Newsletter #31: Porque deletei meu Instagram, WhatsApp e Facebook, doenças da vida moderna, como passei a gostar de esporte e o que corrida de resistência me ensinou para a vida

E aí? Tudo bem contigo?

Finalmente, a edição #31 saiu! Depois de uma longa pausa, a Newsletter está de volta, e posso voltar a conversar contigo. Nessa edição eu vou falar sobre algumas coisas que eu pensava sobre esporte acabaram me afastando de algo que hoje gosto muito, vou conversar sobre doenças de estilo de vida moderno (como nos metemos nessa armadilha evolutiva). E também vou contar como e porque eu deletei as minhas contas no Instagram, Facebook e WhatsApp! Wow!

Mas antes de começar deixa eu te agradecer pelo apoio quando manei os updates contando sobre os motivos da pausa na Newsletter, e os perrengues. Meu super muito obrigado!

(Se você perdeu, eu mandei updates nas semanas passada para os inscritos na newsletter. Uma das minhas resoluções é mandar esse tipo de update mais regularmente, além das edições da newsletter. Se quiser receber um email toda vez que sair nova edição e mais esse tipo de aviso exclusivo, se inscreve na lista por email aqui:

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Edições anteriores da Newsletter

Cada edição da Newsletter tem muitos assuntos, dicas e reflexões, e não foram feitas para expirar. Você pode ainda aproveitar, no seu ritmo, o conteúdo que já foi publicado. Todas as edições estão online, mas vou deixar aqui o link para as três mais recentes, para você começar:

  • A Edição #30 está nesse link, para você ler sobre porque saí da área de turismo, mudança de carreira, dicas para melhorar sua corrida, dica para usar a Siri e dois podcasts que participei
  • Vale a pena ler a edição #29 (o problema da imagem corporal e peso, como foi tomar vacina de COVID na Holanda, equilíbrio não é o caminho do meio e dicas para melhorar o sono)
  • Na edição #28 eu falei de dúvidas sobre veganismo, vacina na Holanda, o problema do modelo de anúncios (e uma alternativa) como consolar alguém independente de religião

Eu achava que detestava esportes (por causa de um mal-entendido)

Na verdade por causa de três mal-entendidos: primeiro, eu achava que esporte queria necessariamente “esporte com bola”. Claro, eu sabia que existiam outros esportes, mas jogar bola (futebol, basquete, vôlei, handebol etc) era o padrão, e o resto era… sei lá. Outra coisa. Treino, talvez. O segundo mal-entendido era que eu achava que esporte queria dizer esporte em time. Esporte era, necessariamente, uma atividade social. Algo que se fazia na escola, com amigos, com colegas. E o terceiro mal-entendido era que, se eu não sou bom em esportes, então nem vale a pena fazer. Nem me ocorria fazer esporte, você sabe, por prazer.

Nenhuma dessas coisas é verdade. Sim, dá para fazer um monte, mas um monte de esporte sem nenhuma bola envolvida. Nem tô falando só de atletismo, ou coisas que exigem equipamentos sofisticados (como arco e flecha), mas de coisas simples como corrida…. ou dança. Esporte oferece um mundo de possibilidades, de remo a escalada, de Yoga a ciclismo. Mas na minha escola, esporte era futebol, basquete, vôlei e handebol. Atletismo era castigo ou treino. E o resto, coisas que passavam de quatro em quatro anos nas olimpíadas, ou eu nem considerava esporte.

Claro que se você curte jogar bola, hey, legal. Mas se não curte, isso não quer necessariamente que você não gosta de esporte. E eu só descobri isso bem mais tarde na vida. Tão tarde que é recente.

Além disso, esporte pode ser muito bacana em time, e pode sim ser uma atividade social. Mas não precisa. Eu sou meio ermitão, e tenho um certo complexo de ter um time todo irritado comigo por eu ter feito besteira e atrapalhado todo mundo. Curto fazer as coisas no meu ritmo e, apesar de ser perfeitamente capaz de atuar em time, prefiro ter total liberdade de experimentar sabendo que serei o único a sofrer as consequências.

E por fim, dá perfeitamente para curtir uma atividade sem ser o campeão das galáxias nela, sem precisar ter um super talento especial naquilo. E isso vale para muita coisa. Você pode sim aprender a tocar um instrumento ou pintar quadros ou tricotar sem necessariamente ser superstars naquilo. Se traz alegria na sua vida, é o que basta. Não precisamos ser profissionais em tudo, super destaque.

(Isso se encaixou na minha escolha também de fazer esporte solo: eu posso ser terrível, e isso não vai custar pontos e jogos ao meu time.)

Quando comecei a correr sozinho as cinco e meia da manhã no inverno de Amsterdam, eu fiquei totalmente surpreso ao descobrir que eu gostava de correr. E mais ainda quando descobri que na verdade eu amava correr! What the hell? Acabei descobrindo que eu havia um mundo por descobrir e muito o que aprender na corrida, e que esse conhecimento e prática eram fascinantes. Não é que eu não gostava de correr – eu apenas não sabia como.

(Se você consegue gostar de correr sendo cinco e meia da manhã do inverno de Amsterdam, você realmente gosta de correr. Mas não precisa fazer desse jeito, tá? Tem jeitos mais fáceis de saber).

