De como mídias sociais nos tornam menos humanos (a hora de usar tecnologia a nosso favor)

Há alguns anos atrás resolvemos dar controle das nossas vidas sociais para o Mark Zuckerberg e companhia limitada. Eles predaram e exploraram e distorceram uma das bases do que nos torna humanos: nossas relações sociais. Somos, como diz o clichê, animais sociais. Parecia uma boa ideia, claro, extender essas relações além dos limites físicos de uma maneira exponencialmente maior do que qualquer serviço postal ou telefone jamais tornou possível. Não foi uma boa ideia.

Foi uma péssima ideia.

Já seria má ideia se feita de boa fé: toda relação próxima gera desgaste, e desgatar as relações pessoais em escala industrial é desgastar algo que precisamos para existir de maneira coesa (e, francamente, como espécie. Separados, humanos perdem na briga pela existência para qualquer quati empolgado, precisa nem ser tigre dente de sabre).

Mas nem sequer foi feito de boa fé. As plataformas foram usadas para explorar e manipular o comportamento social, e por extensão da sociedade, para lucro e poder. Uma ferramenta que foi criada e apresentada como maneira de saber como foi o aniversário da sua sobrinha que mora longe foi usada para eleger presidentes, iniciar guerras comerciais e literais, oprimir, dominar e controlar nossas ações, opiniões, atenção e pensamento.

Pessoalmente, eu estou cansado disso. De dividir minha atenção em espaço de 15 segundos, e pensamentos completos em 280 caracteres. Eu quero voltar a produzir e consumir pensamentos de maneira completa, de dar e receber feedback que custe mais do que os 30 segundos que leva para dar um comentário (yeah. Carta ao editor não era tão má ideia assim). Redes sociais não são um bom lugar para criar arte (ou fazer política ou discutir o futuro da espécie).

Mark não é um bom guardião de como nos relacionamos.

Tecnologia não é ruim. Eu sou fã de ficção científica, trabalhei com tecnologia de ponta por mais de década, eu acredito na tecnologia como base para uma existência melhor. O problema aqui não é tecnologia em si. É essa tecnologia de redes sociais, quem as criou, como essas pessoas a gerenciam, com quê propósito, quais os efeitos dela. Quando uma conversa sua é monetizada, quando seu senso de justiça é distorcido para te levar a cometer injustiças, quando uma figura admirada passa a ser odiada simplesmente porque nenhuma relação está imune à presença constante, quando pessoas morrem por uma frase mal escrita e mal pensada espremida em uma caixa sendo reproduzida instantaneamente aos milhões, quando o mundo parou e notamos o quão importante são nossas relações, não é hora de buscarmos melhor tecnologia para nos relacionarmos?

Somos pessoas, imperfeitas, com corpos paleolíticos, mentes analógicas demais para algoritmos lidarem direito, teimosos o suficiente para insistir em resistir e insistir num futuro em que unimos o melhor dos mundos, onde tecnologia ajuda a sermos mais humanos, não menos.

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