum um dos partidos resolver encrencar num tópico e sai da coalização, e aí danou-se maioria. O governo pode continuar (como um governo de minoria) ou não (aí tem eleições de novo). Ou, como aconteceu esse ano, tem um escândalo e o gabinete se demite, chamando novas eleições (esse ano elas estavam perto de toda maneira).

É mais importante negociar do que ganhar…

Mas essa treta toda pode querer dizer que um partido pode ganhar a maioria dos assentos e não governar! Como? Se os outros partidos menores todos se juntarem e formarem uma coalização com a maioria dos assentos sem precisar chamar o partido com mais votos, nós temos o partido com mais assentos na minoria. Hey, ter mais votos nem sempre quer dizer que representa a maioria né?

Okay, isso é super raro. Mas já aconteceu. Em 1977 o PvdA (Partij van de Arbeid, Partido dos Trabalhadores) teve mais assentos e ganhou a eleição, mas ficou de fora da coalização que formou um governo de centro-direita liderado Dries van Agt, do CDA (Christen-Democratisch Appèl, Apelo Democrata Cristão). Para você ver.

Quem está em alta e quem está em baixa esse ano

O partido que lidera as pesquisas é o VVD, do atual primeiro Ministro. É um partido neoliberal, tradicionalmente considerado de direita. Porém o atual governo da Holanda é de centro-direita, porque o VVD governa numa coalização com outros três partidos: o CDA (centro-direita), D66 (centro) e CU… ah para de rir! Quer dizer ChristenUnie, União Cristã, de centro dir… para de rir! É só uma sigla!

Que coisa 🤣

Em segundo lugar nas pesquisas, atrás do VVD (cê ainda tá rindo?) vem o PVV, Partij voor de Vrijheid, Partido pela Liberdade, do controverso Geert Wilders, que saiu do VVD anos atrás para formar o partido do eu-sozinho, que acabou virando um partido de razoável representatividade, usando retórica populista, extremamente nacionalista, segregacionista (anti UE). É considerado um partido de extrema direita. Prega Holanda para os holandeses (e ele é beeeem específico em quem ele considera “holandês”), anti imigração, anti União Europeia…

Na eleição passada o PVV ficou em segundo lugar, mas não entrou na coalização. Em 2010 chegou a fazer parte do primeiro gabinete de Rutte, mas saiu batendo a porta rapidamente. Desde então os outros partidos meio que disseram que se recusam a formar coalização com Wilders e seu PVV., Rutte incluso.

Daí vem CDA (Democrata Cristão) e o D66, que fazem parte do atual gabinete. Ou seja.. tá notando que continua exatamente igual às eleições anteriores né? por isso que eu disse ser provável que tudo continue meio que na mesma.

Depois vem três partidos de esquerda, em ordem: GL (GroenLinks, Esquerda Verde, o partido da atual prefeita de Amsterdam, onde ele ganhou), o SP, Partido Socialista, e o PvdA (falei dele ali em cima). E depois deles tem vários outros partidos com poucos assentos. O outro partido de extrema-direita, o FvD (Fórum pela Democracia) meio que implodiu sozinho esse ano, com WhatsApp de membros falando mal uns dos outros vazando pra imprensa.

(Eu sempre acho bizarro ver políticos usando WhatsApp para se comunicar… tipo assim, pra começo de conversa, eles confiam na criptografia do Tio Mark? Depois… deixar registro escrito de tudo que é falado, guardado na nuvem? Eu achava que políticos eram mais paranoicos. Bem, talvez eu que seja…)

No momento, pelas pesquisas, não me parece que Corona, Brexit, briga EUA-China tenham tido grandes impactos nos resultados das eleições porque, a se confirmar as pesquisas, é meio que o mesmo resultado de 2017, variando um assento para mais ou menos aqui e lá. Quanto ao Brexit, a Holanda lucrou muito, com muitas empresas migrando suas sedes e operações para cá, e o exemplo do impacto na economia britânica não escapou aos políticos holandeses (talvez isso tenha até mais peso nos outros partidos se recusarem a se juntar ao euro-cético PVV do que as opiniões de “Holanda para os holandeses” de seus membros…).