Dá para correr no verão tambem hehe

Lá nas aulas de educação física no fundão dos anos 80/90 do século passado, eu criei essas imagens e mal entendidos na minha mente. As únicas opções apresentadas eram esporte com bola ou atletismo (como treino ou castigo). Não havia a opção de fazer algo individualmente, era tudo feito em grupo, com a classe. E se você era ruim, seu time (consistindo de seus colegas) se voltavam contra você. Havia uma pressão para ser bom, e não ser bom no esporte tornava a experiência horrível (com consequências que iam além da aula de educação física, com seus amiguinhos e coleguinhas). Daí ter se formado na minha mente, acredito, que esporte era com bola, em time, e só quem era bom nele gostava. E demorou décadas para me ocorrer que isso não necessariamente era verdade. Para você ver.

(Eu já comentei sobre algo assim quando falei de alimentação e aprender a comer diferente. Eu tinha na cabeça que eu não gostava de um monte de coisa que eu só havia experimentado anos, décadas atrás. Quem decidiu que não gostava era um outro Daniel, o Daniel do passado. Mas eu não sou mais aquela pessoa. Nós mudamos e é sempre uma boa revisitar antigas definições e limites autoimpostos.)

Esporte com bola, esporte em time são legais! Mas não são as únicas opções.

Independente dos meus traumas de infância, eu sei que tem hora que correr junto com outras pessoas pode ser divertido, e eu sei que companheiros de time podem te apoiar, e te ensinar, e te ajudar a ser um atleta melhor (qualquer um que pratica qualquer esporte é atleta).

  • Há muitas possibilidades na vida, e só porque não vemos não quer dizer que não existam. Vale a pena procurar.
  • Cuidado com “autodefinições”. Pensamentos são transientes e ilusórios. O que achamos ser um limite pode ser apenas uma linha imaginária, um risco na areia em vez de uma barreira real.
  • As vezes para gostar de algo você precisa aprender primeiro
  • Por outro lado, você não precisa ser super duper mega bom em algo para gostar de fazer. Eu por exemplo não tenho nenhum talento particular para corrida, mas gosto mesmo assim. Meu objetivo não é ficar bom. É ficar melhor e me divertir no processo. Deixa o bom para os profissionais.

Doenças da vida moderna e estilo de vida – ou como nos metemos nessa armadilha evolutiva e o que fazer a respeito

Um dos livros mais influentes que li quando estava procurando mudar minha vida a partir do final de 2018 foi “A História do corpo humano” do meu xará Daniel Lieberman. Ah, desculpe, Dr. Daniel Lieberman. O cara é professor de Ciências Biológicas e Biologia Evolutiva Humana em Harvard. Eu já recomendei o livro na edição #03 da Newsletter – pra você ver, indiquei logo de cara.

Mas resolvi voltar ao assunto e explicar melhor, com as minhas palavras qual foi a influência do livro. Ele me abriu os olhos para algumas coisas.

Resumidamente: nosso corpo evoluiu para um ambiente muito diferente do que temos hoje, e ele não se adaptou totalmente: é um processo muito lento, e as mudanças que nós causamos são muito rápidas em termos evolutivos. Esse negócio de plantar e criar nossa comida surgiu hoje de manhã evolutivamente falando. E por milênios, nós tivemos de sobreviver em um ambiente onde calorias eram poucas e difíceis de obter. As calorias provenientes de plantas exigiam que nosso ancestrais andassem e se movessem o tempo todo, e mastigassem um monte de fibras. E comida que foge era ainda mais raro. Ferramentas para caça surgiram bem tarde na nossa história evolutiva, exigia grande investimento de tempo, risco e mais falhava que dava certo. (Aquele mito do caçador mais que coletor, vivendo de bisão, aquilo é mito, cê sabe né? Se aplicava mais ao Neandertal. O Homo sapiens sapiens vivia de folha, fruto e formiga, com um antílope ou outro bem de vez em quando. E pra você ver como caça é difícil e não sustenta a tribo direito, veja quem foi extinto e quem está aqui até hoje).

Bom, agora imagina como ser eficiente num ambiente onde calorias são esparsas e exigem constante movimento e esforço para conseguir. Primeira coisa, movimento passa a ser essencial para seu corpo se dar bem. Corpo que não se move adoece. De fato, movimento passa a ser essencial para o próprio desenvolvimento da pessoa (o autor fala do papel da brincadeira ativa, incluindo correr para toda parte, para o desenvolvimento de ossos fortes para o resto da vida. O mecanismo exato ele explica no livro, só vou citar aqui que existe).

Como nesse ambiente movimento não é algo opcional – move or die – e calorias são difíceis de obter, desenvolvemos uma vontade de poupar energia sempre que possível, e buscar máxima eficiência no consumo e armazenamento de calorias. Como movimento era necessário e constante, valorizamos toda oportunidade de descansar, porque são raras. Alimentos densos em calorias eram muito raros, então desenvolvemos uma grande atração por eles – prazer é um grande motivador evolutivo. Quanto mais doce, mais denso em calorias, melhor aproveitar enquanto possível. Outro desses, quem sabe? Muita gordura, pouca fibra? Adoro, calorias com pouco trabalho de digestão.

