Newsletter do Ducs #14: Neve, frio e de quando saguis ganham asas

E aí? Tudo bem contigo?

Espero que sim. Eu estou tomando um chá (de roiboos), escrevendo pra você de uma Amsterdam congelada (sensação de -13) e coberta de neve, uma neve seca que foi varrida pelo vento em dunas geladas. Esse ano estamos tendo inverno, ao contrário do ano passado, quando tivemos um longo outono cinza no lugar.

Okay, a neve paralisou o país (além do que já estava pelo lockdown). O Instituto Real de Meteorologia da Holanda (KNMI) decretou Alerta Vermelho (a gradação máxima: vai de verde, amarelo, laranja a vermelho), e as aulas presenciais em escolas básicas que iriam recomeçar na segunda foram suspensas em Amsterdam, e voltou a saguizagem pros “meetings”. Mas é bonito. E mesmo com o perrengue, eu gosto.

Espera, eu tô começando a Newsletter sem colocar o link para as anteriores nem te dar a chance de fugir enquanto é tempo. Vamos corrigir isso. Acesse as edições anteriores:

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Pronto. Vamos re começar. De novo. Sempre.

“Oooopa, tavam com saudades de mim?”

De quando saguis ganham asas…

Semana passada o Governo Holandês deu uma leve afrouxada no Lockdown, liberando aulas presenciais para escolas básicas e creches. Mas não ia voltar assim, normal: a escola dos saguis especificaram um monte de regras e restrições.

Uma delas: as crianças do Bovenbouw (equivalente Montessori do grupo 6, 7 e 8) devem ir para escola sozinhas. Sem os pais levarem (para evitar aglomeração), pois já têm idade para isso.

A escola fica perto (escola pública, atende crianças da vizinhança), e é super normal na cultura holandesas as crianças serem free range, e incentivadas à independência desde cedo.

Isso só é possível, claro, num país que tem uma relativa segurança. E os adultos, acostumados a verem crianças zuzucando por aí sozinhas, não se sentem minimamente inibidos em dar bronca e chamar atenção de piá alheio solto por aí.

(Alias, se pá, até com responsável perto sai bronca).

Pode parecer entrão e irritante (e tem hora que é), mas isso meio que demonstra um senso de comunidade: cuidar dos saguis é responsabilidade de qualquer um e de todos.

Eu tendo a gostar dessa abordagem, e para ser sincero poder criar filhos com essa atitude foi um dos fatores que influenciou a decisão de ter filhos na Holanda. E eu mesmo sempre fui meio solto, mesmo no Brasil (ia sozinho comprar coisas no mercado aos 8 anos, acampei sozinho semi selvagem com 13 anos a primeira vez, com 16 eu sumia pelo interior de Minas sem minha mãe saber exatamente a minha localização ou hora exata que voltaria para casa. Eram outros tempos).

However, que dá uma acelerada no coração no primeiro dia dá. A Sagui (9 anos) já desce sozinha para brincar na rua, tem a chave de casa e até pedala na ciclovia (comigo ou a mamis pedalando perto). E eu já estava me preparando para a emoção quando a Natureza disse “espera mais um pouquinho”.

Domingo chegou email da diretora da escola, dizendo que as escolas de Amsterdam não iriam abrir devido à nevasca que caiu e meio que tornou as ruas intransitáveis.

Grande decepção temporária de uma sagui. E os pais ganharam mais um dia para acostumar com a ideia de que saguis sim podem voar.

Novo iPhone (12 Pro Max)

Nas edições anteriores (link no começo do email) eu contei da minha cirurgia ocular. Continuo na recuperação, que está indo bem. A visão está melhorando aos poucos, retirei um dos colírios (são apenas 7 por dia agora). Ainda preciso usar letra aumentada no computador, mas dá para se virar.

Nisso ajuda que eu troquei de iPhone. Yeah, lembra que o meu XS Max tinha quebrado na véspera da cirurgia? Foi tenso. Reativei o meu 6s antigo, mas não tava dando não. A pouca memória tornava o uso dos apps difícil (eles morriam frequentemente no meio do uso), a bateria velha não aguentava nada e, principalmente, a tela pequena não facilitava minha vida.

Acabei ativando o software de budget que uso para ver se cabia um upgrade, porque o 6S tava cruel. Qual software? O YNAB. Eu fiz um pequeno review dele na edição #11 (link aqui). Feita a consulta, eu decidi pegar um 12 Pro Max em um plano de 2 anos.

