Porque parei de criar Stories para o Instagram

Depois de muitos anos criando Stories no Instagram, e tendo uma audiência de cerca de 26 mil seguidores, e alta interação, eu decidi parar.

Um aparente “suicídio” na feroz luta constante pela posição de “influencer”, a verdade é que eu não desisti de criar, me comunicar e continuar contribuindo para a vida das pessoas… eu apenas concluí que a mídia social do Instagram não é um bom caminho – mais fácil, talvez, mas não necessariamente benéfico, para mim e para quem segue (e para a sociedade). Existe um outro caminho, mesmo que mais trabalhoso?

Resolvi tentar. Mas antes deixa eu explicar o que me levou a parar com os Stories do Insta.

Apesar do nome, o Stories não é ideal para contar histórias

Irônico né? Ah, veja, certamente é possível contar histórias no Stories. Eu fiz isso por anos. Mas o formato constrange, limita e ativamente trabalha contra a construção de uma boa história. Principalmente porque cada fragmento expira em 24 horas.

Criar em fragmentos não é necessariamente um problema – eles acabam funcionando como “takes”, permitindo editar a sua história conforme você vai criando. É até prático – os cortes são criados em tempo real, sem precisar de um software de edição (e do tempo enorme que a edição exige). Só que cada take (ou fragmento, ou corte, como quiser), só dura 24 horas, deixando muitas vezes a história sem cabeça, só com o pé.

Isso leva a um fluxo constante de pessoas perguntando do que vocÊ está falando – e se você fica reiterando o contexto, a um fluxo de pessoas cansadas da repetição. Pior dos dois mundos.

Junto do limite de duração, a limitação de tempo e fragmentação não favorece contar histórias com um pouco mais de nuance ou complexidade. O que é todo um outro problema…

Os Stories favorecem, quase forçam, conteúdo descartável

Meio óbvio: o treco expira em 24 horas, e é dividido em cortes de 15 segundos. Não necessariamente é um problema, se é o que você quer criar. Mas não é o que eu quero criar.

Criar assim exige um esforço constante, uma eterna roda de hamster, correndo todo o dia para ficar no mesmo lugar.

Sim, eu sei que existem destaques no perfil. Não resolve. Destques funcionam bem para um ou dois frames, com lembretes e um call to action claro. Ficar enterrando histórias completas nos destaques leva a ninguém assistir.

Não, os Stories são descartáveis de propósito, feitos para serem alimentados constantemente, sempre renovados, sugando nossa atenção. Para isso ele mobiliza todas as ferramentas que consegue, incluindo o FOMO (Fear of Missing Out) dos seguidores (que perdem o fio da meada se não assistirem sempre e assistirem agora, quanto dos criadores, que têm medo de serem esquecidos.

Veja, interessa ao Insta que o conteúdo seja descartável. Interessa que nós todos estejamos correndo nessa roda de hamster. Interessa que a plataforma sugue todo nosso esforço e atenção.

Porque atenção é o que ele vende.

O Insta Stories vende a nossa atenção – e isso não é bom para você ou para mim

Estamos chegando ao cerne da questão. O Insta, como toda mídia social, especialmente as de propriedade do nosso amigo Mark, é uma máquina de marketing personalizado. Ela vende atenção, que é capturada dos seus usuários. E isso tem efeitos bem problemáticos, tanto individualmente quanto para a sociedade.

Atenção é o bem mais precioso que temos. Mesmo. Atenção é literalmente a sua vida: é o que a sua consciência registra. O que você não presta atenção ainda acontece – mas sem voê perceber. Mais preciosa do que tempo, atenção é como você gasta o seu tempo.

Como dinheiro – nada adianta você ter milhões se você não gasta, não usa, ou nem sabe que tem. É o mesmo que não ter. Nada adianta ter tempo se você não percebe onde o está gastando – até o dia que ele acaba. Atenção é um tesouro que todos nós temos e na maior parte das vezes não sabemos que temos nem como usar.

O Insta sabe disso. E ele não só está pegando para ele esse tesouro que jogamos fora, como ele passou a ativamente incentivar seu desperdício. Essa fragmentação e “descartabilidade” são intencionais, claro, assim como ansiedade por notificações. Interromper constantemente seu dia é a intenção, tirar seus olhos do que está na sua frente, o objetivo.

E isso tem um preço. Pros donos do Insta é um – dinheiro e poder. Para nós, é outro: uma vida constantemente interrompida, ansiedade, e a nossa capacidade de concentração atrofiando por falta de uso. Yeah. Prefiro não.

Criar e consumir histórias é bom… e o Stories não é a única alternativa

Olha, eu não quero dizer que criar os Stories por esses anos foi uma coisa ruim. Sua praticidade permitiu eu atingir muitas pessoas, me comunicar, estimular reflexão que vai muito além dos 15 segundos de um Storie. Recebi comentários (e ataques) que trazem lágrimas aos olhos. Gente que diz ter mudado a vida por influência do que viu em Stories (meus e de outras pessoas).

O que eu estou dizendo é outra coisa: que o preço pago por esses benefícios é alto demais. Lutar para criar algo de impacto contra toda uma estrutura feita para o descartável, e os efeitos colaterais desse ataque à nossa atenção… me faz pensar se os Stories são tão insubstituíveis assim.

São? Porque eu certamente estava sofrendo com os efeitos colaterais. Tanto como criador como consumidor. De repente, eu quero estar contribuindo com isso? De repente não tem outra alternativa?

Vou tentar descobrir. Quer vir comigo?

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