Mas olha só, essa era a exceção, não a regra. Nosso mecanismo habitual de obtenção de nutrientes e energia era feito para funcionar com um fluxo constante de fibras. De outra maneira, ele não sobreviveria nesse ambiente. Não era preciso acoplar um mecanismo de alto prazer (como no caso de coisas doces e gordurentas) para esse tipo de alimento – não era uma escolha, era o que tinha – mas era preciso funcionar bem com ele. Efeito colateral: sem esse tipo de alimento, nosso corpo não funciona bem.

Até aqui temos um corpo que espera e de fato precisa de movimento e alimentos fibrosos e com variedade nutricional, mas com uma mente que valoriza coisas raras e exceções que podem oferecer vantagens pontuais quando aparecem, como repouso e alimentos densamente calóricos.

Lance é que recentemente (evolutivamente) passamos a criar um ambiente para nós onde só temos o que mais desejamos: alimentos densamente calóricos (mas não necessariamente nutricionalmente ricos) e eficiência de movimento. E com grande sucesso aliás. A agricultura era tremendamente mais eficiente em produzir calorias do que caçar e coletar, tanto que dominou a história humana. Invenções mecânicas nos pouparam esforço e aumentaram infinitamente nosso poder. Saímos de correr de tigres dente de sabre pra pousar na Lua. O problema é que nosso corpo não evoluiu para esse tipo de ambiente, e a falta de movimento e fibras e nutrientes, e o excesso de calorias são demais para ele lidar. Como dizem: cuidado com o que deseja…

O resultado disso é que estamos surpresos por vivermos doentes e sofrendo, mesmo tendo tanto conforto e tecnologia. Vivemos mais de 90 anos, mas não vivemos bem até mais de 90 anos, especialmente a partir da meia idade (o que só piora as coisas, pois na meia idade em geral já passamos nossos genes, então a evolução tem pouca influência. Seleção só age na eficiência reprodutiva, não faz diferença se somos felizes ou não). Temos o que sempre pedimos, e quando conseguimos em vez de felicidade eterna ficamos doentes. Ops.

Essa, em resumo (e ultra simplificado) é a armadilha evolutiva que nos metemos. E qual a solução? Não sei você, mas eu ainda prefiro iPhone e viver mais de 90 anos do que fugir de tigre dente de sabre e ficar a mercê dos elementos. Curto muito mais uma vacina do que um vírus e tal. Acho show passar da primeira infância 9 entre 10 casos. Nenhuma vontade de virar caçador coletor.

A saída? Dá para ter o melhor dos mundos. Não é preciso sair por aí caçando e coletando. A gente pode simular o ambiente evolutivo, e se motivar com “kudos” e “likes”, em vez de “tem um tigre dente de sabre atrás de mim”. Podemos usar apps de corrida, e frequentar supermercados e aprender a fazer deliciosos pratos que são nutritivos e com fibras, e não envolvem comer um único inseto. Não curte corrida de resistência atrás do antílope que será o jantar da tribo pelas próximas duas semanas? A gente pode escolher outro esporte: parkour, cross fit, corrida, yoga e pode manter um corpo feliz, nutrido descansado e saudável e ao mesmo tempo poder ver Netflix.

Okay, estou sendo engraçadinho, mas tem muita gente que condena todo o estilo de vida moderno, ou adota a postura inversa, rejeitando toda a história evolutiva do nosso corpo e suas necessidades, curando tudo com pílulas, cirurgias e injeções, quando algumas mudanças simples já ajudariam a uma vida longa e mais saudável. Dá para reconectar com o básico, e manter o avançado. Tem que ajustar esse balanço (e eu já falei que equilíbrio nem sempre quer dizer meio a meio ou o caminho do meio), e pensar um pouco como vivemos a vida, em vez de apenas reagirmos ao ambiente… porque o ambiente mudou, e também nossa capacidade de entendimento e reflexão a respeito dele.

Eu sei que mudar de estilo de vida quando vivemos e fomos criados dentro de um certo modo de ver pode parecer impossível. E de certa forma, por muito tempo é: é impossível você mudar algo do qual nem tem consciência de que é uma escolha, e não apenas o mundo como ele é. Mas hoje existe mais esse conhecimento, e com conhecimento aparece escolha onde antes não havia nenhuma. O que era impossível passa a ser natural. Três coisas básicas podem mudar sua vida (literalmente): sono, exercício, alimentação. É isso. É mais fácil do que parece. Temos milhões de anos de evolução a nosso favor.

Um holandês foi medalha de prata na Maratona Olímpica em Tóquio (a história por trás de uma chegada)

Eu tava cabreiro com essa olimpíada de Tóquio. Sei lá, as olimpíadas de 1940 eram para ser em Tóquio mas foram canceladas devido a um pequeno evento chamado Segunda Guerra Mundial, Daí escolheram Tóquio de novo para 2020 e dessa vez foi uma pandemia de proporções históricas. Eu já tava achando que não era uma boa ter jogos em Tóquio. Mas em 2021 teve, e o mundo (até o momento) não acabou.

