Newsletter do Daniduc #33: uma bike de mais de 5000€ para substituir um carro, monstros e metáforas, desenhos no outono

E aí? Tudo bem contigo?

Entrou o outono aqui na Holanda, o que quer dizer dias mais curtos (no inverno, ainda é noite na hora que as crianças entram na escola, as 8h30), chuva, e árvores coloridas. Eu gosto de árvores coloridas.

Até a chuva pode ser bonita. Muita gente é fã da chuva. Se você é uma dessas:

Também quer dizer que estamos chegando em um ano de Newsletter! A primeira foi enviada dia 14 de outubro do fatídico ano de 2020. Interessante que na primeira edição, eu já abria dizendo que iria parar com os Stories no Insta. Acabei voltando uns meses depois, mas no fim eu acabei reforçando a certeza de que parar seria a decisão certa – acabei por deletar minha conta e o app (junto com o WhatsApp e Facebook). Agora, a gente fala por aqui. Esse é uma dos aprendizados positivos nesse um ano de Newsletter: dá para viver num rimo mais humano de produção e consumo de informação. Há alternativas. E se você por acaso ainda não está na lista de emails, entra aqui:

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E vamos aos assuntos dessa edição:

Edições anteriores da Newsletter

Muita coisa rolou nesse 1 ano de Newsletter, e está tudo acessível para você curtir, com as dicas e histórias ainda válidas. É um bom momento para você se inteirar da saga até aqui. Vou começar deixando, como sempre, os links para as edições mais recentes. De lá, você pode ir pulando de uma em uma, até chegar de novo no início…

  • A edição #32 eu contei sobre alimentação saudável para crianças, dicas de escrita, músicas cover mais famosas que as originais, um jogo mágico e a origem do laconismo
  • Na edição #31 eu falo sobre porque deletei meu Instagram, WhatsApp e Facebook, doenças da vida moderna, como passei a gostar de esporte e o que corrida de resistência me ensinou para a vida
  • A Edição #30 está nesse link, para você ler sobre porque saí da área de turismo, mudança de carreira, dicas para melhorar sua corrida, dica para usar a Siri e dois podcasts que participei

Uma reflexão sobre “hipocrisia”, a atitude do tudo ou nada (e uma dica de livro)

Eu estava lendo o livro “In it for the long run”, do ultra runner britânico Damon Hall. É um livro que conta sua trajetória de repórter esportivo a se descobrir um ultramaratonista de elite com quase quarenta anos de idade. Eu já comentei como a ultramaratona tem o dom de ser inclusiva (com as mulheres muitas vezes dando ralo nos homens, a ponto de alguns corredores masculinos especificarem que ganharam a “prova dos homens”, porque chegaram em segundo ou terceiro lugar geral. Heh). É um esporte onde o que manda é a resistência, determinação e não a testosterona – que também decai a partir de uma certa idade.

O livro tem o senso de humor autodepreciativo de Damon, o que particularmente curto, mas alguns dos trocadilhos “de pai” podem fazer você dizer “ai”. De novo… eu curto. Mas além de aventuras em paisagens britânicas por distâncias excruciantes, o livro trouxe em um momento uma reflexão que achei interessante.

Ao praticar seu esporte, Damon tem contato intenso com a natureza, e o estado dela é preocupante. Tentando fazer alguma coisa para ajudar, ele procurou maneiras de diminuir o impacto que ele e sua família têm no meio ambiente. No livro ele descreve as razões e atitudes, que são relevantes. Porém, queria destacar uma outra reflexão: ele hesitava em começar a mudar e falar sobre questões importantes para ele por medo de ser chamado de hipócrita. É impossível viver a vida perfeita, com absolutamente zero impacto ambiental, e portanto, que moral ele teria de promover atitudes sendo que sempre seria possível achar algo que ele fizesse que contradizia os ideais promovidos? E assim ele seguia paralisado.

