Newsletter do Ducs #21: fotos de Amsterdam antiga e presente, como mudar de carreira, uma tinta especial

E aí? Tudo bem contigo?

Domingo agora entramos na horário de verão aqui na Holanda (e vários outros países da Europa), e pelo jeito o clima resolveu concordar, e a previsão é de dias abertos com temperaturas subindo (chegando a 20 graus inteiros!). E o que está esquentando também é a Newsletter, com muita gente vindo como alternativa (ou complemento) ao frenesi das mídias sociais e sua barragem constante de conteúdo disputando sua atenção tão impiedosamente que a sensação ao fim do dia é de que somos consumidos pela mídia, em vez de consumi-la.

Anyways. Nessa edição teremos fotos de Amsterdam de muito antes do Instagram, vou falar sobre mudar de carreira, contar duas histórias no bairro de Anne Frank sobre marcas do passado no presente (e sobre o Santo Graal das tintas de caneta tinteiro), canais no YouTube…

Segue o coelho branco. Hey, é quase Páscoa!

Os links e avisos de praxe para você usar e guardar

Se você está chegando agora na newsletter, ou por qualquer motivo quer ler ou reler as edições anteriores, aqui estão os links para as três mais recentes:

  • Leia a EDIÇÃO #20 AQUI (despolarizar a conversa política, plano para os seus primeiros 5K, a ultramaratona mais difícil do mundo, reutilização criativa)
  • Pode também curtir a EDIÇÃO #19 AQUI (Como funcionam as eleições na Holanda, uma caneta tinteiro inspirada em Van Gogh, Apps de corrida)
  • E tem a EDIÇÃO #18 AQUI (Alimentação baseada em plantas, explorando os polos e a Lua)

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Entrou horário de verão na Holanda… pela última vez? Hm, acho que não…

Último domingo de março a Holanda adianta seus relógios e coloca o país todo de jet lag para aproveitar que os dias estão ficando mais compridos aqui no hemisfério norte. A ideia é que… uh… as pessoas fiquem na rua até mais tarde porque tá sol? Yeah, essa ideia não envelheceu muito bem, cortesia de 2020 e sua pandemia…

Bom, de toda forma essa brilhante ideia do século 19 já tinha seus críticos bem antes de 2020, tanto que diversos países aboliram (e outros nunca adotaram), e em 2019 uma comissão da União Europeia decidiu abolir o horário de verão. Teve alguma discussão sobre o prazo para essa medida ser implementada, e precisaria ainda de uma aprovação final para ela passar a ser implementada de maneira definitiva em… março de 2021. Ooooops.

Ou seja… até os caras lembrarem de ver isso, continuamos com nosso jet lag semestral por aqui. Holanda está 5 horas a frente do horário de Brasília, e nessa hora cafeína até que é útil

E sabe o que vai bem café? Ver fotos legais…

Um fotógrafo amador registrou Amsterdam há mais de um século (e suas fotos são lindas)

Eu sou fascinado por fotos antigas, e quando cheguei em Amsterdam em 2007, fuçando pela minha nova cidade, descobri a venda em lojas de souvenir impressões de fotos em preto e branco que pareciam ter sido tiradas no começo do século 20, ou fim do 19. Fiquei curioso, porque as fotos eram muito boas, e os prints de qualidade, meio que destoando da mesmice tranqueirosa de loja de souvenir.

Olie era o OG da street photography (fato: 97,3% das pessoas não fazem ideia do que a frase anterior significa) (Foto: Jacob Olie)

Conversando com um holandês que vendia as fotos numa barraquinha em uma feira de rua (na Spui), ele me disse o nome do fotógrafo: Jacob Olie. Na época tinha pouca coisa online sobre ele, mas descobri que Olie foi um dos pioneiros da fotografia na Holanda. Um carpinteiro por profissão, se interessou numa recente invenção como hobby: a fotografia. Como naquela época não tinha Amazon para comprar uma câmera, ele mesmo fez a dele, de madeira.