Eu assisti ao que pude no YouTube, em reprises, porque sono tem prioridade e segundo a TV holandesa só passava coisas que tinha holandês jogando. Como no caso da maratona, que até tinha um holandês, Abdi Nageeye, mas ninguém dava muita chance de medalha para ele. O cara é super bom, mas não ganha nem a Maratona de Amsterdam, correndo em casa com torcida: em 2019 ele chegou em 9°. Foi o primeiro holandês, okay, mas ficou atrás da costumeira fila de quenianos e etíopes que domina a corrida de resistência no mundo. Medalha olímpica? Difícil, ainda mais que todo mundo já dava uma delas (a de ouro) para o superstar Eliud Kipchogue.

Kipchogue mereceu o favoritismo e ganhou com larga margem, fazendo parecer fácil a prova disputada num calor do inferno. Sem surpresas ali: ele só perdeu duas provas na vida: a segunda que ele correu, onde ele chegou em segundo lugar porque Wilson Kipsang, outra lenda queniana da maratona, não só ganhou como bateu o recorde mundial. E ele chegou em oitavo lugar na maratona de Londres 2020, porque 2020, né? Todo mundo perdeu alguma coisa em 2020.

Anyways, mesmo se você não tem paciência de ver uma prova de maratona na íntegra (a essa altura da vida eu sei que sou mais exceção do que regra), vale a pena ver os últimos minutos da final olímpica. Não pelo primeiro lugar tranquilo do Kipchogue, mas pela surpresa nas medalhas de prata e bronze. Faltando poucos metros para a chegada, Lawerence Cherono (Quênia) estava cruzando para confirmar sua medalha de prata, como esperado. Vindo por trás, achando forças depois de 42 quilômetros no calor e humidade, Nageeye achou mais uma marcha e resolveu disputar o destino que já parecia selado. Cerrando os dentes, ele ainda conseguiu chamar o atleta belga, Bashir Abdi, seu amigo, a vir junto. Acenando e chamando, inspirando um amigo a buscar um resultado aparentemente impossível, Nageeye puxou o ritmo, e os três transformaram uma maratona num 100 metros rasos, valendo medalha. Primeiro Nageeye e depois Abdi ultrapassaram Cherono, tirando o queniano do pódio.

(Não se sinta muito mal por Cherono: faz parte do esporte, e ele mesmo fez algo parecido com três outros corredores para ganhar a maratona de Chicago em 2019. Aliás, Cherono ganhou a maratona de Amsterdam em 2018).

Interessantemente, tanto Nageeye como Abdi (sim, o sobrenome de um é o nome de outro) tem origem somali. Negeeye veio para a Holanda com a família como refugiado da Somália. Ele morou alguns anos, aprendeu holandês, foi para escola, e aí um parente dele resolveu que ele estava “muito ocidental” e levou (contra a vontade dele) para morar na Síria. Yeah. Assim que ele conseguiu, voltou (fugiu) para a Holanda (que ele considera o melhor país do mundo), onde foi adotado por uma família holandesa, se naturalizou e descobriu o talento para corrida de longa distância. Hoje é campeão holandês e medalhista olímpico pelo país adotado.

Quando eu vi Nageeye correr ao vivo na maratona de Amsterdam, e nem imaginava a história de vida dele. Mas eu ouvi um podcast em duas partes onde ele é entrevistado pelo Adharanand Finn, corredor, jornalista e autor britânico. Eu até já recomendei livros do Finn aqui na Newsletter. Eu curto muito o podcast, mas recomendo em particular esse episódio. Acompanhar a história de Nageeya, chegando como refugiado, como ele se adaptou a uma nova vida, o trauma de ser arrancado da escola holandesa onde estava totalmente adaptado (ele fala com saudades dos amigos de escola)… a volta para a Holanda, a descoberta do talento, como ele se desenvolveu… e isso tudo acabou culminando com uma medalha de prata extraída nos últimos metros de uma longa e excruciante prova – e ainda inspirando e incentivando um amigo a acreditar, ele também, no impossível. A vida dele é uma história de perseverança e esperança.

Uma curiosidade particular do podcast é notar os holandesismos presentes no inglês do Nageeya: eu curto muito, são como pequenos easter eggs para quem fala holandês…

O Podcast chama The Way of the Runner, e você pode ouvir o episódio com o Nageeye aqui, ou procure no seu app de podcasts.

A propósito, o Adharanand tem uma newsletter semanal (€2,50+ impostos por mês). Eu assino.

Cortando laços com Mr. Zuckerberg: deletei meu Facebook (ok), Instagram (what?) e WhatsApp (COMO ASSIM?!)

Pois é, parece impossível né? As empresas do tio Zuck se entranharam de tal forma na nossa vida que parece impossível imaginar ficar sem. E não porque elas provêem algum serviço insubstituível (dá para fazer tudo que elas permitem com outros apps), nem sequer o melhor serviço necessariamente. O que torna esses apps inestimáveis é que meio que todo mundo está neles. Nada adianta ter um app de chat sem seus amigos, família, médico, escola, serviço de atendimento ao consumidor das empresas. E é exatamente assim que Mr. Zuck quer.

O que seria a princípio okay para mim. É um serviço válido, isso de conectar todo mundo que importa para mim.O problema é que esse não é o serviço e eu não sou o consumidor final do Zuckerberg. Eu sou o recurso, não o consumidor. E a família Facebook não tem o meu melhor interesse em seu coração.