Até outras pessoas apontarem que não só não é preciso, como não é possível ser perfeito, e não faz sentido não querer melhorar por esse motivo. “Se você não puder falar nada até estar vivendo numa cabana off-grid no meio da floresta comendo apenas cogumelos colhidos, bem, ninguém nunca vai poder falar nada até ser tarde demais”.

Quantas vezes a gente coloca as questões da vida em termos de tudo-nada, e, como tudo não é possível, escolhemos nada? Se não somos totalmente coerentes no modo de vida, gerando impacto zero, então não podemos falar em como diminuir o impacto? Expandindo isso um pouco além da causa promovida por Damian, eu acho uma excelente reflexão.

  • “Ah, não consigo comer 100% saudável 100% do tempo, então dane-se, não há o que fazer”.
  • “Queria fazer um journal, mas não consigo todo dia, sempre paro alguma hora, então não vou nem começar”
  • “Não fui treinar hoje, então não vou mais treinar, não consigo”
  • “Só eu separo plástico no meu prédio, não faz diferença, não vou mais separar”

Acontece que a vida não é binária, é analógica. É um gradiente, não um botão liga-desliga.

Eu vejo essa atitude em toda a parte, manifestada em diversas formas. Outra forma que o tudo ou nada atrapalha nossa vida: quando somos iniciantes e vemos que não conseguimos algo avançado, nos comparamos e desistimos de sequer começar. Juro, já vi gente dizendo “queria fazer um blog, mas eu vejo o seu (na época o Ducs Amsterdam), super avançado, não consigo isso, não vou nem fazer”. Ou mesmo sem ser iniciante: eu nunca vou ser um corredor de ponta, elite ou sub elite ou algo assim. Não tenho qualquer talento particular para a corrida, sou bem mediano (para não dizer medíocre), e isso não tem a menor importância! Eu curto correr, me faz bem, e é o que importa! (Falei sobre isso na edição #31)

É um chavão, mas é verdade, e tendemos a nos esquecer quando mais importa: ninguém nunca vai ser perfeito, ou totalmente coerente. E não precisa ser perfeito, não precisa nem sequer ser sempre melhor. Basta continuar, mesmo, na verdade especialmente, depois de uma falha ou parada. Pequenas atitudes ao longo do tempo se somam.

Note que eu estou falando de mim mesmo: muitas vezes adoto esse tipo de pensamento – mais recentemente em agosto. Eu não conseguia terminar a edição completa da Newsletter, então não mandava nada, e isso resultou num ciclo onde parei de enviar qualquer email por mais de um mês. Silêncio. Teria sido muito melhor eu simplesmente mandar um update, algo mais curto, um “oi, está acontecendo isso, não tenho ainda a edição completa, aqui está uma pequena dica enquanto isso”, até completar a edição. Mas ao menos aprendi, e hoje é o que faço. Se na semana não tem a edição completa, vai um update mais curto.

Falhamos sempre, em alguma medida. É parte de sermos humanos. Mas querer melhorar também é.

Carregando crianças de bicicleta na Holanda: uma bicicleta elétrica de mais de €5000 que funciona como o carro da família aqui em Amsterdam

Quando mudamos de São Paulo para Amsterdam uma das mudanças mais óbvias no nosso estilo de vida foi largar o carro e trocar por uma bicicleta. Eu não posso dirigir, e a vida de pedestre em Sampa era bem desconfortável. Não sei hoje, mas na época era uma cidade hostil aos pedestres. A Carla dirige, e era o que salvava. Aqui, o uso da bicicleta é parte da estrutura da vida: os holandesinhos aprendem a andar de bicicleta com uns 3 anos de idade. Sendo que eles aprendem a andar entre um e dois anos de idade. Isso significa que ao longo da vida, não tem diferença prática entre o tempo em que eles sabem andar e o tempo que eles sabem andar de bike.