Auto retrato de Jacob Olie e seu doguinho. Muito estiloso. (Foto: Jacob Olie)

Ele tinha 27 anos e começou a fotografa em 1861. Em 1870 ele parou por 20 anos com a fotografia (ele passou a se dedicar a outro projeto). Porém, em 1890, ao se aposentar, retomou seu antigo hobby e passou a dedicar o tempo para registrar Amsterdam e suas transformações.

E ao mesmo tempo que ele registrou a construção de novos bairros, e canais sendo aterrados, ele também capturou uma Amsterdam que existe até hoje, mudada apenas em sua fauna humana. Eu acho fascinante ver como o mesmo espaço se renova e revive no uso que as gerações fazem dele. O espaço se renova pelo seu uso e vivência, não pela sua permanência.

Esse é o De Waag, um prédio que era parte do antigo muro medieval da cidade. Existe até hoje, e a feira ainda acontece. O espaço permanece vivo pelo uso (Foto: Jacob Olie)
Por outro lado, esse prédio (Paleis voor Volksvlijt) na Frederiksplein não existe mais: foi destruído num incêndio. Sobrevive no olhar de Olie. (Foto: Jacob Olie)

Enfim, Olie continuou fotografando até seu falecimento, em 1905. Ele tirou mais de 3000 fotos – o que é impressionante mesmo para nós que usamos iPhone e não temos que carregar uma câmera de madeira, revelar filmes na mão e achar onde comprar os materiais.

Pela foto eu diria que não estava rolando uma pandemia… (Foto: Jacob Olie)
Aos pés da Oudekerk em Amsterdam. (Foto: Jacob Olie)

Eu nunca mais achei os prints de Olie nas lojas de souvenir de Amsterdam (mesmo antes da pandemia, quando a gente podia fazer essas extravagâncias de outrora, como “ir em lojas”), mas existem produtos com as fotos dele, como esse calendário a venda na Bol.com, além de livros. Eu mesmo tenho um:

Mais fotos de Olie aqui.

E se você curte fotos antigas de Amsterdam, vai curtir a dica de livro dessa semana… Não é do Olie, mas é de foto. Veja:

Dica de livro: Groeten uit Amsterdam: honderd jaar veranderingen in de stad

Primeiro: não entre em pânico! Eu sei que está em holandês, mas olha só: é um livro de fotos. Tirando uma curta introdução (que tem em holandês, inglês e alemão), o resto são fotos antigas e fotos novas tiradas no mesmo local. É massa para ver o que mudou ou que não mudou na cidade em cerca de um século.

Existem livros assim de diversas cidades (eu tenho de Paris também), mas né? Amsterdam está no meu coração (desculpa Paris), então eu tô recomendando esse.

É curioso notar como o mundo já mudou desde as fotos contemporâneas do livro: nem uma única pessoa está de máscara!

Está esgotado na Amazon Brasil, mas tem na Amazon americana, e na Bol.com (mais barato).

E já que estou falando do passado ainda presente, deixa eu te contar sobre como achei uma tinta de caneta tinteiro que foi descontinuada há mais de duas décadas, numa livraria que tem história…

Como achei uma tinta rara na livraria onde Otto Frank comprou um diário para a filha, Anne…

Eu não resisto entrar em livrarias, e tenho um fraco todo particular por aquelas que são bem badernadas, até com uma certa cara de sebo, sabe? Curto. Enfim, tem uma aqui em Amsterdam que é dessas, cheia de pilhas de livros, cantos esquecidos, estantes encavaladas… verdadeiro pesadelo do marketing eficiente, mas boa para gente se perder fuçando em livro. E não é um sebo – é de livros atuais, alguns best sellers, a maioria não.

Só depois de um tempo que eu fiquei sabendo que essa era a livraria onde Otto Frank comprou o diário de presente de aniversário para a filha, Anne. Eles moravam praticamente na esquina da livraria, numa pracinha ali perto, num bairro residencial de Amsterdam.