Okay de novo: o argumento é nenhuma empresa tem. Nem Google, nem Apple, nem o Carrefour. Amazon? Heh. Globo? LOL. Qual a treta em particular com o Face & família?

Quando você deixa de ser o público alvo e vira só alvo mesmo

A minha diferença é como essas empresas me exploram e o que elas me dão em troca. E especificamente se a troca é clara. Consentimento. Eu sei o que a Apple me oferece e o que ela me cobra em troca (e é bem caro). Vejamos agora como Zuckerberg usa seus poderes para rastrear minha vida sem meu consentimento, para usar esses dados para me manipular. A ponto de considerar hackear meu celular. Ele estava interessado em licenciar o malware Pegasus, desenvolvido por uma companhia israelense para governos usarem contra terroristas – e outros grupos de interesse. Yeah. Esse ano explodiu um escândalo sobre essa companhia (chamada NSO Group), estava vendendo esse software para qualquer governo usar contra qualquer cidadão…. não apenas governos democráticos interessados em combater terrorismo e outras ameaças. Mas governos ditatoriais interessados em achatar oposição. Oh, cool. E sabe o mais cool? Mr. Zuck tentou licenciar esse software para instalar nos iPhones, porque a Apple estava matando outros canais dele rastrear nossas atividades fora dos apps dele.

Hey, como você acha que Mr. Zuck sempre sabe qual app comprar? Vamos rastrear o que elas fazem no telefone delas. As pessoas estão usando mais o Insta do que o Facebook? Boom, compra o Insta. Passando mais tempo no WhatsApp do que no Facebook Messenger? Já sabe. Quando a Apple fechou essa porta, ele comprou uma empresa de VPN, anunciou pesadamente (sem deixar claro que pertencia ao grupo Facebook) e passou a rastrear o que as pessoas faziam por ela. Apple fechou isso de novo (e chutou o app da App Store). Foi nessa hora que ele considerou licenciar o spyware. A NSO acabou negando porque só licenciava para governos (qualquer governo aparentemente).

A resposta do Facebook

Quando explodiu o escândalo do Pegasus, o Facebook processou o grupo, por ter usado vulnerabilidades no Face e Zap. Foi aí que a NSO soltou “\e, mas bem que você queria usar também né?”. Facebook contra respondeu: “você só está querendo tirar atenção do nosso processo original”.

Mas não negou a acusação!

Ele… não… negou. Essa foi a proverbial gota d’água para mim. Eu já estava descontente com as práticas abusivas, tanto de impacto social (lembram do escândalo da Cambridge Analytics?) quanto pessoal (eu queria poder optar em não ser rastreado e manipulado). Mas ia levando, até descobrir o quão longe eles estavam dispostos ir. Para o Face e cia, eu não sou público alvo – sou apenas alvo mesmo. Hacking é um ato hostil. Não é incidente de fronteira. É guerra. Tchau, Zuck.

Tchau, Facebook

Deletar o Facebook foi a decisão mais simples. Já não usava muito mesmo (embora ele continuava lá, registrando tudo que é site que eu visitava e reportando pros anunciantes no Insta). Implementar essa decisão foi mais difícil. Eu tive de estar disposto a abrir mão de likes, comentários e outras contribuições que pessoas fizeram, mas foi possível baixar uma boa parte do que eu coloquei na plataforma antes de deletar a conta. Se é que ele algum dia deleta, claro. De toda forma, você tem trinta dias para mudar de ideia e logar novamente. Tarde demais para mim: já se passaram mais de trinta dias.

Tchau, WhatsApp: deletando o Zap e usando alternativas

Depois tomei coragem e nutei o WhatsApp. Esse foi mais difícil. Tive de exportar manualmente as conversas que queria manter. Espero não ter esquecido nenhuma. E como se comunicar com as pessoas?

Bom, tem alternativas que estão se tornando populares e mais e mais gente está usando (começa assim). Tem o Telegram. E tem o Signal, que é também multiplataforma e, ao contrário do Zap e Telegram, tem a privacidade de seus usuários como argumento de venda (eles são open source e financiados por doações). Dá uma lida nesse post que eles fizeram, contando como usaram anúncios do Facebook para expor o quanto da sua privacidade é expostas nessa plataforma. Para quem usa Apple, tem o Messages, que também funciona via internet. Combinando tudo, consegui me virar bem até agora.

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Fonte: Blog do Signal (link no parágrafo acima)

O meu grupo de amigos que conheço desde o colegial foi para o Messages, e cada amigo mora num continente diferente. Meu pai está no Telegram, minha mãe e minha irmã estão no Signal, por aí vai. A escola dos saguis adotou uma plataforma específica para comunicação na educação e abandonou os grupos de WhatsApp, justamente por questões de privacidade (a privacidade das crianças\ças é algo que eles não estão dispostos a confiar ao titio Zuck).

Sim, claro, ter todo mundo no mesmo app é mais conveniente, mas uma vez que decidi que o preço por isso não vale a pena para mim, eu aceito pagar o preço de um pouco mais de incoveniência (e nem é tanta assim). E tudo mais falhando, sempre tem o SMS.