(Embora esse uso da bicicleta na sociedade não veio de graça: os holandeses lutaram por décadas para conseguir. Contei essa história no Ducs Amsterdam).

Com a bike predominando tanto no estilo de vida holandês, logicamente seria necessário uma maneira de carregar a saguizagem (criançada) de um lado pro outro de bici também. Nisso surgiram várias soluções. Tem, por exemplo, a mamafiets. Holandês não acredita muito na barra de espaço do teclado, mas vamos lá: fiets é uma das palavras para bicicleta em holandês, e Mama…. bem, é mama. Mamafiets = bicicleta da mamãe. Okay, Papas também usam (eu mesmo usei um tempo, até roubarem nossa mamafiets).

A mamafiets tem espaço para duas cadeirinhas, uma bem na frente do/a piloto/a (o que muito enerva os estrangeiros desacostumados com a visão, mas na real fica bem no centro de gravidade da bicicleta, super seguro). A bike é pesada e super estável.

Essa é uma bike normal, e essa é a Carla pedalando aos 9 meses de gravidez. Ela daria a luz dois dias depois. Isso sim é uma “mamafiets”.

Bicicleta para carregar crianças na Holanda: bakfiets, a bike caixote

Daí tem o próximo nível de carregamento de saguis, a bakfiets. Vamos ao dissecamento de palavra holandesa (já mencionei que holandês é uma língua-lego): fiets você já sabe. Bak é caixote. Uma bike caixote feita para carregar as crianças feito carga de carrinho de mão, só que movido a bicicleta. Assim:

Foto: Amsterdamize (CC BY-NC-ND 2.0)

O nome Bakfiets é na verdade uma marca de bicicletas, mas acabou virando o nome genérico de bikes-caixote. E por muitos e muitos anos, os modelos desse tipo de bike eram feitos de madeira, o caixote um literal caixote. Eram pesadas para pedalar, um pouco desajeitadas para manobrar, o que meio que limitava um pouco a sua adoção generalizada. Aí em 2010 surgiu em Haia uma empresa chamada Urban Arrow.

Bicicleta ou carro elétrico de duas rodas? Mobilidade urbana ecológica e moderna (por um preço)

Na época a tendência de criar alternativas ao motor de combustão estava acelerando e os fundadores da Urban Arrow resolveram criar o que eles chamaram basicamente de um carro elétrico de duas rodas. Com materiais modernos (leves e resistentes), alta tecnologia e inovação, eles deram uma revolucionada no mercado. Super ágeis, as bikes tem computador de bordo e assistência de motor (você ainda tem que pedalar, o motor só ajuda, e ele desliga se você passa de 25km/h). Virou imediatamente sonho de consumo meu e da Carla.

O problema: elas são caras Mas caras de verdade. Sempre fica na dúvida de colocar tanto dinheiro numa bicicleta, mas quando a gente pensa na proposta da marca: ser o carro da família numa cidade que se move em duas rodas, fazia sentido, ainda mais somado com o fato de eu não poder dirigir, mas poder pedalar. Finalmente em 2017 conseguimos juntar o dinheiro. Optamos pelo modelo do meio. Eles oferecem três opções de motor, com potências diferentes. Apesar de Amsterdam ser plana, achamos que a versão mais fraca poderia ter dificuldade no vento holandês (o vento é a subida da Holanda, e está sempre contra) e as eventuais pontes, ainda mais com a Carla sendo menor e tendo que manobrar a bike com duas crianças dentro. O modelo mais potente, por outro lado, dizem ser capaz de escalar montanhas e subir em árvores, então achamos meio overkill e resolvemos economizar um pouco. esmo assim, juntando todos os upgrades (optamos por uma corrente de fibra de carbono, mais durável, silenciosa e resistente) e acessórios (já falo deles) deu mais de 5000€. Mais precisamente €5180. Ouch.

