Newsletter do Ducs #23: como a ultramaratona iguala homens e mulheres, sobre não ser branco, uma música que deixou o sistema solar

E aí? Tudo bem contigo?

Aqui o tempo maluco da semana passada ainda apareceu no começo da semana, com mais neve em pleno meio de abril. Depois deu uma melhorada, mas olha, tempo ruim ou tempo bom, tem treino. Isso é algo que sempre me perguntam: e quando tá esse clima miserável, você sai para correr?

Vou falar disso, de um esporte que iguala homens e mulheres, sobre eu não ser considerado branco, Sobre o Brasil ser considerado não ocidental, dar dica de música e uma mensagem para o universo, livro…

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  • Curta a EDIÇÃO #21 AQUI (fotos de Amsterdam antiga e presente, como mudar de carreira, uma tinta especial)
  • Relembre a EDIÇÃO #20 AQUI (despolarizar a conversa política, plano para os seus primeiros 5K, a ultramaratona mais difícil do mundo, reutilização criativa)
  • Se perdeu, leia a EDIÇÃO #22 AQUI (treinando de casa, como superar vergonhas, criando novos hábitos, empreendedorismo feminino na Turquia)

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Treinar em clima adverso

Na Holanda o clima varia entre triste, bisonho, e ensandecido, com alguns dias de sol para encher de esperança os turistas que vem me dizer “ain, que exagero, uma vez eu passei 13 minutos na Holanda e só choveu duas vezes, credo, seu dramento”.

Tá bom, tem dias de sol, mas não são muitos, e na verdade, não são constantes. E no auge do inverno, amanhece quase 9 e anoitece quatro e meia da tarde. Vento frio fatiando a alma em finas camadas de um micrômetro de espessura, mudanças súbitas, tempestades de vento que te arrastam (não é exagero, eu já fui literalmente empurrado para trás pelo vento durante uma corrida, e tive que me abrigar atrás de uma árvore), granizo (corri anteontem com pedras de gelo ricocheteando na minha barba, e de novo, não to exagerando). Enfim. A gente corre. Até no calor, nos dias que faz calor (tem).

Como? Bom, com cuidado e preparo, claro. Eu fiz esse post sobre correr no frio, por exemplo. Mas não é sobre isso que quero falar. É sobre o fato do clima ser adverso ser uma vantagem.

Porque assim… uma das vantagens do treino é te preparar para adversidade e criar resiliência. Aprender a lidar com desconforto quando você pode escolher é excelente para você conseguir lidar quando não pode. Treino não é algo desconectado da vida real, para ser feito em condições ideais de temperatura e pressão. Treino é para a vida real, e tem hora que a vida real não colabora. Na real, raramente ela colabora. Vida real na Holanda inclui clima adverso. A gente leva e busca sagui na escola no inverno, com neve e chuva, a gente vai ao dentista e ao médico com tempestade de vento. Semana passada mesmo, eu tive de ir ao fisioterapeuta, estava naquele clima doido de neve e vento e chuva, e eu fui. Não de carro (não temos, e de toda forma nem posso dirigir devido a minha visão). Transporte público? Corona, cara. Só pego se não tiver outro jeito. E mesmo se fosse pegar, teria de andar. Fui na neve mesmo. A gente tem que tocar a vida o ano todo, não só quando tá bonitinho lá fora. Nisso, não ajuda estar calejado pelo treino?

Isso vale para outros aspectos também. Eu corro para me sentir bem, porque gosto, para melhorar minha saúde, para espairecer, mas eu corro também porque se eu precisar correr por 10 quilômetros numa emergência eu consigo. Não vai acontecer, é? Tomara. Tomara mesmo. Tomara que a escola nunca te chame “seu filho precisa de você aqui”, como já aconteceu comigo. A escola fica a 1,2km de casa. Estava sem a bike. Transporte público ia demorar (só para chegar no ponto, esperar embarcar, desembarcar…), um Uber dava previsão de 6 minutos só para chegar em casa e me pegar. Em 5 eu tava na frente da escola, correndo. Não era grave. Poderia ser.