Estou usando há pouco tempo o novo modelo, mas essas são minhas impressões iniciais:

  • A tela é giganormemente cinemascope plus master(*) grande! É justamente o que eu queria, claro. Facilita enormemente minha vida. E mesmo a tela sendo maior, o aparelho em si não é muito maior do que o XS: eles puseram mais tela, encolhendo as bordas. Tamanho da tela é um dos principais motivos de eu pegar o modelo Max, que é mais caro e….
  • …Mais pesado. Notei que ele pesa mais que o XS. Em troca, porém, tem mais bateria e tenho tido a curiosa sensação de terminar o dia com bateria de sobra, mesmo com uso intenso.
  • A tela é linda, mas as câmeras impressionam. São 3 lentes: uma grande angular, uma normal e uma telefoto. A alternância entre as 3 é suave, e as imagens que as lentes geram, mais o tratamento do chip da Apple permite fotos que seriam simplesmente impossíveis antes. Fotos contra o sol, baixa ou quase nenhuma luz, exposição perfeita. O sistema de amortecimento faz uma grande diferença não só em foto de baixa luz, mas nos filmes (eu filmei os saguis andando de trenó na neve, ficou bem legal). Os reviews dizem que dá para fazer muito mais coisas, mas não cheguei a testar ainda.
  • 5G: fizeram grande aue, mas a real é que 5G ainda é um 4G disfarçado, ao menos aqui na Holanda. Não senti a menor diferença no uso real (bizarro desligar o wi-fi dentro de casa só para testar. Lembra quando a gente se preocupava com limite de banda no celular porque podia sair de casa?).

Esse são só alguns pontos rápidos – tem bem mais para falar (como o novo Mag Safe), mas fica para depois. Estou bem impressionado com o 12 Pro Max, mas confesso que se não tivesse quebrado, ou se estivesse na garantia ainda, eu diria que o XS aguenta tranquilamente pelo menos mais um par de anos.

Tá parei de racionalizar. Bora pro próximo.

(*) O meu corretor me sabota o tempo todo, então eu me vingo escrevendo palavras que não existem só pra implicar com ele.

Dica: eliminando correspondência de papel

Aproveitando a possibilidade de usar widgets no iOS 14 (que roda até em iPhone 6S), eu…

Huh, o que são widgets? São aqueles atalhos que você pode instalar na página do seu celular. Se tiver rodando iOS 14, pressiona a tela por uns segundos, até os apps começarem a tremer. Daí vai no canto superior esquerdo e clica no sinal de +. E divirta-se.

Okay, eu instalei um atalho para o scanner do Dropbox. Quando eu clico, ele abre a câmera do celular já pronta para escanear um documento e transformar em PDF. E daí salvar no meu Dropbox.

Pra que eu uso isso tão frequente para justificar um atalho? Para escanear correspondência de papel que chega o tempo todo. Eu tinha tentado um milhão de sistemas para organizar o influxo constante de papel que chega (ok, exagero, mas chega bastante ainda), caixa de entrada, arquivo, gaaah.

A minha ideia agora é: chegou papel, abre, escaneio, arquivo cópia digital no dropbox (com possibilidade de busca futura e até reimprimir se for o caso), lixo. (Exceto se for algo que não pode jogar fora, daí arquivo direto).

Conta que não tá no débito por qualquer motivo)? Paga (olha o YNAB de novo aí, permitindo reservar e prever despesas – sim, inclusive as de surpresa, como iPhone que quebra), cópia digital, lixo.

Para minha ciência? Ciente, cópia digital, lixo.

Vamos ver montanha de papel, se você vai continuar me desafiando…

Palavra de Holandês: sneeuw

Claro né? Neve. Sneeuw é neve. A pronúncia tem o EE comprido, e soa mais ou menos como “sníeeu”. Imagina um gatinho espirrando. “Snieeuw”. Saúde, gatinho.

Bom, daí temos:

  • Sneeuwpop: boneco de neve.
  • Sneeuwbal: bola de neve. Se você vir uma em sua direção, adote manobras evasivas e se prepare para as amigas delas. Costumam atacar em bando.
  • Sneeuwengel: “anjo” de neve (quando os saguis se jogam no chão e abrem e fecham os braços e pernas enquanto gritam “weeeeee” até formar o desenho de um anjo, para horror dos pais brazucas)
  • Sneeuwvlok: floco de neve. Ao contrário do inglês, não é um xingamento xingamento político, é o símbolo da Elsa mesmo.

DICA Livro e Filme

The Call of the Wild (O Chamado selvagem) (livro)

Autor: Jack London

Se é para falar de frio e do Grande Norte, Jack London é o mestre. Eu li esse livro quando criança, na saudosa coleção terra, Mar e Ar, e fiquei muito impressionado. Desde então li múltiplas vezes, e o encanto não desapareceu. Desconfio até que tenha influenciado minha fascinação com os cenários de Taiga gelada.

O livro conta a história de Buck, um cão Nutella, que vivia no bem bom do quentinho sul americano, e se vê raptado e vendido como cão de trenó na corrida do ouro no Yukon. A história vai mostrando o processo de “des-civilização” de Buck, que aos poucos regride para o estado selvagem do lobo.