Foto: divulgação Urban Arrow

Por outro lado, logo que compramos notamos onde o dinheiro foi: a bike é de fato toda modernosa, cheia de inovações espertas e soluções práticas. O cinto de segurança é magnético, tem um botão chamado “walk” no guidão, que ajuda quando você está empurrando a bicicleta (ativa assistência do motor até 6 km/h, perfeito para empurrar a bike numa subidinha ou com saguis dentro), espaço para as crianças colocarem os pés na hora de subir, a capa do caixote tem uma elevação para evitar acumular água da chuva. E isso é o modelo 2018 que compramos (lançado em 2017), imagino que as atuais sejam ainda mais modernosas. Eu sei que eles lançaram uma capa de chuva maravilhosa, que acabamos de comprar para substituir a antiga, que estava nas últimas. O que me leva aos acessórios.

Capa de chuva é essencial aqui na Holanda. E é cara, mais de 300€ (320€ para o modelo novo, com mais espaços e features). O que é um dos problemas de se ter uma Urban Arrow: sendo cara e cobiçada, ela é um alvo óbvio para furto. E se deixar a capa de chuva sem proteção, já era. Mas tem o que fazer.

Lidando com furto da Urban Arrow e seus acessórios

A Urban Arrow vem com trava para a bateria removível, para a roda traseira e o computador de bordo é removível. Obviamente que isso não é suficiente. Uma corrente grossa para o frame é essencial (pagamos mais de €100 numa Abus), e nossa bike tem também um adesivo informando que ela tem rastreio por GPS. Será que colocamos mesmo um Air Tag nela? tente a sorte. Para a capa de chuva, eu aprendi minha lição depois de ter uma surrupiada de cima da bike, para infelicidade dos dois saguis molhados e com frio no dia do ocorrido. Eu comprei uma correntinha de bicicleta dessas flexíveis e passei entre o frame e a capa. Além disso, eu pegue uma caneta permanente e desfigurei a capa inteira. Escrevi o número do frame da bike, coloquei NOT FOR RESALE, rabisquei ela toda, basicamente tornando invendável: além de desvalorizar totalmente a capa, eu deixo óbvio que ser for para revenda, é roubada. A pessoa não pode alegar “inocência” ao receptar produto roubado. Quando trocamos a capa outro dia, fiz o mesmo.. Quero ver o pilantra postar fotos no marktplaats que nem o primeiro que furtou nossa capa fez.

Claro que nada disso é garantia de nada, e como não temos alternativa a não ser deixar na rua, fizemos seguro total, acessórios inclusos. Sim, fiz o BO, reportei na seguradora, e me reembolsaram a capa. Como sempre me perguntam: optamos pela UNIGARANT, e estamos satisfeitos. Inclusive já acionei duas vezes apenas para eles trocarem pneu furado (malditos cacos de vidro). Eles vêm com uma van-oficina e consertam sem custo adicional. Estamos renovando desde 2017, e um dos anos ele já se pagou só com o furto da capa. E assim podemos usar com alguma paz de espírito. Não tem graça gastar 5 paus num brinquedo e viver com medo de usar (nem vou entrar no mérito da segurança urbana – aqui tem furto, mas pessoa te abordar com arma é um risco mínimo. Esse é um dos muitos motivos que optamos de mudar para Holanda).

Usando a Urban Arrow na pratica: ela substitui mesmo o carro da família?

Após quase 4500km rodados com a Urban Arrow desde 2017, eu posso dizer que foi um dos melhores investimentos que fizemos. A bike tornou muito mais fácil se locomover com a família em Amsterdam, e só o ganho de tempo no transporte casa-escola-casa já valeu de longe o dinheiro. A escola fica a menos de 1,5km de casa, uma distância que não compensa muito esperar (e pagar) transporte público (ainda mais numa base diária, com tempo apertado). Com a bike chegamos em menos de 10 minutos, as vezes 5, e isso é só tempo de caminhar até o ponto e esperar o tram. E a pé com duas crianças (especialmente no inverno com clima inclemente), quer dizer, não tem nem comparação. E depois, tem os programas de fim de semana.