Enfim, isso é como eu encaro a coisa. Sempre acho curioso as pessoas me dizerem “ai que sorte, Amsterdam é toda plana, não tem subida, bom para correr” e tudo o que eu queria era uma subida decente para eu treinar aqui. A única “colina” da cidade fica no Amsterdamsebos (o maior parque da cidade, muito legal, mas não fica perto de casa)., e é mais um plano levemente inclinado e curto do que uma subida propriamente dita. Mesmo assim, já fui até lá só para correr para cima e para baixo. Mas a maioria das vezes eu compenso a desvantagem de não ter subida aqui com outros treinos.

Inclusive tive que explicar que não tinha acesso a subidas aqui para a treinadora (coach) que vai fazer meu plano de treinos para a ultramaratona que estou inscrito. Repetições em colinas é um dos treinos padrão de resistência.

Que ultra? Que treinadora? Que plano? Vem comigo, vou te contar…

Contratando um plano para uma ultramaratona em 2022

Eu contei o que é uma maratona, uma ultramaratona, a origem de ambas, e qual prova eu me inscrevi na edição #16 da Newsletter – uma das minhas edições favoritas até hoje. Resumidamente (os detalhes estão lá!), ultramaratona é qualquer prova com distância maior que uma maratona. Uma maratona consiste em 42,2km. Se a prova tiver um único e miserável metro a mais, tecnicamente é uma ultramaratona, mas na prática as provas começam a partir de 50K.

A prova que estou inscrito é uma volta na ilha de Texel, cerca de 60K, e ocorre bianualmente. Tem praia, trilha e um monte de asfalto. Eu já visitei Texel, e é uma linda ilha. Vai ser divertido… (famosas últimas palavras).

Bom, vai ser divertido se eu me preparar, claro. E para isso eu preciso de um plano. Eu já mencionei que curto os planos online do Ben Parkes, um YouTuber de corrida que já indiquei várias vezes. Problema: a seção de planos de ultra dele está vazia.

Solução: eu resolvi usar meu app de orçamento doméstico e construir a reserva para contratar um plano personalizado. Aí ele cria um plano personalizado para você e para a prova específica que você irá participar, com o objetivo que você quer atingir, adaptado a sua realidade.

Quer dizer, ou o Ben cria, ou a esposa dele, a Sarah Place. Sarah é ultramaratonista, youtuber, e no geral uma badass. Eu escolhi fazer o plano com ela. Mandei email, fiz pagamento, preenchi um formulário e marcamos uma ligação para ela entender quem eu era, meus objetivos, realidade, condição física, histórico, etc. Foi um dialogo curioso.

— Sua primeira prova foi uma meia maratona?!
— Isso.
— Não quis começar com um 5k, ou um 10K, ou isso seria muito razoável?
— Bem…
— E você já correu uma maratona?
— Não.
— E está inscrito numa ultra?
— É. Eu tenho esse amigo (o internacionalmente famoso @hastagfeet, aka Érre), ele tinha me chamado para correr uma ultra um dia, e eu tava hesitando…
— Okay…?
— Quer dizer, eu queria, mas estava postergando pro futuro, um dia, mas aí…
— Ele te convenceu?
— Pode-se dizer que sim. Ele teve um AVC.
— Oh não?! E você quer fazer a ultra por ele?
— Não. Com ele.
— Com… ele?
— Sim.
— Seu amigo sofreu um AVC e resolveu correr uma ultra?
— Não, não. Ele já tinha resolvido antes do AVC.
— Ah.
— E aí? Que acha? Pode fazer o plano para mim?
— Claro, por que não? Vai ser divertido.

Hey, ela é ultramaratonista. Ou você é razoável ou é ultramaratonista, não dá para ser os dois. Pelo jeito ela achou que eu e o Érre temos a atitude certa… 🤷🏻‍♂️

Agora estou aguardando o plano da Sarah. Uma curiosidade sobre ultramaratonas é que ela iguala a diferença entre gêneros. Sabia que em distâncias de e ultra, mulheres competem com, e frequentemente ganham, dos homens? É real! A resposta para a pergunta “em geral, quem é mais rápido em provas, homem ou mulher?” é “depende da distância”. Na ultra, testosterona não manda.