Anne deixa sua casa pela última vez, em direção ao Anexo Secreto (Foto: Daniel Duclos)

Não, não tô falando da famosa “Casa de Anne Frank”- essa fica no centro, e é uma grande atração turística. Era a empresa do pai dela. Estou falando da casa onde eles moravam mesmo, num bairro de judeus de classe social mais alta. Eu descobri isso e contei no Ducs Amsterdam num post que ficou famoso, sobre a “Verdadeira Casa de Anne Frank”. O post acabou gerando um fluxo de turistas brazucas (e outros bloggers reproduziram a dica depois), gerando uma certa irritação da dona, que pelo jeito preferia uma livraria mais quieta e local. Ops? Eu nunca assumi que tinha sido eu a escrever (só falo holandês com ela…), mas acho que ela desconfia.

De toda a forma, um dia eu resolvi perguntar para a dona se ela tinha tinta para canetas tinteiro. Eu tava começando no hobby (era 2018), e estava curioso para ver opções. Ela me olhou como se não tivesse ouvido aquela pergunta em muitos, muitos anos (ou demorou para entender meu péssimo sotaque de holandês). Ela foi buscar num armarinho e voltou com uma caixa de tintas marrons da Parker.

Eu fiquei surpreso, porque eu nem sabia que a Parker, uma famosa marca de canetas tinteiro, fazia tinta marrom. Achei mais curioso ainda porque o nome da tinta era Parker Penman – eu sabia que o nome da tinta da Parker na verdade é Quink (de Quick Ink, tinta de secagem rápida). Resolvi comprar. A dina da livraria procurou o preço e não achou. Não estava no sistema. Ela deu de ombros e me passou um preço: €2,50. Achei justo.

Googlando em casa eu descobri porque a caixinha não estava no sistema: a última vez que a Parker fabricou a série Penman o mundo estava criando o neologismo “blog”. A linha de tintas era extremamente saturada, o que agradava muita gente, mas levou a rumores que poderia “entupir” as canetas. Isso levou a algumas lojas pararem de oferecer a tinta, a Parker panicou e suspendeu a linha toda no fim dos anos 90, talvez 2000. Até hoje é altamente procurada por colecionadores e entusiastas (que gostam de tintas saturadas e sabem limpar as canetas). No Ebay chegam a ser bem caras, especialmente se for a azul da linha, a Parker Penman Sapphire.

As tintas tinham nomes marquetosamente legais: Ebony (preta), Ruby (vermelha), Emerald (verde), Mocha (marrom) e o Santo Graal das tintas de caneta tinteiro, a já mencionada Sapphire. A Mocha não é tão pop, e eu não comprei uma garrafa (ela não tinha), apenas os cartuchos (que tem a desvantagem de só servir em canetas Parker), mas ainda assim foi um achado.

Nem tanto pelo preço (teria pago mais), mais pela ideia que uma caixinha de tintas ficou quase duas décadas numa prateleira esperando eu um dia entrar e perguntar. Quando aquela caixinha entrou no estoque, eu era solteiro, trabalhava com tecnologia, e nem sequer sonhava em um dia vir para a Holanda, alias nem sabia que língua se falava na Holanda, tinha uma vaga ideia de quem era Anne Frank, e achava que um computador com menos de 5 quilos era “portátil”.

Eu adoro achar essas pequenas janelas do passado ainda presentes, e descobrir histórias por trás de locais, objetos, detalhes. As histórias revelam as pessoas por trás do mundo que habitamos, e decisões de pessoas que há muito se foram moldam e influenciam a nossa vida. É legal conhece-las.

Perguntas e respostas: como mudar de carreira (nunca é tarde para recomeçar?)

Recentemente mudei meu nome no perfil do Instagram, tirando o “Amsterdam” do Ducs. A mudança só oficializa o que já é de fato: o meu foco agora é outro, e estou construindo outro modelo (essa newsletter e blog), e não tem mais sentido continuar com um perfil dando a entender que o foco principal será a cidade de Amsterdam. A cidade ainda aparece, claro, sou apaixonado por ela, mas o perfil é do Ducs, não de Amsterdam.

Daí me perguntaram sobre “recomeçar” minha carreira. Respondi que não seria a primeira vez. Nem a segunda: eu fiz Artes Plásticas (FAAP), Biologia (IB-USP), Letras (FFLCH-USP), trabalhei em projetos em bio e letras, trabalhei como administrador de sistemas Linux (tecnologia) e gerente de projetos, e como blogger (incrivelmente foi a minha maior renda, mais até que gerente de projetos), e agora eu continuo sendo blogger, apenas em uma área mais ampla.