Por falar em clima inclemente… sim, pedalamos na chuva, na neve e no vento. Pode-se argumentar que nesse caso um carro é mais confortável, mas o custo de se ter e manter um carro em Amsterdam, para andar diariamente 1,5km ida e volta… melhor por a capa de chuva e as luvas. Deixa o cappuccino na volta mais gostoso.

E a Urban Arrow é gostosa de dirigir, super ágil e poderosa no trânsito de ciclistas, onde ela se impõe (quem pedala aqui sabe que o trânsito de bike é notoriamente agressivo. Os holandeses mesmo dizem que pedalar em Amsterdam é outra coisa). A agilidade vem do design equilibrado em duas rodas e da potência do motor elétrico. Muita gente fica meio cabreira ao ver que tem de manobrar uma bike de transporte de crianças em duas rodas, acreditando que três rodas seria mais estável… mas é o inverso. Já tentou fazer curva com uma bakfiets de três rodas? É como girar um caminhão, e já vi triciclos desses capotando na curva, enquanto a UA zooom, só inclina e vai.

Foto: divulgação Urban Arrow

Mas a bike tem features de segurança: o caixote é feito do mesmo material dos capacetes de bicicleta, efetivamente colocando seus filhos dentro de um gigantesco capacete. O cinto de segurança é ótimo e deixa os saguis seguros no lugar. Mesmo se a bike cair, eles ficam de boa (assustados, mas intactos). O apoio é super estável, e quando você para a bike, ela está parada.

O problema maior é achar onde parar… a UA é uma bike grande, e os racks de Amsterdam estão meio lentos para se adaptar a isso. Parece que onde você estaciona, está no caminho de alguém (e holandês reclama mesmo). Isso tem melhorado nos últimos anos, era pior em 207, quando tínhamos recém comprado a bicicleta. Ainda bem, porque a UA está dominando as ruas de Amsterdam. A ponto de agora ter uma empresa que permite você compartilhar uma Urban Arrow…. o que é útil até para quem não tem crianças, mas precisa pontualmente transportar algo.

O caixote é maior que parece e carregou nosso saguis até a mais velha fazer 9 anos, quando ela passou a ir com a própria bici para escola. Mas eventualmente ela ainda entra, mas agora ela com 10 anos e o menor com 7, fica apertado. A Urban Arrow continua fazendo o pingue-pongue, mas só com o menor dentro.

Já estou grande!

Manutenção da Urban Arrow

E a manutenção? Certamente nesses anos e quilômetros rodados, tivemos manutenção. Nem vou contar os pneus furados, isso acontece independente. Nesse tempo tivemos que trocar pastilhas de freio (várias vezes), um rolamento, update de software pro computador, um cabo de câmbio que quebrou. Quebramos uma trava da roda traseira porque certas pessoas que não citarei nome mas são casadas comigo esqueceram de destravar a bike e puseram em movimento. A trava fez o seu trabalho, travou a roda e quebrou (travando). Tivemos de trocar.

(Okay, esse é um erro comum e eu mesmo quase fiz a mesma coisa muitas vezes).

As peças são caras, como esperado. A solução foi criar uma categoria no orçamento onde eu separo um montante por mês, todo mês, para manutenção da bike. Faço isso usando o software de orçamento doméstico que uso, o YNAB, e expliquei nesse post. Eu também tenho um categoria para pagar o seguro anual, assim quando chega a hora, já temos o dinheiro separado.