Tchau Insta

E aí restou nosso amigo do peito, nosso irmão camarada, o bom e velho Insta. Ai, Insta…

Eu já havia tentado desapegar dos Stories antes, parando de criar para eles, como contei aqui. Acabei voltando, depois mudei a conta (sim, contei tudo nas newsletters anteriores, sim, você pode ler todas elas nos arquivos). Mas o que me ajudou a finalmente apertar o gatilho foi pensar no propósito da plataforma. O Instagram não é uma plataforma de criação e consumo de conteúdo. É uma plataforma de marketing, que existe para vender coisas. O conteúdo não é a finalidade. Ele é o meio.

É por isso que o conteúdo no Insta é descartável e está sempre desaparecendo, sendo empurrado para as entranhas do app. Isso força você a voltar sempre atrás de mais. A nunca desgrudar dos Stories e do feed, por medo de perder alguma coisa (FOMO – Fear Of Missing Out – Medo de ficar por fora). Essa roda constante de captura de atenção tem o objetivo de te manter lá, e te vender alguma coisa. Na verdade, do ponto de vista do Instagram, você só está lá por dois motivos possíveis: vender algo ou comprar algo. O resto é maneiras de otimizar isso. Se você tem um negócio, digamos uma padaria, e quer vender pão, faz todo sentido estar no Insta. É uma excelente plataforma de marketing. Não é o meu caso.

Meu objetivo não é vender nada, é criar conteúdo. Quando vendia algo, era para possibilitar eu fazer o que amo, criar. Nada errado com vender, ou até curtir vender. É só que minha paixão não é, nem nunca foi, venda, mas criação. Então como criador, o Instagram não é uma plataforma para mim. Plataformas de criação são blog (a nova versão da revista), podcast (o bom e velho rádio, agora digital) e vídeo (o que costumava ser a TV). Esse blog minha plataforma de criação, e eu o distribuo através da lista de emails.

E meu objetivo no IG também não era comprar nada, e a batalha constante do app para me trancar a atenção, se insinuando em cada momento livre do meu dia, criando esse FOMO não para que eu tenha acesso a entretenimento e conteúdo, mas clique em anúncios e eventualmente compre algo era… exaustiva. Eu acredito que consumir conteúdo deve ser uma escolha consciente e focada, e não um tique nervoso incutido por uma companhia que está agindo de maneira hostil para maximizar o que ela consegue extrair de mim, com ou sem meu consentimento (ah vide o DRAMA que o Insta e Face fizeram quando a Apple forçou os apps a perguntarem se eles podem me rastrear fora da plataforma deles. Note que a Apple não impediu eles de rastrear fora, e nem sequer fez você consentir para rastrear dentro…. mas disse que eles tinham de pedir consentimento para poder me rastrear fora das plataformas deles. Depois que vazou o lance do spyware, deu para entender o quanto consentimento não é importante para eles).

E assim deletei o Insta.

E O FOMO?

Bom, na parte de criação, estou, como eu disse, criando aqui. Sim, sem Insta isso quer dizer um crescimento menor, ou até a ameaça de não crescer. O Insta seria a plataforma para “vender” inscrições nessa newsletter. Irei investir num crescimento orgânico – lento e sim, mais limitado. Crescer será uma consequência possível, não um objetivo em si. E como criador, aqui eu tenho espaço para fazer algo que não seja descartável, produzir no meu ritmo, sem aquela pressão de estar sempre de bom humor, sempre super, sempre disponível, sempre postando por medo de ser esquecido pelos seguidores, tenso com as estatísticas, o FOMO atacando na forma de “todo mundo está postando sobre isso, tenho de falar disso ou ficarei de lado”, e tal. Eu falo sobre o que acho relevante. Para u público menor, sim, mas composto de pessoas de verdade que de fato estão interessadas naquilo que tenho a dizer.

E como usuário final do Instagram? Como eu fico sabendo das aventuras de família e amigos? E quando sai coisa nova dos criadores que curto? Como gerenciar o FOMO, o medo de ficar por fora da turma de amigos e o que todo mundo está curtindo? Eu melhorei bastante, mas não sou imune.

Na parte de acompanhar os amigos…. bem, um tanto vai ser via conversas (virtuais e, pandemia e outros fatores permitindo, ao vivo) mesmo. Sim, estarei um tanto “por fora” do que cada um está fazendo, mas isso tem também certas vantagens: mais assunto para quando nos encontramos (virtual ou fisicamente), e menos desgaste da convivência constante. Além disso, curiosamente, o FOMO tende a diminuir. Você não está o tempo todo se comparando, nem achando que todo mundo menos você tá fazendo algo interessante. Com o espaçamento do contato, fica mais claro que o que vemos na mídia social é na verdade ou os highlights, melhores momentos, ou simples ficção. Sem a presença constante do Insta, temos menos acesso ao “minha vida é maravilhosa e a sua não”. Menos FOMO.

Escolhas: a vida em tons de cinza

Okay, eu curto o Insta tanto quanto qualquer um. Se não fosse divertido não seria tão popular. E não estou dizendo que não tem vantagens em usar (primeira coisa que eu disse, é uma fantástica plataforma de marketing). O WhatsApp também tem vantagens (a maioria usa), e até o velho Face tem seus usos (como os fóruns especializados). A vida não é apenas preto ou branco, ou tudo é bom ou tudo é ruim, se eu não amo eu odeio e tal. Não é assim que funciona, e certamente não é assim que enxergo o mundo com meu único olho.