Recomeçar carreiras é algo que faz parte da minha vida, pelo jeito. Eu vou com o fluxo, e acho que hoje em dia a ideia de uma “carreira linear”, daquelas faculdade-estágio-trabalho-aposentadoria está muito mais fluída, e as pessoas mais acostumadas com a ideia de “eterno aprendiz”.

Mas tem aquele lance né? Como mudar de carreira? Essa foi a pergunta que me fizeram.

A minha resposta: você começa uma carreira nova do mesmo jeito que começou a sua primeira. Por baixo, estudando, errando e praticando. Mas tem algumas peculiaridades.

Primeiro, você tem que estar confortável com ter menos competência na área, menos prestígio e destaque, em fazer trabalhos numa posição júnior. E não ter pressa: não sei se o clichê de 10.000 horas para ficar bom em algo é exato, mas certamente não é imediato, e quando se vem de uma área que já tem um certo sucesso, pode ser angustiante esperar.

O que leva para outro ponto: grana. Bom, muito dificilmente se começa uma carreira nova ganhando a mesma coisa que a atual (a não ser que a atual seja muito mal remunerada). Aí tem algumas opções: juntar uma boa reserva, aceitar cair o padrão e trabalhar em paralelo com a carreira atual. Possivelmente uma combinação dos três, já que todas tem suas dificuldades. Hey, não disse que seria fácil.

E nessa incerteza entra mais uma: e a idade? Nunca é tarde para recomeçar?

Acredito que a ideia que a idade limita é muito mais limitante do que a idade em si. E aí tem que ver se a ideia é limitante para você. Não dá para mudar nossa idade, mas dá para mudar nossa resistência a ela.

Para te dar um ideia: eu sai do país pela primeira vez direto para morar aos 33 anos, virei blogger aos 34, comecei a correr aos 44. Eu fico esquecendo que senhores respeitáveis da minha idade não fazem essas coisas (na verdade eu nunca fui respeitável 😬).

Veja, nem sempre mudar de carreira é algo que a gente quer, porque tem suas desvantagens (além do fator dinheiro). Uma delas: com a profissionalização, vem junto com um monte de perrengues e tarefas chatas que a gente não precisa lidar caso seja só um hobby. Burocracia, contabilidade, clientes arrogantes, negociações, tarefas técnicas não relacionadas mas necessárias podem tirar toda a graça de uma atividade que você amava. O calo só aperta quando a gente veste mesmo o sapato.

Mas se estiver mesmo firme na ideia, cai a única limitação que pode realmente te parar: a interna.

Como dica, eu recomendo você dar uma olhada no exercício de Fear setting do Tim Ferriss. Tem também um TED Talk (com legendas em português). Fala de como definir seus medos, e acho muito útil diante da pergunta “devo mudar de carreira”?

Minha filha tinha cinco anos quando me perguntou sobre a Anne Frank

Perto da livraria, passando na praça na frente de onde Ann morava, minha filha, na época com uns cinco anos, ela notou a estátua e me perguntou:

“Essa é a Anne Frank, né papai?”

“Sim, amor”

“Por que eu só vejo imagens dela quando criança? Por que não fizeram estátua dela grande?”

Antes de ser pai, eu sabia que iria ter de responder perguntas difíceis. Mas eu achava que seriam coisas como “de onde vêm os bebês?” ou “qual o sentido da vida” e tal. Essas perguntas (e outras) até que foram fáceis. Como explicar algo como o holocausto para uma menininha de cinco anos?

“Porque ela não viveu até ser grande, amor. Ela morreu adolescente.”

“Por que ela morreu tão cedo, papai?”

Era a segunda vez que ela me perguntava isso – da outra vez fui salvo por alguma coisa que a distraiu. Ela só tem cinco anos. Dessa vez, respondi.

“Por causa da Guerra. Ela foi vítima da Guerra.”

“O que é guerra?”

Respira fundo.

“Quando dois ou mais países brigam”.

“Por que eles brigam?”