Mulheres estão dando ralo nos homens na ultramaratona

Eu comentei já que nós seres humanos evoluímos para correr. Não para correr rápido, mas para correr longe. Por muito tempo. Se você leu o “Nascido para Correr” de Chris McDougall (indiquei ele na edição #4), você conhece essa hipótese. Antes de surgirem as armas, seres humanos caçavam na resistência. Correndo atrás de uma presa até ela colapsar de exaustão. Não importa o antílope disparando na frente, nossos ancestrais davam perseguição, lenta e constante, sem dar intervalo para o bicho descansar. Isso é chamado de “persistence hunting”.

Você vê, nós somos muito eficientes em dispersar calor (suamos muito bem, por todos os poros, sem pelos atrapalhando na maior parte do corpo), economizar energia na corrida (com retorno elástico dos tendões) e mais diversas outras adaptações que deixa bem claro: nós somos corredores de resistência.

Agora, pensa: qual o sentido de você perseguir uma presa por 70 km e ai ter que voltar porque as mulheres da tribo ficaram algumas dezenas de quilômetros lá atrás? Nope, brother, elas iam junto.

É claro que a testosterona ajuda nos sprints finais, e nisso homens jovens tem a vantagem. Mas na distância a testosterona não canta, e os quilômetros acumulados igualam geral, homens, mulheres, jovens, idosos… a tribo toda.

Quer um exemplo? Só googlar. Tem inúmeros. Diversas mulheres ganharam provas de utramaratona. Ganharam com tipo, horas de vantagem sobre o primeiro homem. Ah, e várias delas? Amamentando.

Que nem a Jasmin Paris, que ganhou a Montane Spine Race, de 435 km (não é typo. Quatrocentos e trinta e cinco quilômetros). Ela não só ganhou: quebrou o recorde da prova em mais de 12 horas. No inverno. E isso contando que ela bombeava o leite nas estações de ajuda intermediárias.

(Foto: Divulgação Spine Race)

Mas ela é só um exemplo. Porque assim, as mulheres não estão só igualando os homens na ultra. Elas estão ganhando, cada vez mais, conforme a modalidade fica mais popular e mais mulheres olham os exemplos de corredoras como essa imagem da Sophie Power:

(Foto: Strava)

Mas tipo, esses são apenas exemplos de mulheres que estavam amamentando, e chamam atenção. As mulheres estão ganhando ultras amamentando ou não. Depois da Jasmin, outra mulher ganhou a mesma prova: Sabrina Verjee venceu a versão de verão a corrida, colocando quase sete horas em cima do segundo colocado (que aconteceu de ser homem). Ah, dá para passar a tarde toda citando exemplos

Só mais um: teve esse caso, onde uma mulher chamada Ellie Pell ganhou uma corrida de 50K e o segundo colocado foi homem e não tinha um troféu para ele. A direção da prova tinha criado dois troféus: primeiro lugar geral e primeiro lugar feminino. Ela foi o primeiro lugar geral e o primeiro lugar feminino, então ficou com os dois. Ela se sentiu mal pelo cara, e convenceu a direção fazer um troféu “Primeiro Lugar masculino” para ele. A direção da prova disse que nas futuras edições eles vão ter troféus para os seis primeiros lugares, sem especificar gênero.

Yeah. Desculpa Ben Parkes, sou seu fã, mas eu pedi para a Sarah fazer meu plano…

E por falar em estereótipos e definições, me perguntaram se sou considerado branco aqui na Holanda, e muita gente descobriu no Insta que eu não sou branco, apesar de saber minha aparência…

Sobre etnia e raça: você me considera branco?

O único lugar que já estive até hoje onde me consideram branco é no Brasil. Em todos os outros países onde fui, sou considerado não branco. A definição exata varia, mas a unanimidade é que eu sou o que em inglês eles chamam de PoC (Person of Color). Note que não apenas os brancos me consideram assim: outras PoC também.

Por exemplo, quando participei de uma palestra num congresso sobre Blogs de Turismo em Rotterdam, uma mulher negra, americana (dos EUA) veio me cumprimentar, porque eu era o único palestrante não branco da convenção toda – e ela me considerava um exemplo. (Havia pessoas de diversas nacionalidades, mas realmente todas brancas).