Maravilhoso. London faz miséria com a história.

Curiosamente, o autor escreveu outro livro que conta o processo inverso, de um lobo se adaptando-o à civilização, no livro White Fang ( Caninos Brancos). Eu gostei também, mas o chamado selvagem permanece meu absoluto favorito.

Se você quer ver um bom escritor falando sobre frio (como metáfora de outros temas universais) e não quer comprar um livro, leia esse conto de Jack London aqui: To Build a Fire (está em inglês).

O Chamado selvagem em português na Amazon

Agora o filme:

The Call of the Wild (O Chamado selvagem) (filme)

IMDB

A Disney adaptou em 2020 o livro de London em um filme. Eu vi na Disney+. Eu estava esperando que fossem, digamos, amenizar bem mais a história, mas até que não foi tanto. Veja bem, claro que eles Disneyficaram (toma essa, corretor), mas ficou razoavelmente fiel ainda. Até a cena do “adestramento” de Buck eles mantiveram (embora encurtada e com uso de sombras para amenizar a violência).

Outra coisa que me surpreendeu foi ser feito em live action mas com animais gerados por computador. Embora fotogênicamente perfeitos, ainda tem aquela impressão de… ausência de peso de algo que não está lá de verdade. Não sei apontar com precisão, mas o filme todo tem um ar de protetor de tela: é lindo demais, mas tanto que começa a parecer artificial… irônico num filme tratando do poder da Natureza.

Mas tô implicando. É um bom filme, tem Harrison Ford e lindas cenas, respeita o original. Vale o tempo.

Nem tudo são flocos de neve…

Bom, neve, livros, e aventuras, mas não quero dar a impressão e que está tudo tranquilo e sem percalços. Em certos aspectos tive uma semana difícil.

Stress e ansiedade bateram forte, explodindo na sexta-feira quando não consegui dormir e foi difícil acalmar. Usei todas as técnicas que pude (incluindo chá de camomila), e no fim o que me ajudou foi, de novo, a meditação.

Usei o curso de stress do Headspace, que ensina uma técnica interessante (e me ajudou a relaxar e dormir).

Isso é uma coisa interessante sobre meditação: ela não elimina stress, e nem nenhuma outra emoção. Você continua ficando bravo, ansioso, com medo… o que você faz é perceber quando está sob influência dessa emoção, e em vez de se identificar completamente com ela, deixar passar, como uma onda rolando e quebrando na superfície, sem alterar o fundo do oceano.

Isso também vai passar.

Link para o Headspace com 14 dias grátis (eu não sou comissionado nem ganho nada se seguir esse link)

E assim ela foi…

De tarde a sagui pediu par ir no parque brincar na neve com as amigas. A mãe de uma delas ia acompanhar. Deixei. A tarde a mãe da amiga liga e diz “tenho que voltar a trabalhar, eu deixei elas vindo sozinhas, devem estar na sua casa em meia hora.”

Desci com o menor e ela estava brincando na praça na frente de casa com as amigas, rolando pela neve. Depois de muitas aventuras geladas, pus um fim na exploração ártica e decretei hora do chocolate quente.

No dia seguinte de manhã, quando termino a minha newsletter, as escolas abriram e ela pos as luvas, o gorro, mochila e foi, a -2, na neve, sozinha para escola, e, com um aceno “tchau papai”, ela foi.

Me coração foi com ela. E vai ter um chocolate quente para quando ela voltar.

Você sempre vai ter um chocolate quente do papi, amor.

Frases da semana

“Limpar a sua casa enquanto suas crianças ainda estão crescendo é como tirar neve da calçada enquanto ainda está nevando”.

Phyllis Diller

“Aventura é apenas mau planejamento”

Roald Amundsen

Obrigado pela sua companhia!

E por essa semana é só. Muito obrigado pela sua companhia nessa jornada, nas fotos de neve e nos momentos de stress, na hora da partida e no chocolate quente da volta. De coração, obrigado.

Se você pode contribuir para a execução desse trabalho, eu fico feliz e grato. Toda newsletter tem um link no fim para dar uma contribuição para quando lhe for possível (e se quiser, pode tornar ela mensal).

Se não der essa semana ou esse mês, tudo bem – eu aprecio sua companhia do exato mesmo jeito. Você sempre pode apoiar divulgando o trabalho (o que é essencial, uma vez que não posso mais contar com o algoritmo, já que não escrevo para ele, mas para você).

Um abraço e até semana que vem.

Apoiadores de fevereiro

Quero agradecer em especial os apoiadores de fevereiro: vocês tornam isso possível <3

Camila M. P. G.
Luciana W.
Janaina T. P. do C.
Gianni C.

Todos os apoiadores de todos os meses estão convidados pro Encontro Virtual Ducs mensal. A gente se fala lá! 400 x 533

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