“Muitos motivos. Por exemplo, um país pode querer algo que o outro tem, e tentar tomar com força”.

“Isso é feio!”

“Sim, amor, muito feio”.

“Como eles brigam?”

“Com armas e máquinas de guerra.”

“Que são armas?”

“São ferramentas de machucar pessoas”.

“E eles usaram isso na Anne Frank? Aqui na Holanda?”

“De uma certa forma. Sim, usaram.”

“Ela só queria ficar na casinha dela, lendo um livro, ou brincando, aí veio a guerra?”

“Sim. Sim, amor. Tudo o que ela queria era viver a vida dela”.

“Mas isso faz tempo, né papai?”

“Sim”

“Não vai ter mais guerra na Holanda nunca mais, né papai?”

Parei de novo pra pensar. Aproveitei que na frente da casa onde Anne Frank morava há essas placas marcando a memória do ocorrido, e fui com ela até lá.

Placa perto da verdadeira Casa de Anne Frank
O artista alemão Gunter Demnig começou, em 1997, a colocar placas em Berlim para marcar locais onde havia lembranças do holocausto e Segunda Guerra Mundial. A iniciativa se espalhou por muitos países, que adotaram a prática. São chamadas de Stolperstein. [Fonte em NL] (Foto: Daniel Duclos)

Ali, onde a história aconteceu, eu contei para a minha filha porque uma outra menininha nunca ficou grande, e o que ela nos ensinou sobre a vida, mesmo tendo vivido tão pouco.

Expliquei que para que não haja mais guerra, é preciso lembrar do que aconteceu quando houve, do sofrimento que causou, é preciso lembrar das meninas e meninos que queriam apenas ficar na casinha deles lendo um livro ou brincando com seus papais e mamães. É preciso lembrar para que, quando vierem falar de ódio a outros países e outros povos, a gente se levante e diga: não.

Não, Anne, nós não esquecemos.

Estátua de Anne Frank

Um curta metragem de Paris “vintage” no YouTube

Eu sei que falei que Amsterdam mais linda que Paris, mas isso é um elogio a Amsterdam, não uma crítica a Paris. E se você quer ver Paris dos anos 70, tem um curta metragem revolucionário do Cinema Verdade que você pode ver no YouTube – embora por décadas foi considerado um tabu e difícil de achar. por quê? Well..

Claude Lelouch, diretor de filmes parisiense, resolveu testar um novo suporte de câmera que ele conseguiu. Ele montou a câmera no para choque do carro dele e resolveu usar os poucos minutos de filme que cabia nela de uma maneira…. eficiente? Interessante? Seguinte, ele saiu com o carro, ligou a câmera as cinco da manhã de um domingo de verão em paris e SOCOU O PAU! Tipo, saiu arrepiando pelas ruas, como um alucinado, começando na Boulevard Périphérique e terminando na Sacré-Cœur. Em menos de 10 minutos cheios de adrenalina, ele consegue mostrar Paris e, incrivelmente, contar uma história sem usar uma única palavra – exceto o aviso no começo de que o curta foi feito sem trucagens ou alterações, e as imagens não foram aceleradas. Cinema Verdade.

O filme marcou época e, previsivelmente, causou enorme controvérsia. ele de fato barbariza nas ruas semi desertas: tem de tudo, contra mão, finas, farol vermelho varado, cavalo de pau… Há lendas que Lelouch foi preso por direção perigosa, há controvérsias de qual carro ele usou, há discussões sobre quem seria o motorista (muitos diziam ser um piloto de Fórmula 1 anônimo).