Se você quiser acompanhar notícias das eleições e da Holanda em geral, num site em inglês, recomendo o DutchNews.

É isso. Chega de política holandesa. Vamos falar de outra coisa. Corrida, por exemplo.

Uma ultramaratona solo na tempestade

Talvez eu já tenha te apresentado a Lorna Wilson? Se ainda não, ela foi minha treinadora entre 2019 e 2020, quando o mundo deu uma pirada, perdi minha fonte de renda (o blog Ducs Amsterdam), tivemos que passar a correr sozinhos e não pudemos dar continuidade ao trabalho juntos. Mas continuamos amigos, e ela me apoiou no meu desafio de uma meia maratona em duas horas ou menos, que contei aqui.

Lorna correndo nas nuvens (Foto by Jane Birkin)

Claro que antes de ser treinadora, a Lorna é uma atleta. Uma triatleta para ser mais preciso. E com o cancelamento das provas e campeonatos, ela ficou sem um foco para treinar. Quando ficou bem claro que as provas não iriam retornar tão cedo, ela criou seu próprio foco e inventou uma série de desafios solo. Um deles no ano passado envolvia fazer as dist6ancias do Ironman em três dias seguidos.

Ironman é um tipo de triátlon de longa distância: 3,8km de natação em águas abertas, 180 km de ciclismo e uma maratona (42,2km de corrida). Ela fez um em cada dia. Superado esse, o próximo desafio a que se propôs foi um bate a volta para a praia. A pé. Correndo. A praia fica a 30km de Amsterdam. Total: uma ultramaratona de 60km.

Para dar graça, o dia do desafio amanheceu com uma tempestade de vento digna de um alerta amarelo emitido pelo Real Instituto Meteorológico Neerlandês (KNMI). Ventos estavam fortes, mas a Lorna estava mais. E ela conseguiu fazer o percurso todo em pouco mais de 6 horas, com uma única interrupção: um trem passou e fechou o cruzamento…

Devido as regras do lockdown, não pude estar com ela apoiando de perto, mas fiquei torcendo de longe. E a força dela me inspira para conseguir minha própria ultramaratona, a prova 60 van Texel, ano que vem, consistindo de uma volta na Ilha de Texel, uma ultra de 60km que vai rolar (espera-se, se a vacinação na Holanda começar a andar um pouco melhor) em março de 2022. Eu contei tudo sobre ultramaratonas, o que significa, a origem histórica – muito mais impressionante e surpreendente que a lenda – na edição #16 da Newsletter, aqui.

A Lorna é treinadora especializada em biomecânica do esporte, e você pode achar ela no Insta e no site da empresa dela.

Way to go, Lorna! You are an inspiration! 🤘

Dica de apps de corrida

E agora que eu tenho duas provas para me guiar: a maratona completa de Amsterdam, em outubro (se o corona bla bla bla), e a ultra de Texel ano que vem, hora de voltar aos treinos. Eu tinha interrompido devido primeiro a ter pego Covid em dezembro e depois uma cirurgia em janeiro (contei dela na edição #13, aqui).

Claro que perdi algum condicionamento, mas fui voltando devagar e agora estou entrando na terceira semana de treino estruturado. Reativei meu monitor cardíaco (dei dica sobre esse equipamento aqui), calcei meus tênis e disparei meu fiel iSmoothRun… o app de corrida que uso atualmente.

Eu comecei a correr com o app da Nike, que tem muitas vantagens especialmente para quem está começando ou é um corredor casual. Ele permite construir planos personalizados para entrar em forma ou se preparar para uma corrida, e oferece um monte de corridas guiadas através de áudio. As corridas guiadas são sensacionais: bem motivadoras, dando dicas e incentivando. Além disso tem entrevistas interessantes para ouvir e aprender enquanto corre. Tem corrida para ouvir durante provas, durante treino, para fazer workouts diversos, é bem completo. As corridas guiadas da Nike em si são um motivo para usar o app.