Que mais? Ah sim, em dias extremamente frios, o cabo do câmbio congela. deixando a bike na marcha que ela estiver até as temperaturas subirem. Yeah, o câmbio é hidráulico. Aliás, isso é uma coisa legal: a bike tem um sistema de marchas infinitas: em vez de selecionar primeira, segunda etc. você girar uma manivela no guidão e seleciona a quantidade precisa de torque desejada. Só lembrar que quando a bike está estacionada, há um alcance menor, então se você precisa da ajuda da marcha para arrancar, melhor colocar no mínimo antes de parar. Depois de um tempo fica automático.

E acho que é isso. Esse é nosso “carro” em Amsterdam, certamente um investimento alto, e com suas desvantagens, mas que no balanço geral permitiu a gente aproveitar muito mais nosso tempo e um estilo de vida que a cidade oferece. Que achou? Eu estou bem curioso para saber suas impressões. Me manda um email na lista!

Falando de filmes: Godzilla e a agressão nuclear

Eu vou confessar: eu gosto de filmes de monstro. Me processe. Eu gosto, desde criança, quando fui doutrinado pelos seriados japoneses de monstros de borracha destruindo cidades de brinquedo, estilo Spectreman, Ultra Seven, Robo Gigante. Animação tosca de stop motion? Amo, vendo o elo Perdido na TV lá no fundão dos anos 80. King Kong? Vi tudo, do clássico de 1933 até a bomba dos anos 70 e a infeliz refilmagem do Peter Jackson.

Quando eu era moleque eu só poderia sonhar com o Monsterverse 4K criado pela Warner Bros e Legendary. Desnecessário dizer que assisti todos, o mais recente sendo Godzilla vs Kong. É ÓBVIO que assisti! E no monitor 4K do meu novo iMac…. glorioso.

É claro que filmes de monstro são puro entretenimento que apela para meu lado infantil. Kong vs Godzilla promete uma única coisa, o que está no título, e entrega exatamente isso. Honesto. Descerebrado, mas honesto. Terra oca pré histórica, MecaGodzilla, Kong com machado atômico, o pacote completo, maravilhoso.

Agora, você já assistiu o Godzilla original, filme japonês de 1954? Estou assumindo que não. Eu assisti. E é surpreendentemente um filme sério.

Já parou para se perguntar porque esses monstros sempre estão destruindo cidades japonesas? Sim, a Bomba Atômica que arrasou duas cidades japonesas. Feito menos de uma década depois de Hiroshima, o filme é uma metáfora clara para a agressão nuclear de 1945. A radiação do monstro causa miséria e destrói cidades, e em 1954, ainda sob censura dos EUA, os japoneses acharam uma maneira de processar o trauma falando dele indiretamente, através de arte.

Godzilla, o monstro pré histórico despertado e transformado pela radiação, não é malvado nem bonzinho, Godzilla é a Natureza subvertida e fora de nosso controle. Eu acho brilhante, ainda mais dentro do contexto histórico de sua criação. Assista se tiver oportunidade (eu tive de caçar para achar, não é fácil). Assista com a mente aberta e um saco de pipocas. Agora, se você quer esquecer a parte da mente e ficar só com as pipocas, os novos filmes fazem um bom trabalho. Diversão-bônus para o Monsterverse: ver quantos filmes clássicos e sérios eles citam por minuto. De Kubrick a Coppola, eles chupinh… huh, “homenagearam” tudo. De novo: maravilhoso, hahaha!

De presente pra você, o King Kong de 1933:

Desenhos no outono (inktober)

Eu estou fora do Instagram, mas eu vou deixar aqui alguns desenhos que publique na minha ex-conta lá. Em outubro rola o Inktober, onde os participantes tem um tema por dia (uma palavra) e podem criar um desenho com ele. Eu participei em 2018, todos os 31 dias. Aqui estão alguns:

Frase da semana

Obrigado

Okay, espero que tenha gostado dessa edição. Eu fico por aqui, e como sempre, agradeço a sua atenção e companhia ao longo desse novo caminho. Vamos caminhando e aprendendo juntos!

Um abraço e até a próxima

— Daniduc

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