Newsletter do Ducs #08: arte em postais, resistência na vida

E aí? Tudo bem contigo?

Seguindo forte na newsletter, apesar dos contratempos, dificuldades e tombos. O tema da newsletter dessa semana é resiliência/resistência (algo que muito me interessa – não é coincidência eu praticar corrida de resistência/longas distâncias).

Mas antes de começar, os tradicionais links para as três últimas edições, caso você seja novo aqui:

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Não? Vai ficar um pouco mais? Excelente! Obrigado! E por falar em agradecimento por você ter ficado, vou mostrar um pouco do processo de fazer os postais personalizados para quem escolheu essa maneira de apoiar a newsletter…

Postais personalizados – e dica de lojas de carimbos na Holanda

Uma das Recompensas Ducs era um postal feito à mão, personalizado. Para esse mês eu escolhi um tema inverno, com um moinho de vento, bonecto de neve, flocos… desenhei usando caneta tinteiro (uma Faber-Castell -eMotion pure black, com tinta Pilot Iroshizuko Take-Sumi), em papel cansol 300 gsm, carimbos e adesivo da Cafe Analog (https://www.cafe-analog.nl/) e Posthumus Winkel (https://www.posthumuswinkel.nl/)

AVISO: essas lojas de carimbo e craft exigem uma certa maturidade emocional para entrar e não comprar tudo…

Se você quiser um postal personalizado, incluindo postagem, você pode reservar o seu aqui:

Uma loja de mais de mil anos de idade

Se você entrou no site da Posthumus Winkel que eu pus lá em cima, viu que a loja existe desde 1865 – o que é impressionante. Mas o NY Times publicou recentemente uma matéria sobre uma loja no Japão de mais de 1000 anos!

Essa loja sobreviveu à múltiplas pandemias, ascensão e queda de impérios, guerras mundiais – e ainda está aqui.

A loja vende um único produto: mochi (o doce japonês a base de açúcar). Se quiser beber algo, tem chá verde. That’s it.

A família que cuida da loja há gerações recusa opções de expansões – de cardápio, de clientela, de lucro, de mercado. Eles recentemente recusaram a proposta do Uber Eats.

A prioridade número um da loja não é nada disso. É continuar.

Me fez pensar em como encaramos a economia – e muitas vezes a vida. Expansão infinita é impossível em planeta que é um sistema fechado. 4% ao ano sempre leva ao colapso.

Na natureza, crescimento constante existe também: células cancerígenas, determinadas pragas. O resultado é similar.

É possível adotar um sistema alternativo, de equilíbrio/reciclagem econômica e viver para sempre se renovando, dentro dos limites do nosso sistema?

Amsterdam acha que sim: no modelo econômico do donut.O Guardian explica em inglês aqui. (O Valor Econômico tem em português)

Procure por “economia donut” ou “economia da rosquinha”.

Utopia? Não sei. Sei de duas coisas: tem uma loja no Japão que existe há mil anos e se eu não incluir períodos de descanso/reciclagem na minha vida, o preço que pago é uma vida pior – e bem possivelmente mais curta.

Treino = exercício + descanso

Para ficar mais forte e resistente, a tentação é emendar exercícios constantemente. O descanso é oportunidade perdida de se exercitar. Eu mesmo cometi esse erro quando comecei a correr.

O resultado, claro, é o colapso.

Exercício é um dano/stress controlado no seu sistema. O sistema se conserta, mas mais forte dessa vez. Só que esse conserto é feito durante o descanso, e não durante o exercício.

Emendar o dano sem dar tempo para o conserto não vai te deixar mais forte. É preciso alternar (a proporção varia com exercício, intensidade, indivíduo e milhões de fatores). Aprendi do jeito difícil: descanso (especialmente sono) é tão parte do treino quanto o exercício!

Holandês, a língua-lego

Vou te contar a primeira palavra de holandês que eu entendi sem ter olhar num dicionário:

Kinderdagverblijf (“Creche”)

Na frente da primeira casa onde moramos aqui em Amsterdam, tinha uma creche. Infelizmente, em vez de “creche”, tava escrito na porta: Kibderdagverblijf, o que pra mim soava, como tudo no começo, Klingon medieval.

Daí, conforme eu fui aprendendo a língua, um dia me pus a dissecar o treco: Kinder = infantil, das crianças, dag = dia, verblijf = estadia. Kinderdagverblijf = estadia diurna infantil, lugar onde as crianças ficam durante o dia, ou seja… creche!

Eu lembro de ficar tão empolgado! Havia descoberto a chave do mistério. Holandês é tipo um Lego feito de linguagem!

Eu amo Lego!

(Depois descobri que eles também usam “creche” aqui ¯\__(ツ)_/¯ )

A Biblioteca Pública de Amsterdam (OBA)

Falando em holandês e crianças: o sagui mais novo está alfabetizado, e lendo! Resisti de citar Obi-Wan Kenobi:

  • That’s good. You’ve taken your first step into a larger world.

Ahem. Enfim, agora que temos dois leitores vorazes em Amsterdam, temos um pequeno problema: estão acabando nossos livros em holandês.