Mas com o tempo, eu queria mais flexibilidade para montar minhas corridas mais avançadas, e isso o Nike Run Club não oferece. Além disso, ele não tem estatísticas avançadas – o que é okay para a maioria dos corredores, e entendo que é uma opção cara de fazer e manter, insustentável num app gratuito de grande uso.

Por isso acabei migrando para o iSmoothRun. O app é pago, mas o preço é bem razoável e, por enquanto, ele oferece uma versão sem assinatura. Pagou, é seu. A interface não é das melhores, até um pouco confusa (beeem longe da interface bem acabada da Nike), mas cara, é flexível. Dá para fazer tudo com ele. Tem opção para montar seu workout do jeito que você quiser. E com avisos de voz para começar e parar, contagem regressiva, controle de pace (ritmo), para se hidratar, comer, mudança de Zona Cardíaca, tudo que é estatística (incluindo a exata playlist de músicas que você ouviu, marcada com o pace que você estava na hora que estava ouvindo aquela música), intervalos, aquecimento, cool down, você pode configurar como quer o display (no celular e Apple Watch), determinando quais dados mostrar em tempo real em que posição da tela. Esse app é o bicho!

Ah sim, e ao contrário da Nike, que tranca suas corridas para sempre dentro do app dela, o iSmoothRun exporta para onde quer que você queira, incluindo email e Dropbox, Strava e qualquer outro App que tenha uma API pública. Até Twitter.

As desvantagens do iSmoothRun: bom, não considero ser pago uma desvantagem, porque vale. Nem os ocasionais bugs, porque isso todo app tem (achei vários no da Nike quando eu usava). Okay: a interface confusa e inconsistente, e o fato de ser apenas para iOS (não tem versão Android).

Além do iSmoothRun, eu uso o Strava, mas mais como rede social de esporte. Uso o iSmoothRun para subir minhas corridas lá, coloco fotos, comento.

E para análise estatística eu uso o SmashRun, que não é um app, mas um site. Eu tenho inclusive a versão pro (valeu, Érre). O iSmoothRun exporta para lá sem problemas também.

Okay, eu sou estranho e uso três apps: eu corro com o iSmoothRun, exporto para o Strava (rede social) e SmashRun (analise estatística das minhas corridas). Mas você logicamente não precisa disso tudo. Se é um corredor iniciante ou casual, recomendo o Nike Run Club. Se é um corredor mais entusiasmado que usa iPhone, o iSmoothRun.

E se você é um corredor mais avançado que usa Android… tem o Garmin Connect, que é bem bom (me parece melhor que o Polar Beats), mas requer que você tenha um relógio da marca. Só no telefone, confesso que não tenho experiência suficiente para recomendar. Se você quer dar a dica pro pessoal, me fala!

Baixe o iSmoothRun

Uma caneta tinteiro inspirada no Van Gogh

Okay, eu pensei em começar a falar um pouco mais dos modelos de caneta tinteiro que eu tenho. Na edição #15 eu dei a dica de dois modelos de caneta tinteiro para iniciar sua coleção. Agora pensei em mostrar um modelo mais avançado: a Visconti Van Gogh.

Viaconti Van Gogh em acabamento inspirado no quadro A vinha encarnada

Visconti é uma marca boutique de canetas, baseada em Florença (Firenze) na Itália. Eles se especializaram em modelos mais high end, semi artesanais, embora isso tenha mudado nos últimos anos, quando a companhia foi vendida e seu fundador, Dante del Vecchio, saiu. Ah, eles ainda fazem boas canetas, mas expandiram a linha para incluir modelos mais básicos, e deixaram o ar semi artesanal.