O que acontece é que eu pagava um certo preço para ter as vantagens da família Insta/Face/Zap, e eu decidi que isso me colocava numa posição vulnerável, onde eu não estava confortável mais com esse preço, e decidi parar de pagar. Em troca tenho outras vantagens, e outras desvantagens. Esse tipo de decisão é um processo individual, e cada um tem que chegar as suas conclusões.

E essas conclusões mudam conforme os fatos, e circunstâncias mudam, e conforme nós mesmos mudamos. Isso tudo é um experimento.

Nesse momento eu não vejo as empresas do Zuck como uma força positiva, nem na minha vida nem na sociedade. Então resolvi largar-las do melhor jeito que consegui. Sim, isso afeta a minha vida e em menor escala outras pessoas que querem manter contato comigo e usavam o serviço para isso. Entendo que há um preço nisso, mas por outro lado não é algo impensável ou impossível, ou absurdo. É factível, e eu fiz.

Obrigado por continuar me acompanhando!

E mais uma cirurgia pela frente (não irei correr a Maratona de Amsterdam esse ano)

Se você acompanha a newsletter desde o começo desse ano, sabe que em janeiro fiz (mais uma) cirurgia no olho para prevenir perda total de visão. Eu tenho uma doença genética no olho que vai lentamente causando perda de visão. A doença é incurável, e o melhor que a medicina pode me oferecer é atrasar ou parar o progresso. Mas os danos já causados permanecem – o que perdi está perdido. E mesmo paralisar o progresso requer um constante gerenciamento da situação. Estou operando os olhos praticamente desde que descobri, com 26 anos de idade. Um dos problemas dessa doença é que como a perda é progressiva, demora um tempo pro dano se acumular o suficiente para ser perceptível. Quando eu descobri já tinha uma perda avançada, e os médicos me disseram que eu fui um dos sortudos – a maioria só busca ajuda quando está praticamente cego.

Nesses mais de vinte anos de gerenciamento da doença (estou com 47), eu passei por incontáveis cirurgias e procedimentos bizarros que irei te poupar de descrever. A cirurgia de janeiro foi apenas mais uma, e ela também não conseguiu causar uma condição que o médico está confiante de que irá preservar o pouco de visão que me resta no olho direito (tenho a doença em ambos os olhos). Então ele vai operar novamente. Seis meses depois de operar, recém recuperado, vamos para mais uma. Para quem já teve de fazer cirurgias com 15 dias de diferença (e uma vez duas em três dias, de emergência. A primeira delas no dia do meu aniversário), essa nem é a pior vez. Tenho um certo trauma da situação, mas estou aprendendo a lidar.

Esse é o lance de uma doença crônica: o tratamento não tem fim. Quando operei a vesícula foi diferente. Eu tive crises, foi horrível (na pior delas, que resultou em cirurgia de urgência, corri risco de vida), dor tenebrosa e tal, mas uma vez operado, o problema foi resolvido. Fui viver minha vida. Com doença crônica, viver a vida envolve o tratamento da doença, e essa que eu tenho, no estado que ela está, envolve muitas cirurgias. Essa que irei fazer em outubro agora não será a última. Eu já sei disso. Não há linha de chegada.

Nisso, treinar corrida de resistência me ajudou e ajuda a lidar. Em corrida de longa distância, a linha de chegada é tão longe que a maioria das vezes parece inatingível. Depois desse quilômetro vem outro quilômetro. E outro. E outro. Depois dessa hora inteira correndo vem outra hora inteira. E depois outra. E depois outra. Não vai acabar tão cedo, então é melhor aprender a lidar com o ponto que você está. As vezes é uma parte difícil, muitas vezes é a parte difícil, mas há pequenas pausas, como as aid stations (pontos de apoio, onde há agua ou uma fruta ou um gel). Mas é melhor lidar com o quilômetro em que se está em vez de ficar contando com um dia talvez alguma hora quem sabe isso vai acabar, o que está por vir.

Ao longo dessas intermináveis corridas, aprendi a correr o quilômetro atual, não o futuro. Se eu não lidar com o atual, o futuro será pior ou, pior ainda, pode não acontecer. ùm passo por vez, a corrida me ensina que sim, é possível lidar, que meu corpo e mente são mais fortes do que eu supunha. Se não mais fortes, mais resistentes. Mais resilientes.

É uma metáfora para a vida. Tem horas que a corrida é sofrida, mas ela me ensinou a lidar com o sofrimento quando ele é inevitável. Ironicamente, dado que o nome do meu esporte é corrida de resistência, o segredo é não resistir, mas deixar ele fluir. Não fugir do sentimento, não resistir nem tentar empurrar, ou se convencer que ele não existe, mas aceitar e deixar ele fluir, escorrer e ir embora, sem antecipar o próximo momento, sem ficar se apegando o momento que passou, ser líquido, deixar escorrer e passar. Como diz Kipchogue (agora você sabe quem é ele), “não corra da sua corrida”. Claro, se é possível fazer ajustes para melhorar faça. Não é para aceitar passivamente como inevitável o que não é. Não estou dizendo que aprendi a sofrer a toa, ou desnecessariamente. Mas há horas que o sofrimento é inevitável, ou necessário, e é dessas horas que estou falando.