E aí?

Ela não é o único caso, claro. Mas é meio bizarra essa discrepância de visão. Eu recebi respostas até um pouco agressivas no insta querendo me definir como branco ( branco “moreno”) e achando absurdo sequer o questionamento. Eu abri uma enquete “você me considera branco ou não branco”. A maioria das pessoas respondeu “branco”, um resultado que seria impossível de reproduzir aqui na Holanda: nunca encontrei, nesses 13 anos, um único holandês, de qualquer background, que me considera branco. E note que isso não tem a ver necessariamente com situações de preconceito ou definições arbitrárias. Meu médico recomendou eu tomar vitamina D o ano todo, por ter pele mais escura. Meu tatuador comentou que estava ajustando a saturação das tintas para destacar os detalhes devido a cor da minha pele (tenho duas tattoos feitas por ele). Ficaram sensacionais, aliás, se é que posso falar eu mesmo.

Agora, sabe quem estava entre os poucos brasileiros que responderam “não branco”? Minha mãe. Ela deveria saber, pois enfrentou bastante preconceito da família do meu pai (que é indubitavelmente branco) quando casaram. Mundo louco, né?

Eu e meu sagui mais novo

E se quiser sentir um pouco dessa desconexão, independente da sua cor de pele, eu te ajudo. Saiba que independente da cor de pele, se você é brasileiro, não é considerado ocidental aqui na Holanda. O Brasil não é ocidente aqui. Calma. Calma.

Essa definição é bizarra e não tem nada que ver com a geografia (o Brasil fica a mais ocidente do que a própria Holanda). É uma definição meio… estranha e tem muita discussão sobre, e não tem um consenso estrito. Tem gente que considera a América Latina como uma espécie de “descendente” do mundo ocidental. Tem gente que considera totalmente a parte. Tem muita discussão acadêmica sobre a tal civilização ocidental e quem faz parte dela. Já vi até, juro, gente dizendo que a Grécia não era parte do mundo ocidental. Os caras inventaram o mundo ocidental! WTF?

Isso demonstra que a discussão acadêmica nada tem que ver com a ideia geral de “ocidente” que existe aqui. Não entre os acadêmicos que estudam o assunto – to falando das pessoas comuns. Tanto quanto eu pude perceber, a regra é assim: para eles considerarem um país ocidental, ele tem que ser rico e a elite que manda nele tem que ser branca. Apenas um ou apenas outro não caracteriza.

Por exemplo: Japão é rico, mas a elite que manda não é branca. Não ocidental. Brasil? Pode ter uma elite branca mandando, mas é pobre. Não ocidental. Finlândia? Rica e elite branca. Ocidental. Ou seja, os únicos países ocidentais são: Europa ocidental, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

De novo: desconcertante., né? Quando eu digo que mudar de país é um choque, pessoal acha que é só porque os caras comem picles de arenque…

Dica de Livro: World War Z

World War Z (Guerra Mundial Z)
Autor: Max Brooks

Se você ainda não cansou do gênero Apocalypse Zumbi que o mundo real resolveu entrar desde 2020, pode ler esse livro. Ele conta como a humanidade enfrenta os zumbis, o colapso da civilização e tudo em detalhes bem realistas. O autor fez um excelente trabalho de imaginar como uma praga se espalharia pela humanidade devido à incompetência, covardia, ganância, como governos tentam esconder fatos “para evitar pânico” (e como isso dá errado), como corporações tentam lucrar com a situação (resultando em mais desastre) e…

Uh… talvez o autor tenha mais capacidade de observação do que imaginação. O mundo não precisava, porém, de uma demonstração tão convincente.

Mas se serve de consolo, esse mesmo autor imagina como conseguimos nos reorganizar, e em última análise, combater o problema. A história é contada através de relatos, supostamente relatos orais, dos sobreviventes, e a intersecção desses relatos constroem os acontecimentos, a história e, ao fim, todo um mundo (mais ou menos) fictício.

Eu li antes tem um tempo, mas depois de 2020, estou seriamente considerando reler.