De toda forma, por décadas a figura um tanto controversa de seu fundador buscou inovar o venerável mercado de canetas tinteiro, com novos materiais e mecanismos. Por exemplo, ele colocou imãs na tampa da caneta, para que ao fechar ela se alinhasse da maneira correta e ficasse presa sem precisar rosquear ou pressionar. Ele também inventou um sistema de trava na tampa que permite um encaixe sólido com o corpo da caneta em apenas meia volta. Ele criou o modelo Homo sapiens no acabamento “Bronze Age”, que mistura rocha basáltica na composição. Basalto pode ser composto de lava solidificada, e Dante não hesitou em dizer que a caneta era feita de “lava sólida tirada do monte Etna”, e “a caneta virtualmente indestrutível’.. (O homem tem um certo dom para o marquetês, o que causa críticas e elogios).

De toda forma, a caneta que eu tenho é outro modelo criado por Dante, a Visconti Van Gogh. É uma coleção inspirada nas obras do mestre holandês. Cada modelo tira inspiração de um quadro. As cores usadas no quadro são misturadas na resina, que é usada na fabricação da caneta. Como as cores são misturadas aleatoriamente, cada caneta é única. Mesmo que duas canetas sejam do mesmo modelo e inspiradas no mesmo quadro, os padrões criados pela tinta ao se espalhar não se repetem.

Inicialmente a coleção foi lançada como edição limitada, mas atualmente é um modelo de linha. A caneta vem numa caixa bem bacana, com um detalhe do auto retrato do mestre holandês, o certificado de garantia e o panfleto sobre o quadro que inspirou seu modelo.

No meu caso, escolhi o modelo inspirado no quadro “A vinha encarnada” (The Red Vineyards near Arles / La vigne rouge / De rode wijngaard), uma das obras mais importantes do mestre, mostrando trabalhadores num vinhedo ao por do sol.

Um padr˜o de cores inspirado no quadro de Van Gogh, num arranjo diferente para cada caneta

A caneta tem o sistema de encaixe magnético da tampa (que dá aquele click satisfatório ao fechar) e usa tanto cartuchos de tinta quanto um conversor (que nada mais é que um cartucho reutilizável, com um pistão para recarregar). O conversor é incluso no modelo, então nunca cheguei a colocar um cartucho nela.

A pena é de aço e escreve bem…. agora. Por muitos anos a Visconti foi atormentada por problemas de controle de qualidade em suas penas, o que muito irritava os colecionadores, que pagavam caro num modelo luxuoso e lindo, quase uma obra de arte, apenas para descobrir que ela escrevia mal (e às vezes não escrevia). Alguns youtubers da comunidade chegaram a jurar nunca mais comprar uma caneta da marca. Depois dessa repercussão, a Visconti fez um grande esforço para remediar tanto as suas penas quanto a imagem desgastada com os influenciadores. (Esse esforço se tornou maior depois da saída de Dante).

A minha caneta infelizmente era da época dos problemas e teve uma performance ruim. Eu contatei a loja que me vendeu, a Appelboom aqui da Holanda (esse é o link da caneta), e o Joost Appelboom, proprietário, que tem uma excelente relação com a comunidade, prontamente pegou a caneta e pediu para a nibmeister da loja (nibmeister é uma pessoa que se especializa em ajustar penas de caneta tinteiro) ajustar para mim, me enviando de volta (sem custo adicional) uma caneta que escreve excelentemente bem.

Como disse, essa foi minha experiência e os reviews que tenho visto dizem que atualmente esses problemas no controle de qualidade estão resolvidos.

Uma curiosidade é que o corpo da caneta não é exatamente redondo, mas dividido em faces paralelas. Isso dá um belo efeito de luz na caneta, além de servir a um propósito prático: ela não sai rolando pela mesa facilmente.

A Van Gogh tem o típico clip da Visconti, em forma de arco, que Dante diz ter sido inspirado na Ponte Vecchio de Florença. No clip está gravado o nome da marca em laser (na edição limitada, era gravado em relevo e coberto com laquê).

No geral eu acho uma linda caneta, gostosa de segurar na mão, bem equilibrada. Espero que os problemas com as penas realmente estejam no passado: estou tão confiante que posso dizer que não será a única Visconti da minha coleção.