Praticar esporte de resistência me deixou mais resistente para a vida, quem diria? Heh.

Por falar nisso: como a cirurgia irá cair bem na época da Maratona de Amsterdam, eu não irei (obviamente) correr a prova (se ela ocorrer, o que não é 100% certo). Como é uma pena desperdiçar todo treino que fiz, irei fazer uma Maratona virtual auto suficiente, acompanhado do meu amigo – já sabe, o internacionalmente famoso Hashtagfeet, o Érre. Vamos correr agora em setembro para eu estar recuperado em outubro para a próxima maratona da vida.

E a gente segue cantando “Mas esse caminho é tão comprido…” 😀 (ah vamos rir um pouco….)

Seção de cartas

Resolvi criar uma seção para publicar e responder algum email ou contato que tenha me chamado particularmente a atenção ou aborde dúvidas comuns, ou que sirvam de base para uma reflexão. Para inaugurar a seção, escolhi o email do Fábio:

Sinceramente? Acho que sua briga com o algoritmo não vai ter vencedor, só perdedor: você. Veja, é uma crítica construtiva, longe de querer ter razão sobre qq coisa. Até porque, com dois filhos, vc, como eu, nós sabemos que ter razão ficou em segundo lugar faz tempo. 
O algorítimo está ali pra te ajudar, não pra te gongar. Claro que ele exigirá um preço a pagar, no caso, posts consistentes, mas na minha visão é barato pro que ele pode proporcionar, no alcance que ele pode gerar se comparado com algo que não o tenha como alavanca. 
Quanta centenas, milhares de pessoas você já ajudou com seu conteúdo show de bola ao longo deste ultimos anos algoritiminianos? Você tem noção disso? Sem ele, certa, matemática e estatisticamente vc teria alcançado, o quê, 10%, tá bom, 50% da sua audiência? 
Pra mim, se vc acha realmente que o tal do Al atrapalha mais do que ajuda, beleza, vou te apoiar como leitor e seguidor de longa data, mas sugiro que use algo híbrido, nem lá nem cá. A fórmula do conteúdo exclusivo, sem banners, pra quem pode e quer pagar, é uma opção bastante razoável. Uma vez dentro do que seria a plataforma dos pagantes, vc disponibilizaria novos conteúdos, descontos etc.etc.etc…e quem sabe até um podcast…Ducast ou Pode Duc.

RESPOSTA: Fábio, brigado pelo seu apoio e contato. Eu te respondi diretamente, mas resolvi reescrever e publicar aqui uma outra versão, mais enxuta e mais ponderada. Uma edição revisada, digamos assim.

Seu argumento tem mérito. O algoritmo tem poder e é totalmente possível usá-lo ao nosso favor – eu mesmo fiz isso por anos, com sucesso, no Ducs Amsterdam. Mas como expliquei nessa Newsletter, na parte de porque deletei minhas contas nas empresas da família Facebook, tudo tem um preço. E acredito que o algoritmo está tendo um efeito prejudicial nas pessoas, individualmente, e na sociedade. O algoritmo está criando, ou amplificando fortemente, uma sociedade dividida e fechada em suas bolhas, ansiosa, raivosa. Além disso, longe de apenas conectar o conteúdo com um público interessado, ele está ditando a criação do conteúdo, determinando como criamos e como consumimos criação. Eu acho isso poder demais nas mãos de robôs…. e seus mestres. Porque o algoritmo é criado por alguém, e com propósitos específicos. Google, Twitter e Facebook estão determinando como pensamos ao controlar como nos conectamos e criamos. E em vez de aceitar isso como um fato inevitável da vida, resolvi buscar alternativas. O mundo é criado por pessoas – e suas escolhas. Na nossa sociedade tudo foi criado por alguém por algum motivo. E nós somos alguém, então sim, temos influência na sociedade.

Eu estou disposto a pagar o preço de buscar alternativas ao algoritmo. Eu não me importo tanto com os números. Pessoas são mais importantes e, como disse, são elas que criam a sociedade. Eu resolvi não contar com o algoritmo. Mas conto com você – e com os poucos que estão aqui. Nosso sistema pode ser mais lento e mais limitado, porém isso é parte de ser humano. Isso não é um defeito. É uma qualidade.

O podcast está nos planos. Estou pensando em fazer alguns experimentos. Irei comunicar nas Newsletters futuras.

Obrigado de novo e um grande abraço!

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Frase da semana

Ö Universo não tem nenhuma obrigação de fazer sentido para você”

Neil deGrasse Tyson

Obrigado pelo seu apoio e companhia

Okay, eu ainda tenho vários assuntos que queria falar, mas vamos usar outro aprendizado da corrida de resistência, manter um ritmo sustentável, e deixar para próxima edição. Embora as vezes eu tenha de resolver certos empecilhos primeiro, ideias para a Newsletter não faltam. Com calma e ritmo teremos ainda incontáveis edições.

De novo, agradeço muito sua paciência (especialmente se leu até aqui) e apoio. Você é o motivo pelo qual continuo aqui. É um prazer ter a sua companhia nessa corrida da vida.

Até a próxima ediçao, com um grande abraço,

Daniduc

Amsterdam, 2021

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