Se você quer spoiler, recentemente Lelouch revelou que o carro era uma Mercedes-Benz 450SEL 6.9 (embora o barulho do motor seja de uma Ferrari 275GTB, cinema Mais Ou Menos Verdade, né?), pilotada por ele mesmo. Se você quer spolier da história, não dou. Assiste lá. Se por nenhum outro motivo, tem Paris dos anos 70:

Conta no Twitter: O homem que tem de tudo

Tem hora que conta na mídia social vale a pena… uma conta que tem no Facebook, Insta e Twitter é The Man who has it all. Eu sigo no Twitter, e é lindo de se ler. A proposta da conta é a seguinte: ela cria um mundo fictício onde o Patriarcado é exatamente igual ao do nosso mundo, só que os papeis invertidos: as mulheres são o padrão. É simples, efetivo, contundente e, ao expor o absurdo da situação, tragicamente engraçado. Eu vou traduzir alguns:

“Minha amiga é uma professora de história. Ela está compilando uma lista de grandes figuras históricas e ela precisa de alguns exemplos masculinos para adicionar. Sugestões?”, diz um dos tuites. E os comentários, ah, os comentários são sensacionais:

“Ela ensina história normal ou história dos homens?”; “O marido da Marie Curie foi muito importante pera o trabalho dela, Não me ocorre o nome dele agora, mas ele seria um bom exemplo. É bom citar uns homens para mostrar boa vontade” e “Lá vamos nós de novo, Olha, homens são biologicamente diferentes e tudo bem. Não temos que reescrever a história. Afinal, por trás de toda grande mulher…”

Outro tuite: “DEBATE DE HOJE: Devem garotos na escola serem orientados a esconder suas formas em calças largas para criar um ambiente de baixa tentação para as trabalhadoras do local?”. Respostas: “se eles querem ser levados a sério no ambiente de trabalho, então sim. Se não eles estão lá só para provocar e distrair”. “Mas eles precisam estar na escola? Uma vez que os hormônios deles assumem e eles começam a se reproduzir eles vão ficar em casa cuidando dos filhos mesmo, então para quê perder tempo educando eles?” “Depende, se eles tiverem menos de 18 anos, então sim. Uma vez que eles fazem 18 anos, aí tá valendo tudo. Ei, eu não escrevi a lei, só me beneficio dela, diz outra.

Yeah. Tem outros, tipo, “meninos podem se tornar o que quiser quando crescer, cientista homem, policial masculino, médico homem, chefos de equipe e até primeiro cavalheiro do país! Vai lá garoto!” e muito mais, como Claire a CEO se perguntando por que ela tem que ser forçada a contratar um homem quando ela pode contratar alguém mais qualificado…

Como um blogger masculino, eu recomendo a conta para homens internautas sentirem o drama e para as internautas irem à forra. ✊

Frase da semana

“Sucesso não é definitivo. Fracasso não é fatal. É a coragem de continuar que conta.”

Winston churchill

Dica de perfis de YouTube sobre canetas tinteiro

Se você está querendo iniciar no hobby da caneta tinteiro, bem-vindo. Eu falei um pouco sobre como começar na edição #15. E venho dando dicas aqui ao longo das newsletter. Mas se você fala inglês e quer ver vídeos no YouTube sobre o assunto, tem uma comunidade bem ativa de criadores. Eu vou recomendar alguns, começando pelos Big Four:

The Goulet Pen Company

Acesse o canal aqui

Criado pelo casal Brian e Rachel Goulet, é o maior canal de canetas tinteiro, e merecidamente. Existe há muitos anos, e tem muito material, inclusive didático, ensinando desde o básico até o avançado. Os dois fundaram o canal como maneira de promover a loja online de canetas deles, e, rapaz, deu certo.

Os primeiros vídeos, mais de dez anos atrás eram bem simples (Brian na cozinha dele), e hoje são bem produzidos, mas a personalidade dos apresentadores (outros funcionários da loja hoje participam) brilha em todos. Os vídeos de perguntas e respostas do Brian são muito legais (e intermináveis). Hoje ele parou de fazer o P&R, mas tem mais de 200 desses no canal – e falam além de canetas, de empreendedorismo, o que eu acho bem legal e aprendi. Inclusive num deles ele dá a opinião dele sobre mudar de carreira.

Enfim, se você for ver apenas um dos canais que indico aqui, o Goulet Pens é o canal. Ah, e eu já comprei deles. Recomendo também!

Figboot on Pens

Acesse o canal aqui

David Parker tem até nome de marca de caneta tinteiro. Ao contrario do Brian e da Rachel, David não quis transformar seu hobby em profissão, e mantém o canal puramente por prazer. Mesmo assim ele é super produtivo e sobre uma grande quantidade de reviews de canetas, tintas, cadernos. Ele dá informações super completas, e faz uma boa pesquisa antes de falar sobre algo. Além disso é bem detalhista, e descreve e mostra super bem os produtos.

