Newsletter do Ducs #07: fim dos carros à combustão, vidas sem rumo, Haia x Amsterdam, palavras de holandês

E aí? Tudo bem contigo?

Aeee, estamos chegando no último mês de 2020 (já deu, né?), mas apenas no começo da newsletter. Alguma coisa boa tinha que sair desse ano, né? Mas antes da edição dessa semana, deixa eu dar os links para as três últimas edições, caso você seja novo aqui:

E caso você queria receber a próxima edição no seu email…

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Okay, vamos lá… Na newsletter passada eu tinha mencionado que iria ocorrer o…

I Encontro Virtual do Ducs

Uma das recompensas de novembro para quem apoiar a newsletter foi um encontro virtual via Google Meet (o equivalente Google do Zoom). Batemos um papo de mais de uma hora, sobre impacto das mídias sociais e como lidar, sobre como fazer mudanças na nossa vida para melhorar, sobre o futuro do Ducs Amsterdam, e muito mais. Eu falei e ouvi, e foi muito bacana.

Se você perdeu esse, sem drama… dezembro vai ter outro, e vou anunciar junto com outras recompensas para apoiadores (você pode decidir a cada mês se quer apoiar, não tem compromisso mensal).

Agora vou fazer os postais com arte para quem optou por essa recompensa em novembro…

(Todas as recompensas de novembro aqui)

Perguntas e respostas #1: Haia x Amsterdam

Outro follow up da newsletter passada foi a seção de Perguntas e Respostas, como eu tinha nos Stories. Eu pedi para enviarem perguntas para eu responder na edição seguinte. Vamos lá:

“Sei que você e a Carla começaram a história de vocês aqui em Amsterdam, depois se mudaram para Den Haag (se não me engano, você disse que sua filha nasceu lá), e depois voltaram. Penso seriamente na possibilidade de me mudar para lá, pelo valor mais acessível dos imóveis e por gostar mesmo da cidade. Vocês gostaram de viver em Den Haag? Algum motivo específico para voltarem ou apenas preferem o agito de Amsterdam mesmo? Enviada por Ana

Oi Ana, obrigado pela pergunta. Você está certa: moramos um ano e meio em Haia (Den Haag) e nossa filha nasceu lá.

(A cidade é cheia de nomes: em português do Brasil é Haia, em Portugal é A Haia, em holandês é Den Haag (coloquialmente) e ‘s-Gravenhage (oficialmente). Dica pró: não tente falar o nome oficial se estiver com dor de garganta).

Sim, eu gostei de viver em Haia. É uma cidade menor e bem menos agitada que Amsterdam, mas bastante cosmopolita, devido à presença da Corte Internacional e várias instituições diplomáticas. É a sede do governo Holandês… na prática é como se fosse a capital dos Países Baixos (Amsterdam é a capital oficialmente).

Teve alguns motivos para voltarmos. Primeiro, a Carla continuava trabalhando em Amsterdam, e com o nascimento da nossa filha, ela não queria mais gastar tanto tempo se deslocando para o trabalho.

E eu confesso que meu coração pertence mesmo a Amsterdam. Além de motivos subjetivos (quem manda no coração), eu gosto muito de Amsterdam ser uma cidade global Alpha, mas ao mesmo tempo manter uma escala humana, num ritmo humano. Amsterdam eu me sinto mais… conectado.

Não quer dizer que não tenha coisas de Haia que eu sinta falta. Escrevi um post sobre isso na época, você leu?.

E sobre a confusão da capital do país e tals, eu tenho um post bem legal que conta 5 curiosidades históricas sobre a Holanda. Vale a leitura.

É isso. Manda sua pergunta para a próxima edição!

Dica de app para fazer seu jornal / diário

No post que fiz sobre as vantagens de um journal (e como começar – leia aqui) eu mencionei que era possível fazer via app em vez de papel e caneta.

Eu sou fã do analógico, mas se você não está se achando nele, tenta o app Day One. A Carla está usando há um par de semanas e gostando bastante, e tá conseguindo manter regularmente. Às vezes é algo que você se adapta melhor.

Dois anos de corrida (e um record pessoal nos 5K)

Em novembro fez dois anos que tomei uma das melhores decisões da minha vida: comecei a correr. Não porque corrida necessariamente seja o melhor esporte do mundo para todo mundo. Mas foi o esporte que eu me apaixonei, e portanto passei a praticar regularmente.

Não foi amor à primeira vista, porém. Na verdade eu passei a maior parte da vida dizendo que detestava correr. Correr era desconfortável, doía, e eu não conseguia entender porque alguém gostaria de sofrer daquele jeito. Como muitas histórias que repetimos para nós, essa era apenas isso: uma história. Eu apenas não sabia correr.

Decidi tentar porque sabia que precisava fazer uma atividade física e corrida era prático: não tinha mensalidade, nem hora fixa, nem dependia de um time. Poderia correr sozinho, na rua, a hora que eu quisesse. Mas… e a motivação para fazer um esporte que odiava? Eu resolvi dar uma chance e aprender como correr. Eu contei esse processo, dando todas as dicas, como comecei, o que eu usei e muito mais no blog, quando relatei minha meia maratona em duas horas.