Na Amazon em português.

Dica de Música

Uma outra coisa que herdei de minha mãe é o gosto pelo blues raiz. Eu sei, eu curto metal, e muita gente acha que curto só metal, mas não é o caso. Eu amo blues raiz, delta blues, gospel blues…

A minha dica de música hoje é uma que tem vocal, mas não tem uma letra. Chama “Dark was the night, cold was the ground”, de autoria de Blind Willie Johnson. Uma das apenas trinta músicas que ele gravou, consegue transmitir sentimento sem palavras, usando a voz como mais um instrumento. A primeira vez que ouvi, as lágrimas escorriam sem eu nem perceber.

O sentimento é universal. A música foi selecionada para fazer parte do “disco dourado” das sondas Voyager. Lançadas nos anos 70, elas iriam investigar o Sistema Solar e depois seguir além. Elas estão operando até hoje e ambas já deixaram o sistema solar (a Voyager 1 em 2012 e Voyager 2 em 2018). Em ambas há um disco feito de ouro, contendo sons do planeta terra. Sons da natureza, exemplos de linguagem e vozes humanas e algumas músicas. Entre elas, “Dark was the night, cold was the ground”.

Carl Sagan definiu o disco dourado como uma “garrafa no oceano cósmico”. Mas a mensagem está disponível para você aqui mesmo:

Adeus a uma gatinha

E agora uma notícia pessoal. Essa semana foi meio tumultuada, com um sagui aniversariando, e uma semana de treinos. E aí teve a Boo.

Boo era nossa gatinha, parte do casal de gatos (o outro era o Linus) que pegamos na rua, ainda no Brasil, lá em 2004. Eles vieram conosco para a Holanda, depois de ficarem uns meses com nossa cunhada enquanto a gente se ajeitava aqui. Eles viram nossos saguis nascer, e muitos ronrons produziram juntos, incluindo alguns em formato de bola dentro do berço (para choque da sogra).

Linus se foi em 2016. E sábado dia 10 de abril, Boo se juntou a ele, com respeitáveis dezessete anos de idade. Pudemos nos despedir e pudemos ajuda-la em seus momentos finais, o que me consolou um pouco. Ela foi em paz, como viveu. Levou uma parte de nosso coração com ela, mas tudo bem. Graças a Boo ele era maior mesmo.

Frase da semana

“So in the end, the love you take is equal to the love you make.”

Paul Mccartney

Obrigado!

E ainda tenho alguns desafios nessa semana, então vou encerrar essa edição por aqui. Sem problemas, os assuntos estão guardados (nada expira) e vão continuar vindo enquanto eu tiver o privilégio de poder manter esse projeto.

Para isso, como disse, conto com o seu apoio. Além do apoio monetário, você pode me ajudar espalhando a newsletter para pessoas que acha que irão curtir (não posso, por motivos óbvios, contar com o algoritmo distribuindo esse conteúdo).

Outra maneira que você pode me apoiar: responde ao email e me manda seu comentário ou relato. Eu não peço isso para “aumentar engajamento” como uma métrica (mesmo porque, sendo uma resposta de email, o algoritmo nem tem como mensurar isso). Eu peço para saber que essa “garrafa no oceano” que lanço semanalmente, chegou a alguém e não estou sozinho.

E na verdade, não estamos sozinhos. Estamos todos juntos nesse ponto azul pálido no espaço, como disse Carl Sagan (o famoso cientista, e um dos responsáveis pelo disco dourado da Voyager). Todo mundo – homem, mulher, branco e não branco, somos todos feitos para resistir, e somos todos Pessoas, Independente da Cor. Brigamos, é verdade, mas toda família briga. Ainda temos uns aos outros, e tudo que temos é uns aos outros.

Obrigado por me fazer companhia nesse ponto azul. Até semana que vem

Daniel Duclos – Daniduc 🤘

PS. Eu vou precisar cancelar o Encontro Ducs desse mês. Seria sábado. Em maio tem de novo

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Adriano A.
Rubens A.
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Patricia F. H.
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Janaina T. P. do C.
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Fabio de A. dos S.
Cristiane P. d. O. e B.
Renata S.

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