Frase da semana

“É bom amar muitas coisas, pois nisso se encontra a verdadeira força, e aquele que ama muito, muito faz, e pode realizar muitas coisas, e o que fizer será bem feito.”

Vincent Van Gogh

Inaugurado o primeiro supermercado completamente vegano em Amsterdam

Na edição passada, eu falei sobre alimentação baseada em plantas. É um assunto que tem despertado bastante interesse atualmente, e achei legal de saber que Amsterdam tem agora seu primeiro supermercado 100% vegano: o Vegan Fresco. Apesar do nome (Fresco na verdade é o sobrenome do fundador), ele foca em produtos que não são frescos (eles dizem que você pode conseguir verduras no Albert Heijn), mas trazem alternativas veganas aos produtos do dia a dia.

Ainda não tive oportunidade de visitar (eh, tempos de covid, ficar em casa, compras online etc etc), mas tá na minha lista. Enquanto isso você pode segui-los no Instagram ou ver a página deles (em holandês).

Um ano de lockdown na Holanda

Dia 15 de março (o famoso Idos de Março) fez um ano que a Holanda entrou em lockdown. Nesse meio tempo, eu e Carla pegamos COVID, meu amigo (o famosos hashtagfeet) sofreu um AVC, minha fonte de renda desapareceu de uma hora para outra (literalmente, uma vez que dependia do turismo), fiz uma cirurgia (da qual ainda estou me recuperando), e descobri uma outra condição genética não diagnosticada por toda a minha vida (hipermobilidade das juntas).

Também corri uma meia maratona em duas horas, iniciei esse novo projeto da Newsletter, fiquei mais forte, aprendi a controlar melhor as despesas da casa, li e ouvi (quando a visão não mais permitiu leitura extensa) mais de 30 livros e estou inscrito numa maratona e numa ultramaratona.

O mundo sofreu e está sofrendo muito. Muita gente não teve tanta sorte quanto eu: sobrevivi e estou aqui. Eu presto minha homenagem aos que não sobreviveram, meus sentimentos aos que perderam alguém, e mando minha mensagem para todos que, de uma forma ou de outra, ainda estão aqui comigo: um passo por vez. Nenhum golpe é final enquanto você está aqui.

Enquanto há vida, há luta. Que a sua luta inspire alguém (mesmo que esse alguém seja você mesmo).

Obrigado pela sua companhia e até sábado no Encontro Virtual Ducs

Vou ficando por aqui, mesmo cheio de assunto legal ainda por falar: sempre há semana que vem. Eu quero agradecer a sua companhia nessa luta, nessa jornada, e seu apoio nesse projeto.

Esse sábado dia 20/03 tem o Encontro Virtual Ducs para os apoiadores da Newsletter, as 20h15 de Amsterdam (16h15 de Brasília). Se você é apoiador da Newsletter e não recebeu o link para o meeting, me manda um email!

E se você quer ajudar a crescer esse movimento para desviar o foco de volta para as pessoas, sempre pode mandar essa newsletter para alguém que você acha que vai curtir. Nada supera uma recomendação pessoal. Na era dos algoritmos e do marketing viral otimizado, seguimos no boca a boca, usando a plataforma digital para ser uma ponte entre pessoas. Você não é uma estatística, um seguidor, um inscrito no canal, você é uma pessoa, e está falando comigo, outra pessoa, não com um “influencer digital”.

Um abraço, e até semana que vem!

Daniduc (Daniel Duclos) 🤘

Apoiadores da Newsletter: vocês tornam isso possível! ❤️

Muito obrigado aos apoiadores mensais:

Andre U. M.
Camila M. P. G.
Luciana W.
Luiz M.
Rachel A.
Maria Lucia A. L. d. M.
João P.
Adriano A.

E muito obrigado aos apoiadores de março

Fabio C.
B. de Almeida L.
Janaína T. do C.
C. Rodrigues d. A.
Brasileiros Mundo Afora (Claudia B.)
Ida L. D.
Joana M.
Chrysta M. G. P. A.
Ivo Claudio B.
Vinicius P.

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