Os vídeos até que são bem produzidos, ainda mais levando em conta que ele faz tudo sozinho nas horas vagas.

sbrebrown

Acesse o canal aqui

E agora outro canal das antigas, com literalmente milhares de vídeos. O nome vem das iniciais do autor, Stephen B. R. E. Brown, ou Dr. Brown: ele tem doutorado em neurociência cognitiva pela Universidade de Leiden. Ah sim ele é holandês, mas os vídeos são em inglês (ele fala inglês, holandês, alemão e francês). Tem um certo senso de humor ácido e ele fez reviews de tudo que é caneta do mundo (e mais algumas). Além de reviews de caneta, tutoriais de manutenção, comparações, ele agora também faz vídeos sobre estoicismo.

Não posso dizer que os vídeos são tecnicamente bons – não é o foco dele, ele liga a câmera e manda ver. E por alguns anos, a câmera dele foi, tipo, a webcam… um exemplo clássico do conteúdo ter prioridade sobre formato… Ah, e vários deles são introduzidos por um cântico bizantino, sem qualquer contexto. Você cai nele vindo do Google, esperando um review de caneta e de repente ANAAÃÃÃÃÃÃÃÃUENNNEEEMMMM!

Heh. Holandeses. Sou fã.

Pen Boy Roy

Acesse o canal aqui

E agora o new kid on the block dos big four. O Pen Boy Roy é o que tem o canal mais recente dos quatro. Os vídeos são bem produzidos, ele bem detalhista e é super honesto nos reviews. Pen Boy Roy diz a real quléquié, e acho dos quatro quem tem os reviews mais equilibrados, entre críticas, elogios e descrição. Mas o formato é… peculiar. Ele também curte um humor, só mais… escrachado. Ele vai zoar a caneta, o fabricante, você… quem vacilar na frente.

Obrigado pela companhia

E por essa semana vou terminando. É quase Páscoa, a primavera está aqui (hoje eu corri de camiseta de manga curta pela primeira vez no ano), e já estou planejando a próxima edição no meu caderno GLP Creations. Para me ajudar a criar as próximas, aproveita e me diga o que achou dessa. Ou mande uma pergunta. Ou sugira um tema.

Eu sempre quero ouvir de você – o blog não tem comentários, mas isso porque deixo esse direito reservado para os inscritos na newsletter. Entra na proposta de fomentar uma relação mais direta entre quem cria e quem consome o conteúdo. O engajamento é uma conversa entre eu e você, e não mais uma métrica a ser avaliada pelo algoritmo. Eu não peço seu comentário para que o algoritmo veja e distribua mais meu conteúdo, nem para impressionar patrocinador com min ha capacidade de “gerar engajamento”. Eu peço porque quero saber o que você pensa. Então responde o email da Newsletter e manda ver. Se não é inscrito ainda, tem um formulário no começo e no fim dessa página.

E antes de me despedir vou deixar meu agradecimento e lembrar que o seu apoio é o que torna isso possível. Se você pode contribuir, aqui está de novo o link:

Muito obrigado de novo, um forte abraço, boa Páscoa aos que acredita em Páscoa, bom feriado a todos e até semana que vem!

Daniel – Daniduc – Ducs
Amsterdam, 31 de março de 2021

Apoiadores da Newsletter: vocês tornam isso possível! ❤️

Muito obrigado aos apoiadores mensais:

Andre U. M.
Camila M. P. G.
Luciana W.
Luiz M.
Rachel A.
Maria Lucia A. L. d. M.
João P.
Adriano A.
Rubens A.
Ida L. D.
Anellena A. dos S.

E muito obrigado aos apoiadores de março

Fabio C.
B. de Almeida L.
Janaína T. do C.
C. Rodrigues d. A.
Brasileiros Mundo Afora (Claudia B.)
Joana M.
Chrysta M. G. P. A.
Ivo Claudio B.
Vinicius P.
Andrei Vinicius d. R.
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