Em vez de dizer “corredores são loucos” ou “diferentes” ou “não é para mim”, eu disse “como eu posso aprender?” E fui aprender. E descobri que na verdade eu gostava de correr, mais do que isso, eu gostava do processo de aprender a correr. Aprender é legal. E isso vale para muitas coisas, corrida foi só um exemplo- quantas decisões tomadas por nós décadas atrás nos prendem hoje, quando somos pessoas diferentes? O Daniel de 15 anos decidiu que não gostava de correr e o Daniel de 2018 estava preso nessa decisão sem nem saber se ela era verdade, sem questionar. Eu questionei. E aprendi.

2020 foi um ano difícil, mas depois de conquistar uma meia maratona de duas horas, ontem fechei a comemoração de dois anos correndo o meu 5K mais rápido (23:30). Não foi uma corrida oficial (estão suspensas na Holanda até março), mas ser oficial nunca foi meu objetivo. O objetivo é aprender e melhorar em algo que me faz bem.

Agora em dezembro, eu irei apenas correr sem nenhuma meta, apenas para curtir o movimento do corpo e mente, contente por ser, como diz a música, um eterno aprendiz. Em 2021, novas metas, novas conquistas, novos questionamentos, novos aprendizados.

Que você ache um esporte, qualquer esporte, que te transforme num aprendiz apaixonado.

Palavras de holandês da semana

“Não se preocupe, filha”, disse para a sagui sobre algo que nem lembro mais. Ela respondeu:

  • Quié “se pecopua”?
  • Quer dizer a gente ficar nervoso com algo que ainda não aconteceu.
  • Hã?
  • Quer dizer “zich zorgen maken”.
  • Ah tá, brigada.

Criar filhos na Holanda…

Outras palavras de holandês que você vai aprender cuidando da saguizagem aqui, mesmo em português:

  • Niet eerlijk (pronúncia: niit ÊÊrlãk) – NÃO É JUSTO!!!! Ex:

Saguis, hora de dormir!
Mas já??? NIET EERLIJK!

  • Stom/stomme (besta, bobo). Ex:

Papai, aquele stomme menino roubou minha bola!!

  • Opruimen (arrumar). Ex:

Saguis hora de opruimen o quarto.
Ahhh! Niet eerlijk! Opruimen is stom!

  • Af (abreviação de “afspraak”) – playdate, ir brincar na casa do amiguinho.

Papa, posso fazer af hoje?
Pode, amor
YES!
(Hey, não dá para ser chato sempre, né?)

Dicas de livros: dois clássicos de autoras sensacionais

To Kill a mockingbird, (O sol é para todos) de Harper Lee

Um livro clássico, de 1960, que periga a grande maioria já ter lido (fiquei até em dúvida em recomendar). Foi adaptado para um filme P&B, também clássico, Oscar de melhor ator para Gregory Peck. Mas se por algum motivo esse livro te escapou até agora (eu mesmo só fui ler em 2016), recomendo altamente. Além de lindamente escrito, trata de temas totalmente atuais, como racismo e justiça, e papéis de gênero (o livro é narrado por uma menina que não usa vestido – e note que o livro é de uma autora). Apesar dos temas complexos, a história é tratada com sensibilidade e profundidade, sem martelar posições, mas pintando um retrado que leva ao questionamento e reflexão.

E isso, não sei se já disse, em mil novecentos e freaking sessenta!

Se já leu, assista também ao filme. Aliás, independente: se não viu ainda, assista ao filme também.

Na Amazon, em português

The Outsiders (Vidas Sem Rumo) de S. E. Hinton

Outro clássico dos anos 60 (esse de 1967). Eu li esse livro na adolescência e amei! Eu cheguei a decorar algumas passagens. De novo uma história que trata de temas complexos – divisão social por classes, amadurecimento na adolescência, violência de gangues – de maneira sensível e profunda.

Pode ser que tenha funcionado tanto comigo por eu estar na idade certa para me identificar com várias das crises passadas pelos protagonistas, mas o livro resistiu ao teste do tempo.

Também virou filme, embora eu não tenha gostado tanto assim (mesmo sendo de um dos meus diretores favoritos, F. Coppola).

Na Amazon em português.

Frase da semana

“Aus der Kriegsschule des Lebens. —Was mich nicht umbringt, macht mich stärker.” (Na guerra da escola da vida, o que não me destrói me torna mais forte) – Friedrich Nietzsche.

Uma rua na Holanda…

Eu tirei essa foto casualmente, porque achei legal ver dois carros elétricos abastecendo, uma bike elétrica para levar os saguis para escola (a minha) e pessoas pedalando. Uma amostra que o combustível fóssil está aos poucos deixando as ruas de Amsterdam, uma realidade possível.

(Amsterdam quer eliminar carros à combustão até 2030).

Sempre que falo isso, pessoas me dizem: ah, mas a Holanda é diferente (e citam diversos motivos, incluindo a geografia plana). Mas você sabia que a Holanda quase embarcou na febre do carro com o resto do mundo, e instituir uma cultura de ciclismo demorou quase uma década de lutas e protestos?

Contei essa história no blog uma vez…

Até semana que vem

Allright, acho que está bom por essa semana. Nunca consigo incluir tudo o que quero na newsletter… mas por outro lado, sempre tem semana que vem.

Até lá e obrigado por estar comigo \m/

Daniel Ducs / Daniduc

Agradecimento especial aos apoiadores de Novembro

Ana C.
Ana L.
Patricia F. H.
Dimitri S. F.
Henrique D. S. V.
Patricia D. L. E. S.
Cristiane P. D. O. E. B.
Marcie G. P.
Maria Cristina P. G.
Angela M. R. P.
Sofia M.

Anellena A. D. S.
Cristiano A.
Camila M. P. G.

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