(Ducs, a mais velha não lê em português? Sim, mas para ela ler em português ainda é trabalho, e em holandês é diversão, e ler por diversão é um dos maiores super poderes que alguém pode ter. Minha mãe me ensinou esse super poder, eu estou contente de ter passado para a sagui. Deixa, ela vai ter tempo de ler em outras línguas).

Voltando. Eu tenho um número razoável de livros em casa, acumulados ao longo de uma vida, mas poucos em holandês. Eles tem até bastante livros em holandês, mas não vence, são vorazes. A solução? OBA!

OBA? Sim… Openbaare Bibliotheek Amsterdam – Biblioteca Pública de Amsterdam. O prédio central dela é uma atração em si, mas ela tem diversas unidades espalhadas pela cidade, a maioria muito legal.

Agora com o corona a unidade perto de casa está com horário super reduzido, mas dá para você reservar os livros, e só passar para retirar.

Em tempos normais, é muito mais que uma biblioteca (tem teatro, tem café, tem área para brincar e explorar e ler os livros), mas mesmo nesse 2020 desolado, tem sido uma salvação. Tem muita coisa para crianças.

Se você mora aqui, aproveite. E se não, quando pudermos viajar de novo, é um passeio interessante com os seus saguis.

Dá uma olhada no site deles – https://www.oba.nl/

Dicas de livros

Endure, de Alex Hutchinson

Esse livro explora os fatores que influenciam nossa capacidade de resistir, fisica e mentalmente, a esforços duradouros. Ele vai acompanhando o projeto Breakin 2, da Nike, quando Eliud Kipchoge ficou a 25 segundos de quebrar a barreira de duas horas para a distância da maratona (42195m), intercalando com histórias de outros feitos que expandiram os limites da resistência humana.

E no processo ele vai listando estudos e experiências que demonstram os fatores fisiológicos e psicológicos-emocionais envolvidos. Eu achei muito interessante, e ainda muito válido, mesmo Kipchoge tento quebrado a barreira de 2 horas depois, no projeto INEOS 1;59.

Eu ouvi a versão Audible mas acabei comprando a versão Kindle também, para ter de referência e consultar.

Na Amazon – não achei em português

How Bad Do You Want It? de Matt Fitzgerald

esse livro tem o mesmo tema do Endure, mas é bem menos técnico, e comunica os fatores da resistência através mais de histórias ilustrativas de performance esportiva, do que estudos e fisiologia. As descrições são bem vívidas, e fazem você estar lá no meio do furacão. Para impressionar e inspirar.

De toda forma, esses dois livros servem para mostrar que nossos limites são bem mais elásticos do que pensamos, e o cérebro é bem conservador – mas pode ser treinado a tolerar mais, melhor e por mais tempo. Uma habilidade que, como demonstrou o ano de 2020, é muito útil bem além de puro esporte.

Aliás, 2020 foi bem difícil para mim também (como para a maioria das pessoas), começando com o meu negócio parando subitamente (renda caiu a zero – estamos queimando reservas até agora), seguiu com a Carla ficando doente por dois meses e daí a descoberta de que a doença genética que tenho nos olhos e luto contra há mais de 20 anos, piorou e vou ter que enfrentar ainda mais cirurgias (com perspectivas apenas medianas). Mesmo assim, 2020 não está nem nos top 3 anos mais difíceis da minha vida. E foi justamente por eu ter tido anos piores que eu me convenci a me preparar melhor – física, mental e financeiramente.

Como eu digo sempre… vida é esporte de resistência. É preciso treinar para ela.

E por isso recomendei esses livros – eu sei por experiência própria que somos mais resistentes do que pensamos. Os livros explicam e ilustram isso. Nós humanos não somos super fortes, nem super rápidos e, como qualquer passeio por mídias sociais mostra, nem sequer super inteligentes. Mas nós somos muito… muito resistentes.

Não sei você, mas isso me conforta.

Na Amazon, também não achei em português.

No Audible.

Frase da semana

“Movement is big medicine; it’s the signal to every cell in our bodies that no matter what kind of damage we’ve suffered, we’re ready to rebuild and move away from death and back toward life.”

Christopher McDougall

“Movimento é um grande remédio; é o sinal para todas as células do nosso corpo que, independente do dano que sofremos, estamos prontos para reconstruir e nos afastar da morte em direção à vida”

Christopher McDougall

Dias curtos na Holanda…

Os dias estão ficando curtos. O amanhecer está oficialmente as 8h30 e o por do sol as 16h30. Na prática começa a clarear um pouco antes do sol sair. Daqui algumas semanas, as crianças entrarão na escola no escuro (elas entram as 8h20).

Vai ser um longo inverno, esse da pandemia. Guenta firme. Vamos sair dessa. Dias melhores e mais compridos virão.

Até semana que vem

Okay, não vou abusar da sua resistência, então encerro por aqui. Semana que vem tem mais uma, e com a data e inscrição para o II Encontro Virtual do Ducs – dezembro.

Até lá e obrigado por estar comigo até aqui \m/

Daniel Ducs / Daniduc

PS. Quer aparecer na newsletter? Manda uma pergunta e se for selecionada eu publico com a resposta.

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